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sábado, 1 de setembro de 2012

COMO A GLOBO SEDUZIU A FOLHA DE SP





De ferrenha crítica a uma aliada estratégica, a mudança de linha editorial do jornal Folha de SP foi radical. De textos ácidos contra a emissora dos Marinhos à defesa de interesses comuns de forma veemente nos últimos anos, foi possível perceber que há alguma coisa errada com o grupo capitaneado pela família Frias.

Se na década de 90 era comum que houvesse críticas contundentes à atuação da Globo (como quando um jornalista chamou Jô Soares de “o bobo da corte dos tucanos”) e investigasse cada passo da emissora carioca nos bastidores da política, após a fusão com o jornal Valor Econômico, as coisas mudaram sensivelmente.



Querendo fazer frente ao DCI,  jornal econômico, que reinava praticamente sozinho no mercado, o núcleo das Organizações Globo procurou o Grupo Folha, visando baratear os custos, para uma publicação conjunta. Com sede no parque  gráfico na zona oeste paulistana, ficou claro que a intenção da Folha era adentrar um mercado com potencial a ser explorado, e o da Globo, tirar um concorrente de seu raio de ação. Pode-se dizer que ambas intenções foram alcançadas, pois tanto o DCI começou a definhar, quanto a linha editorial da família Frias passou a se tornar “light” em relação aos Marinhos. E quando  teve sua primeira edição lançada em 2 de maio de 2000, o número de críticas diminui por parte do jornal; e a contundência também.

Percebendo que sua tática dava resultado, a alta cúpula da emissora ampliou seu “Blitzkrieg” contra seu crítico mais ferrenho (e o que tinha o maior alcance, pois a Folha de SP era o jornal mais vendido no país, naquele momento). Essa fusão fez com que caísse para o vigésimo quarto jornal em vendas avulsas, atrás dos concorrentes O Globo (15º) e Estado de São Paulo (19º).




O próximo passo era formar parceria com o instituto de pesquisas do grupo, o Datafolha. Apesar de ser a principal cliente do malfadado Ibope (cujo as relações espúrias vem de longa data),a Globo optou por usar, convenientemente, mais um braço da mais nova parceira.Talvez porque o Ibope, de propriedade de Carlos Augusto Montenegro, vinha sendo acusado de manipulação de resultados havia algum tempo e, para não descartar um aliado histórico (e que com certeza, sabe demais) a família Marinho optou por “usar” mais um instituto de pesquisas, que desse bem menos dor de cabeça. De novo,unir o útil ao agradável (ou o fútil ao desagradável,sei lá...)

As reformulações continuaram e chegaram até a TV a cabo. Seduzindo algumas das “estrelas” da Folha de SP, o canal GloboNews, de notícias 24 horas, levou na mesma toada Eliane Cantanhede e Renata Lo Prete para atuarem como comentaristas de política. Obviamente,sem a mesma liberdade de expressão que gozavam no impresso paulista. Mas,sabe como é a vaidade humana...

A aproximação com o grupelho dos Marinhos fez muito mal ao grupo Folha. Coincidentemente ou não foi a partir daí que a publicação acabou sofrendo um número altíssimo de processos por difamações e críticas a sua linha editorial, que estava cada vez mais confusa.

Em fevereiro de 2009, ao criticar Hugo Chávez, disse que o regime militar brasileiro foi uma “ditabranda” (contraponto ao que realmente foi, uma ditadura). Nunca o jornal foi tão criticado como naquela oportunidade. intenção maior foi a de chamar a atenção, de polemizar. Uma atitude desesperada e rasteira,comum a alguns programas de TV quando querem audiência. O mesmo aconteceu com o jornal.Queria chamar a atenção para tentar vender mais.




Chegou a entrar na justiça para tirar do ar o site Falha de SP, que criticava duramente a Folha e sua (famosa) parcialidade em prol de alguns políticos. Ser tendencioso se tornou prática comum dos Frias e a crítica não foi bem recebida. Até hoje o imbróglio segue entre Folha x Falha.

No caso de não ser imparcial, o jornal parece ter copiado a risca sua parceira (Globo). Tanto que o Ombudsman (seja ele qual for) sempre criticou essa ação do impresso. Aliás, ter um fiscal dos leitores sempre foi pura perfumaria, já que nunca aceitou ingerência do mesmo, nem levava em consideração as reclamações dos leitores e assinantes (seus clientes). Portanto, apenas para inglês ver.Também lembra muito a empresa de que é sócia. A Rede Globo tem uma central de atendimento ao cliente, que nunca é levada a sério, onde o péssimo atendimento é comum e serve apenas como uma medida paliativa (“eu faço de conta que escuto”).

Ver um veículo de comunicação,que já foi referência em jornalismo chegar ao ponto de ser ‘um braço’ das Organizações Globo, é lamentável. E aquele slogan do jornal “não dá pra não ler”...Bom, não ler o jornal hoje em dia ficou mais fácil do que a família Frias esperava. Bastou que leitor visse que ‘ Globo e a Folha tem tudo a ver’...


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