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segunda-feira, 28 de abril de 2014

MARÉ: MORADOR NÃO É SUSPEITO NEM CRIMINOSO




Tá no jornal: um Juiz autorizou que a polícia civil invada e reviste TODAS as casas do Parque União e da Nova Holanda, duas das mais importantes áreas da Maré.
Sim, é isso mesmo que você acaba de ler.
Diz a matéria que o juiz - Ricardo Coronha Pinheiro, juiz da 39ª Vara Criminal da capital do Rio de Janeiro - concedeu um mandado "coletivo" de busca e apreensão. Diz também que se baseou em ações de inteligência da própria polícia.



É assunto, no mínimo, complicado. Primeiro porque, na questão jurídica, analistas afirmam que esse instrumento é uma invenção. Esperamos, inclusive, que a decisão do juiz seja publicizada, para que possa ser melhor analisada e avaliada.
Segundo, porque se a Justiça afirma que TODAS as casas de uma região podem ser invadidas e revistadas, parte do pressuposto que todas as famílias (centenas? milhares?) que ali moram são suspeitas de CRIME. Aquela história de presunção de inocência vai pras cucuias.
Isso é o que há muito se convencionou chamar de CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA. Um olhar que vê o pobre, o morador de rua, o favelado, o negro... como criminoso, ou suspeito de crime. E que, por extensão, vê a favela como território inimigo.
Quando esse olhar está nas pessoas 'comuns', costuma se traduzir simplesmente no ruim e velho "preconceito".
Quando contamina as instituições, os governantes, os parlamentos, os tribunais e, por consequência, as políticas públicas que regem a ação dos agentes públicos - quando contamina, enfim, o ESTADO - a coisa complica.
A formulação de políticas de (in)segurança pública que se baseiam de forma exclusiva e obcecada em soluções militares é um dos principais reflexos.
No Brasil, os policiais matam e morrem mais que em qualquer lugar do mundo. E nossa sensação de insegurança ainda assim é cada vez maior. Algo está errado, não?
MAS ATENÇÃO!
Levantar estas questões não significa defender que nada seja feito!
Há várias organizações e especialistas que debatem segurança pública que defendem, entre muitas outras coisas, que a criminalidade seja combatida de forma eficiente, cotidiana, inteligente, em todos os espaços da cidade.
Que defendem o tráfico de armas - que possibilita a presença de armamento letal em comunidades pobres do Rio e de outros grandes centros - deve ser desmantelado através de especial atenção das forças de inteligência policial, estaduais e federal.
Que defendem também que a presença do Estado em áreas historicamente desassistidas não pode ser uma presença militar, mas uma presença que garanta direitos e serviços públicos de qualidade.
Por que essas perspectivas nunca se refletem em nossas políticas públicas?

Da página oficial do deputado Chico Alencar

nota do blogueiro:

A truculência de muitas ações policiais se tornou rotina no Brasil. O desatino de alguns juízes também.

Mas vale destacar das recentes ocupações e das instalações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que o modelo vem se esgotando. Em um primeiro momento pareceu normalizar a situação de alguns morros na cidade do Rio de Janeiro. Mas houve o desgaste natural.

Em certos casos, os moradores viram o domínio dos traficantes ser trocado pela milícia. Trocaram seis por meia dúzia. Isso, pouco se fala na "grande" mídia.

Mas especificamente no caso da favela da Maré, a decisão judicial extrapola todos os limites do aceitável.

Em momento algum o judiciário brasileiro tomou medidas semelhantes contra bairros chiques, ou condomínios de luxo pelo país afora.

Se um policial se mostra o mais valente do mundo ao derrubar a porta de um barraco na periferia, ele pisa miudinho quando tem que se aproximar do Alphaville (o top dos condomínios de luxo de São Paulo); assim como os amigos de toga dificilmente terão culhões para tomar as mesmas medidas arbitrárias contra estes seletos habitantes.

Vivemos em uma nação em que apenas pobres devem cumprir as leis. Enquanto os ricos e mais ricos se regozijam na impunidade, respaldados por brechas nas leis e pela conivência de integrantes de tribunais. 

Enquanto houver esse abismo (entre o pobre e o rico), não será  possível achar um equilíbrio na nossa sociedade, já tão combalida pelas disparidades feudais.

Nada contra expulsar traficantes e marginais do convívio da comunidade. Mas dois pesos e duas medidas são distorções intoleráveis. Ou os maganos da justiça brasileira querem nos convencer de que há apenas pessoas idôneas nos condomínios de luxo? E que apenas nas periferias há pessoas desonestas? 

Talvez seja o contrário. Só não vê quem não quer. Ações desse tipo ou são oriundas de má-fé, ou de incompetência. Esperemos que seja incompetência.




segunda-feira, 21 de abril de 2014

O CANAL DO ESPORTE




Posso dar um testemunho de como foi importante a implantação do “Canal do Esporte” na Bandeirantes, por Luciano do Valle.

Ele foi o responsável por popularizar os campeonatos europeus (comecei a assistir o Campeonato Italiano, graças ao 'Show do Esporte'); nos apresentou à Fórmula Indy; NBA e o Futebol Americano também, hoje sucesso na TV paga.



Mas acima de tudo fez com que o grande público se familiarizasse com outros esportes, que não o futebol. Ainda na Record, onde ajudou a revitalizar o setor esportivo, mostrou o vôlei como uma segunda opção viável para os brasileiros. Continuou essa empreitada na Band e fez do esporte uma outra paixão nacional. A chamada 'geração de Prata' e a de 'Ouro' foram os resultados diretos dessa ousadia.



Apresentou para o país Paula e Hortência. O basquete, tanto feminino, quanto masculino estavam na agenda do dia. Oscar se tornara um símbolo da modalidade.

O boxe internacional dava frutos, com audiências expressivas. Mike Tyson no auge era sinônimo de bons índices. Luciano resolveu investir nos brasileiros também. Acreditou e muito em Maguila e fez dele um campeão, ainda que de maneira forçada muitas vezes –o boxeador acreditava piamente que poderia superar Tyson; quando teve a chance de alçar voos maiores, caiu muito fácil ante Evander Hollyfield, pondo um fim às suas pretensões. Fez o mesmo com o então lutador baiano Acelino Freitas.



Mostrou que até a sinuca era algo rentável e que poderia cair no gosto popular. Rui Chapéu se tornara referência.

As jornadas esportivas aos domingos apresentavam nomes como Silvia Vinhas, Simone Mello, Elia Júnior; Luciano ousou ao trazer ex jogadores para o posto de comentaristas. Nomes de peso como Tostão, Rivelino e Gérson. Repórteres como Eli Coimbra e José Luiz Datena se destacavam. As transmissões também tinham nomes como o dos narradores Silvio Luiz, Januário de Oliveira e os comentários de Juarez Soares.



Luciano era um empreendedor. Sabia investir nos esportes e fazê-los marcas confiáveis. O futebol feminino viveu dias de bonança sob sua batuta. Ele foi pioneiro também nisso. Pena que a própria CBF não ajudava. 

Conseguiu a proeza de fazer Pelé voltar a jogar em um torneio que levava seu nome e que depois ficou conhecido como Torneio de Masters.

Ele dava uma opção sadia aos domingos modorrentos, recheados de programas de auditórios.

Mas se notabilizou, desde a sua passagem vitoriosa pela Globo, por suas narrações. A emoção era o diferencial. Ao narrar jogos de clubes sim, mas acima de tudo, da seleção brasileira. Seu ufanismo, que se tornou marca registrada da crônica esportiva nacional, era o que contagiava. 



Ele talvez fosse o único narrador que tinha excelência ao transmitir tanto futebol, quanto vôlei, basquete ou automobilismo.

O legado de Luciano do Valle ficou. O Show do Esporte ainda ecoa na TV por assinatura. E suas transmissões nunca serão igualadas. 



quinta-feira, 17 de abril de 2014

UM GRINGO QUE VIU O QUE OS GRINGOS NÃO DEVEM VER




jornalista da Dinamarqua - Mikkel Keldorf Jensen

Impressionante e chocante depoimento de um jornalista dinamarquês...

“Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi Português e estava preparado para voltar”.



Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo.
Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu - um gringo e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.

Em Março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo a noite em área com muitos turistas. Por que? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?

Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada - só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000,00 e uma Master Card no bolso. Incredível.

Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza.

Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da historia em reais e centavos - também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças.
Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil.

Alguém quer dois ingressos para França X Equador no dia 25 de Junho?"


Mikkel Jensen - jornalista independente da Dinamarca e correspondente no Rio de Janeiro




segunda-feira, 14 de abril de 2014

POBRE FUTEBOL BRASILEIRO...




Escândalos, decadência, perda da hegemonia no cenário mundial...Estas são algumas das mazelas que assombram o ex pais do futebol.

Acostumados a contar vantagem sobre a supremacia da seleção canarinho (a única coisa em que o brasileiro era bom), agora os torcedores fanáticos são obrigados a acompanhar a evolução dos adversários –ou o declínio do nosso.



A recente eliminação precoce de três times brasileiros na Taça Libertadores escancarou de vez a decadência plena. Onde já se viu um time mexicano vir ao “maior estádio do mundo”, jogar um futebol bonito e consistente e eliminar o todo poderoso Flamengo? Pois é. Fatos iguais a esses vem acontecendo com mais frequência do que se gostaria de admitir.


Com três eliminados, brasileiros dão vexame histórico na Libertadores


Desde 2002 que a seleção não ganha um título –e mesmo aquela conquista teve ajudinha da arbitragem nas partidas contra a Bélgica e Turquia; inclusive com pênaltis arranjados. Assim como a classificação suada para as Eliminatórias do mesmo torneio, onde incluíram uma combalida Venezuela no caminho do Brasil poder se qualificar, jogando em casa.

Após a vexatória eliminação para a França de Zidane, em 2006, a posição na tabela da Fifa foi ladeira abaixo. Chegando a figurar o time brasileiro fora dos 15 primeiros da lista. 

A recusa do brasileiro, naturalizado espanhol Diego Costa, em vestir a camisa da seleção é apenas mais um sinal que há algo estranho no ar. Quando um jogador recusaria vestir a camisa canarinho, em detrimento a outra? 

Resta a Copa, sendo realizada em solo nacional, para tentar, quem sabe um novo triunfo. Mas não será fácil. Não só pela pressão intensa por jogar em casa, mas também porque boa parte dos atletas do Brasil enfrentam momentos ruins em seus respectivos clubes. Paulinho, Júlio César e os zagueiros titulares.



Todas as fichas estão no dublê de craque Neymar. Sem se firmar no Barcelona, o camisa 10 de Felipão será o principal atleta no torneio. Dará conta da enorme pressão?

Além da seleção estar em xeque, os clubes brasileiros passam por um momento difícil. Os chamados grandes perderam a grandeza, sendo ofuscados pelos times menores e sem o mesmo poderio econômico. Os Campeonatos Estaduais denigrem o já combalido esporte bretão. Torneios em que pouco se salva. Servem como meras pré-temporadas, se tanto.

Em São Paulo, os “pequenos" fizeram a festa. Penapolense, Botafogo e o campeão Ituano foram o destaque do torneio. O trio de ferro naufragou, Santos derrotado na final, em casa. Nada mais diz “incompetência” do que isso. E não foram os times do interior que melhoraram; foram os integrantes do Clube dos Treze que pioraram.


Zebra gigante: Ituano bate Santos nos pênaltis e é campeão paulista


Clubes tem mais dinheiro da Televisão, mas gastam mal. Repatriaram jogadores caros, que consomem muito e produzem pouco. Um Ronaldinho Gaúcho, com salário superior a um milhão por mês, é um contrassenso. Lembrando que praticamente todos os times devem à Receita Federal, ao INSS (não recolhem os encargos há muito tempo) e direitos trabalhistas. E, em vez de se cobrá-los na justiça, o governo criou a TimeMania, para beneficiar os sonegadores. Coisas de Brasil.

Em anos recentes pode-se dizer que o número de torcedores caiu e muito. Em algumas partidas havia parcas dezenas de testemunhas. Um acinte para um futebol tão vitorioso e poderoso.

A audiência também já não é mais a mesma. A emissora oficial pena para obter míseros 13 pontos de Ibope, sendo que em épocas não tão longínquas, os patamares eram de 38 pra cima. É a mesma que subjuga os times e os escraviza com eternos adiantamentos de cotas televisivas, fazendo com que os mesmos fiquem presos, como devedores a um agiota ordinário. 

Houve também nos últimos anos, um número alto de jogadores estrangeiros desembarcando pelas terras tupiniquins. Reflexo da baixa qualidade técnica dos brazucas, outrora bons de bola.



Icasa consegue liminar para jogar a Série A e fala até em 'força policial' para parar o campeonato



O tapetão é algo recorrente no combalido futebol tupiniquim. A máfia do apito, que acabou ajudando o Corinthians a se sagrar campeão em 2005 não foi o primeiro escândalo, nem será o último. E o jogo de cartas marcadas do pseudo tribunal esportivo (STJD) não fica atrás. A última foi a manutenção do Fluminense na 1ª divisão do campeonato brasileiro, em detrimento da Portuguesa, com muito menos influência na CBF. 



Os casos de racismo aumentaram sensivelmente nos campos de futebol. Jogadores (Tinga, Arouca e Marino) e até árbitros sendo insultados e humilhados são fatos que mancham a imagem de um esporte praticado em um país de maioria composta por pretos e pardos. Com os olhos complacentes de cartolas e da própria CBF.


Episódio de racismo durante jogo pode excluir Paraná da Copa do Brasil


A violência se banalizou a tal ponto, que pouco chama atenção da mídia. Cerco a jogadores, invasão de centros de treinamento, agressões e tentativas de assassinatos contra atletas e integrantes de comissão técnica viraram triviais. Sem mencionar as constantes brigas das uniformizadas, muitas vezes entre integrantes da mesma torcida.

Nível técnico baixo das partidas, arbitragens desastrosas, campos parecendo pasto (excetuando-se as novas Arenas), campeonatos inchados (para agradar presidentes de clubes que apoiam os manda-chuvas das federações estaduais) e pouco senso crítico da crônica esportiva. Ah, a crônica esportiva...

Um amontoado de pelegos (há exceções, é claro), chapas brancas, condicionados apenas a enaltecer as coisas positivas e esquecer, convenientemente, o que está acontecendo de errado Brasil afora. Os “pachecos” (alusão a um antigo mascote televisivo da seleção) abandonam o investigativo para ficar com o bajulador. Apenas por aqui que jornalista chama técnico, durante as coletivas de imprensa de “professor”, um claro sinal de há muitos profissionais “cordatos” nas redações. As ligações perigosas com presidentes e federações (CBF, principalmente) é meramente um jogo de aparências. Fazem isso para conseguir a exclusividade nas transmissões esportivas ou pegarem carona nos chamados “voos da alegria”. São pessoas que, metaforicamente, 'matariam os pais para ir ao baile dos órfãos'. E essa relação perversa vem de longa data.

O distinto leitor pagaria a bagatela de 120 reais para assistir o seu time do coração jogar? Bom, muitos pagariam, mas a questão é que, além do valor surreal para os padrões brasileiros, há o fato incontestável de um time jogar até três vezes em um período de 10 dias. Já imaginou? Seriam 360 reais, quase metade de um salário-mínimo; além do transporte, da alimentação, do estacionamento...No frigir dos ovos, passaria de 500 reais.



E vem a Copa. Obras superfaturadas, dinheiro público (em sua maioria), desviados de educação, saúde, saneamento básico para realizar um evento esportivo. Para os que ainda tem dúvidas sobre o custo-benefício do evento é só pesar os fatos. De um lado, a CBF, as empreiteiras, a Fifa, políticos e o Ministério dos Esportes. Do outro, a nação sofrida, desvalida, sustentando o banquete dos outros.


Auditoria indica superfaturamento de R$ 10,7 milhões nos custos do estádio de Brasília



Praticamente tudo o que foi prometido na época da então candidatura brasileira para a Copa, não foi cumprido. O “legado” pouco será sentido, e mesmo assim, apenas depois de meses após a final do torneio; os aeroportos não ficarão prontos a tempo, assim como as vias de acesso, nem o entorno dos estádios. Todos serão entregues às vésperas do evento, irritando Joseph Blatter e cia.

Protestos não serão tolerados, apenas a maior devoção de corpo e alma, a aceitação cega.

De salutar, mesmo, apenas a chegada do Bom Senso FC, com jogadores experientes e com voz ativa em seus clubes, que se juntaram para tentar mudar esse estado de coisas. Lógico que a Confederação Brasileira de Futebol é plenamente contra, assim como a Globo. 

O esporte vitorioso está em franca decadência. O 'status quo' do futebol parece imutável. O mesmo monopólio impera nas transmissões de times e da seleção. A Copa vai ajudar a mascarar a situação do país, como o bom e velho ópio do povo. 

Mas para muitos que vivem em plena letargia, isso pouco incomoda. Desde que a seleção seja campeã...



segunda-feira, 7 de abril de 2014

UMA SUPOSTA ENTREVISTA COM GERALDO ALCKMIN




Sempre tive vontade de entrevistar o governador Geraldo Alckmin. Se conseguisse (ele não teria coragem de responder certas perguntas), eis o que gostaria de questionar:





















































































































































































































































































































































































































quarta-feira, 2 de abril de 2014

A MARCHA DOS INGÊNUOS, SEM DEUS E CONTRA A LIBERDADE



Passado o período conturbado do fim de março, início de abril, quando os ânimos se exaltam pela lembrança do tétrico momento que foi a ditadura militar, cabem algumas reflexões.

50 anos se passaram e algumas pessoas não aprenderam com o tempo. Alegando combater a “invasão comunista”(!!) no Brasil, cidadãos desavisados e mal informados começaram, há alguns meses uma campanha para ressuscitar a malfadada MARCHA DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE. 



O “movimento” ganhou eco, inclusive na mídia corrompida, com pseudojornalistas fazendo campanha descarada pela manifestação.

Resultado: meia dúzia de gatos pingados pelo país afora. No cômputo geral, nem 700 pessoas foram às ruas para demonstrar apoio ao regime militar (1964-1985) e pedir um novo levante.



O que há de errado com essa gente? Alienação ou são apenas idiotas úteis?

A história é cíclica e deveria deixar lições. Mas muitos têm memória curta, daí frases esdrúxulas como: “não havia corrupção naquela época”, “vivia-se melhor” e “a educação era mais valorizada”. Impropérios que acabaram colando em mentes tacanhas e ganhando espaço nas redes sociais, inclusive entre meros adolescentes, que nem sequer haviam nascido quando a ditadura ACABOU.


                         (Marcha da Familia em Recife)

O golpe de 64 sairia de qualquer jeito. Desde que o infiltrado Cabo Anselmo começou a agitar as coisas durante o motim dos marinheiros iniciado em 1961, o plano estava em curso. Meticulosamente preparado para levar os militares ao poder. As posições sociais de Jango eram outro fator que causava ranger de dentes entre os chefes das Forças Armadas brasileiras. O governo americano viu a oportunidade de desbancar Goulart. Deu suporte logístico para que isso fosse instaurado. 

A mídia vendida ao sistema, capitaneada pelo jornal O Globo, vendia a ideia de que teríamos uma ditadura comunista. A simples menção dessa palavra fazia com que a sociedade conservadora tremesse nas bases, mesmo sem saber exatamente o que significava.


                   (Meia dúzia de manifestantes em BH)

Com a imprensa-empresa massificando, a classe média foi as ruas, com o apoio de empresários e da Igreja Católica. Era a demonstração pública que os militares queriam. Isso legitimava o golpe, chamado, de maneira cafajeste, de “revolução”.

O regime que fechou o Congresso, rasgou a Constituição, privou os direitos dos cidadãos, sequestrou, torturou e matou a bel prazer. Somente quando as mortes atingiram a classe média, padres, freiras e jornalistas é que todo mundo percebeu a burrada que cometeu.


                   (16 pessoas em Campo Grande/MS)

E algo de tamanha magnitude seria plausível supor que não poderia voltar à nossa realidade. Mas ainda há um ranço da ditadura que permeia parcela ínfima da população.

A revolta dos conservadores é contra o PT. Supõem, erradamente, que o partido é de esquerda e que quer instaurar o comunismo por aqui. A rebeldia destas pessoas se mostra equivocada. Bastaria um exercício simples de raciocínio lógico para que esse argumento sem nexo fosse refutado. 

Os incautos, geralmente pessoas pretensamente informadas, mas apenas alienadas do mundo que as cercam, olham para o momento da política brasileira e vêem apenas o "vermelho". Que aqui há uma "ditadura comunista" em andamento. Que na América do Sul há ditadores sanguinários que instituíram regimes totalitários, como os de Stálin. Não há o que dizer para estas pessoas para dissuadí-las de tamanho engôdo em que forma levadas a crer; talvez pelo longo período expostos ao mal jornalismo de Veja, Estadão e Globo as fizeram olhar, mas não enxergar. O emburrecimento da chamada classe média é notório. E até por essa ausência de senso crítico, optaram por satanizar o que não entendem. "Narciso acha feio o que não é espelho", como diria Caetano Veloso.

Canalizaram suas frustrações em certos políticos e contra o PT. Não obstante os inúmeros escândalos de corrupção que acometem o partido, mas e quanto aos demais? Só há improbidade no Partido dos Trabalhadores? Isso é prova cabal de ignorância plena. E essa ignorância tem feito pessoas a lamentar o fim do regime militar e a ansiar por um 'revival'. Sério? Essa é a "brilhante" solução? 

Por acaso eles entendem que o golpe militar, por qual tanto anseiam, acabaria com seus direitos? Censuraria a internet? Desrespeitaria os conquistas garantidas na Carta Magna? Coibiria manifestações de qualquer tipo? Expressar opiniões? Nunca mais.

Se acham que determinado governo não está de seu agrado por que não tentar mudar as coisas por via democrática? Podem e devem votar melhor, tentar convencer seus pares a fazer o mesmo, divulgar campanhas, fazer parte de debates públicos e, conseguinte, conscientizar os brasileiros.

Preferem satanizar um partido, em vez de tentar um embate ideológico. Fogem do caminho da democracia para se esconder atrás de uma solução rasteira, que é o golpe contra um governo eleito de maneira legítima. 

Marcha da Família esvaziada no Recife

Marcha da Família reúne nove pessoas em Natal

Quem são os organizadores da nova Marcha da Família com Deus pela Liberdade?

Com 50 participantes em BH, Marcha da Família fracassa ao pedir intervenção militar


Por acaso não sabem estes alienados que não que eleições livres são conquistas e que seriam vilipendiadas em uma eventual tomada de poder à força? 

Se um governo militar fosse a salvação para a sociedade, por que nunca tentaram a via eleitoral? 

A pobreza intelectual dessas pessoas não os faz perceber que a democracia é que lhes dá o direito de ir às ruas protestar contra um governo eleito democraticamente e pedir um golpe de estado. Usam os meios de um mundo livre para implorar por um totalitarismo arcaico.

Acho que foi o jornalista Leonardo Sakamoto que escreveu: "Anos e anos de bombardeio midiático deixam robotizadas as pessoas de mente mais frágil. A desinformação generalizada, as denúncias fabricadas, as mentiras grosseiras como FARC, dinheiro pra Cuba, filho do Lula, somam-se a denúncias políticas sem cabimento e fazem a cabeça dos leitores de manchetes. Ou leitores de débeis mentais como Olavo de Carvalho, como o cidadão da foto. É a criação de um lamentável subproduto, igual ao crack com a cocaína, que faz pessoas babarem, gritarem e pedirem uma ditadura para a sua própria pátria, chicote para o próprio lombo." E não está longe da realidade. um retrato fiel do atual cenário político nacional.

Estes brasileiros podem se revoltar com o estado de coisas em que nos encontramos. Mas de maneira racional, sem saltos, sem atitudes baixas. Nada que levasse a nação a uma guerra civil.



Em 2013, por melhores condições de transporte público, foram às ruas milhões de pessoas. O que aconteceria se as Forças Armadas derrubassem o Executivo, com apoio de setores da sociedade conservadora? Seria um espetáculo dantesco. E as futuras consequências destes “protestos” irresponsáveis é que são ignoradas pelos reacionários de plantão.

A pior das democracias ainda é infinitamente melhor do que um regime totalitário. 

Pelo visto, passado meio século da primeira MARCHA, e algumas pessoas ainda não aprenderam a lição. Quem sabe, daqui a cinquenta anos...