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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O CASO ANA LÍDIA




O caso Ana Lídia refere-se ao assassinato de Ana Lídia Braga, um crime acontecido no Brasil na década de 1970, em plena ditadura militar.



A família de Ana Lídia morava na SQN 405, Bloco O, da Asa Norte em Brasília, no Distrito Federal. Ela tinha sete anos de idade quando a sequestraram do Colégio Madre Carmen Sallés, escola onde foi deixada pelos pais às 13:30 horas do dia 11 de setembro de 1973. A menina foi, posteriormente, torturada, estuprada e morta por asfixia, morte que, segundo os peritos que analisaram seu corpo, teria acontecido na madrugada do dia seguinte. Seu corpo foi encontrado por policiais, em um terreno da UnB, às 13 horas do dia 12 de setembro. Estava semi-enterrado em uma vala, próxima da qual havia marcas de pneus de moto e duas camisinhas, provas que com facilidade poderiam levar os investigadores até os culpados da atrocidade. A menina estava nua, com marcas de cigarro e com os cabelos mal cortados.




Em um momento da história nacional em que a ditadura militar controlava as investigações que lhe diziam respeito, como era de se esperar, não houve muito rigor nas investigações. Digitais não foram procuradas no corpo da menina, as marcas de pneus foram esquecidas e sequer se efetuou análises comparativas do esperma encontrado nas camisinhas com o dos suspeitos. E o que era mais estranho: houve uma grande passividade por parte dos próprios familiares de Ana Lídia.



A força do poder dominante para sufocar a divulgação do assunto pode ser medida por um episódio citado por Jávier Godinho em sua obra "A Imprensa Amordaçada". No dia 20 de maio de 1974 jornais, rádios e estações de televisão do país receberam o seguinte comunicado do Departamento de Polícia Federal:



De ordem superior, fica terminantemente proibida a divulgação através dos meios de comunicação social escrito, falado, televisado, comentários, transcrição, referências e outras matérias sobre caso Ana Lídia e Rosana.
—Polícia Federal

Rosana Pandim se tratava de outra garota desaparecida com 11 anos de idade em Goiânia, no mesmo ano da morte de Ana Lídia. Mas, ao contrário do que aconteceu com a menina de Brasília, o corpo de Rosana jamais foi encontrado.



Depois que se passaram treze anos da execução do crime o processo foi reaberto porque surgiram novidades sobre o assassinato. A repórter Mônica Teixeira, da Vídeo Abril, garantiu ter testemunhas que poderiam provar que o autor do crime era mesmo o filho do ex-Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, e que, apesar de a imprensa ter noticiado que ele havia morrido em um acidente, dois anos depois do crime, Mônica garantiu que ele ainda estava bem vivo no ano de 1985. Mais uma vez fatos estranhos aconteceram: algumas das testemunhas simplesmente morreram após serem intimadas para depor e não foi imediatamente permitida a exumação do corpo, sendo o processo novamente fechado por suposta falta de provas.



Em 1986, após um ano do pedido inicial, a exumação do corpo de Alfredo Buzaid Junior foi autorizada. Porém, por engano ou descuido da polícia, o corpo exumado foi o de Felício Buzaid, avô do acusado, falecido em 1966. Após uma segunda tentativa, um segundo cadáver, supostamente de Alfredo Buzaid Junior, foi entregue ao IML. Por algum motivo não explicado, os dentes do cadáver estavam removidos, impossibilitando o reconhecimento por arcada dentária (não existia o procedimento de testes de DNA na época). Mesmo assim, em julho de 1986, o legista José Antônio Mello declarou que o corpo enterrado era realmente de Alfredo Buzaid Junior.




Até hoje não houve um desfecho para o caso e ninguém foi punido pelos crimes cometidos. Em homenagem à menina, uma região do chamado Parque da Cidade, próximo à entrada do Setor Hoteleiro Sul, em que estão instalados diversos brinquedos para crianças, passou a ser denominado Parque Ana Lídia. Pelas circunstâncias de seu martírio, seu túmulo é um dos mais visitados no cemitério da cidade, sendo cultuada por devotos que acreditam em milagres feitos pela menina, agora considerada uma santa.


Caso Ana Lídia completa 40 anos cercado de mistério e impunidade




sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ARTIFICIAL, SUPERFICIAL...POR QUE O SER HUMANO AGE ASSIM?




Casos como os da modelo/atriz/miss bumbum Andressa Urach não são novidades no tal mundo das celebridades. Mas ainda surpreendem pela forma boçal como algumas pessoas se expõem a risco de morte apenas para aparentar ser o que não são naturalmente.



Brigas contra a idade vem de longa data. Certos seres humanos acham degradante o processo natural de envelhecimento. Mas em vez de aprender com o processo e tirar proveito disso, luta-se desesperadamente e com as piores armas possíveis, em uma batalha desigual, afinal sabemos qual será o final.



As estrelas de Hollywood da primeira metade do século XX tinham a sua disposição poucos aparatos para lutar contra a idade. Exercícios, alimentação e maquiagem. Com o avanço da medicina e tecnologia as táticas mudaram e com elas, aumentou-se o perigo de colocar a própria saúde em risco.
A ex modelo Cláudia Liz que, em 1996, viveu um triste episódio ao ficar em coma após ter complicações em uma cirurgia de lipoaspiração, foi um dos exemplos mais notórios. Sua quase morte poderia ter servido de alerta. Mas não.




No decorrer da década e no início do novo milênio, a superficialidade humana continuou em voga. Especialmente entre as tais “celebridades” --sabe-se lá o que é isso. Mas os 'anônimos' também optam pelo perigo, influenciados pelos artistas fracos da ideia.

Certa vez em seu programa COMANDO DA MADRUGADA, Goulart de Andrade entrevistou um jovem se ele conhecia os riscos de usar anabolizantes. "Sabe que pode ter câncer no fígado?", "Sei", respondeu o rapaz; "sabe que pode ficar impotente?", "sei, sim senhor"; "sabe que pode ter câncer nos testículos?", "também sei"; "então por que está fazendo isso com você?", "estética, senhor". Ou seja, ele queria ficar bonito, forte e broxa. 

Se até os "ídolos culturais" partem para atitudes desesperadas, o que dirá dos pobres súditos? As celebridades endossam uma coisa e os incautos compram a ideia.



A apresentadora mumificada Ana Maria Braga já fez todos os procedimentos estéticos que se tem notícia, no afã de se manter “jovem” (hahahahahahahahahaahaha), desde botox, até lipoaspiração no rosto, outro arriscado artifício para se deter a velhice --em vão, como é possível perceber ao olhar para a cara desfigurada dela.



Em busca de um 'corpo perfeito', vale tudo: botox, lipoaspiração, implantes de silicone (em homens, nas panturrilhas e tórax; nas mulheres, nos seios e bunda) maquiagem definitiva, plástica, cirurgia íntima e, mais recentemente, hidrogel, o que levou Urach a sua situação de coma.



Estranhamente estas pessoas em momento algum buscaram o cérebro perfeito. Ler, se informar, evoluir...Tudo isso dá muito trabalho; então o jeito é buscar o caminho mais rápido, porém tortuoso. A plateia e a mídia (sempre conivente com o que é superficial e frívolo) adoram.





Paulo Autran, o saudoso ator que sabia como ninguém a arte de interpretar, soube envelhecer. Recusava-se a se deixar manipular pelo sistema, a seguir os ditames da moda. Preferiu sempre o caminho mais árduo, porém reconfortante, que é o de vencer pelo talento. Isso, seguindo um “memê” das redes sociais, é para os fortes. Viveu com luz própria sem precisar se expor ao ridículo ou arriscar a vida para se tornar notícia.



O que falta a essa geração de pseudo-artistas é saber a hora de recolher as armas. Não conseguiu, o jeito é tentar de novo. Estudar, tentar se aprimorar, buscar sair do 'lugar comum' é o que deveria nortear os que buscam um lugar ao sol.



Em vez disso temos uma horda de alienados entupindo as clínicas de procedimentos estéticos em busca do “eu ideal”, que nunca será real.



É o ser humano, ladeira abaixo...





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Opressão, Estética e Morte.


A INSUSTENTÁVEL SUPERFICIALIDADE DO SER