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sexta-feira, 26 de julho de 2019

MAIS UMA PRA TURMA DO "NÃO TEMOS BANDIDO DE ESTIMAÇÃO"...








Então deixa eu ver se entendi. 

Mês passado foram postadas no Intercept conversas privadas entre Moro, Dalagnol e outras figuras ilustres da Lava Jato. Embora Moro tenha afirmado que as conversas não tinham "nada de mais" (https://www1.folha.uol.com.br/…/nao-vi-nada-demais-diz-moro…), ficou preocupado com a possibilidade dos celulares dos envolvidos terem sido hackeados. O hackeamento teria se dado através do Telegram, aplicativo que já chegou a oferecer o valor de mais de 1 milhão de reais pra qualquer um que conseguisse quebrar sua criptografia (https://extra.globo.com/…/telegram-ja-ofereceu-11-milhao-pa…) - vale lembrar que o Telegram já havia sido banido da Rússia por se negar a repassar dados ao governo russo, o que mostra que sua criptografia é complexa demais até mesmo pro serviço secreto do Putin (https://www.nexojornal.com.br/…/Por-que-o-Telegram-foi-bloq…). 
Apesar da preocupação, nenhum dos envolvidos nas conversas vazadas topou entregar seus celulares à Polícia Federal, o que não apenas ajudaria a rastrear o hacker como também poderia mostrar que as mensagens expostas haviam sido forjadas (https://revistaforum.com.br/vaza-jato-nenhum-dos-procurado…/). 
A certa altura, chegou-se à conclusão de que o culpado pelos vazamentos era o hacker mais procurado do mundo, o russo Evgeniy Mikhailovich Bogachev, também conhecido como Slavic, e que ele teria recebido US$308 mil em bitcoins do Glenn Greenwald pelo serviço (https://moneytimes.com.br/suposto-hack-no-computador-de-gl…/). 
Porém, ontem, mesmo sem a cooperação das pessoas que tiveram seus celulares hackeados, a PF descobriu que o hacker não era russo, mas morava em Araraquara (https://politica.estadao.com.br/…/pf-caca-hacker-que-invad…/). 
Conhecido como Vermelho (vermelho = comunista, entenderam?), o hacker de Araraquara passou os últimos 8 anos inativo no Twitter, até que, pouco depois de começarem as matérias do Intercept, ele convenientemente voltou a twittar uma série de mensagens em apoio ao trabalho de Greenwald (https://www.metropoles.com/…/suspeito-de-hackear-moro-volto…). 
Além de ser o hacker menos precavido da História - seus perfis digitais possuem todas as informações que a PF precisaria pra apanhá-lo - Vermelho - que é filiado ao DEM, partido aliado do governo Bolsonaro (https://www.diariodocentrodomundo.com.br/hacker-preso-pela…/) - não apenas confessou imediatamente os crimes, como também revelou que as mensagens foram forjadas. Ou seja, o cidadão teve todo o trabalho pra quebrar a criptografia do Telegram não para roubar conversas reais, mas para inventar conversas que não têm "nada de mais" e que ele poderia ter inventado sem precisar invadir o celular de ninguém. 
Mesmo tendo conseguido invadir o Telegram, ele não quis o 1 milhão que a empresa pagaria a quem realizasse tal proeza, preferindo lucrar com a venda para o PT das conversas forjadas com conteúdo "nada de mais" (https://noticias.uol.com.br/…/advogado-do-dj-preso-hacker-q…). No entanto, agora descobriu-se que, embora o rapaz estivesse em Araraquara, os tweets de Vermelho vinham sendo postados de... Brasília! (https://www.diariodocentrodomundo.com.br/…/tuites-do-hacke…/). 
Nesse momento, o advogado de Vermelho está alegando que o rapaz tem problemas psiquiátricos (https://g1.globo.com/…/defesa-diz-que-preso-suspeito-de-hac…), o que pode levar à sua absolvição. Tipo o Adélio, sabe? (https://www.correiodoestado.com.br/…/sem-visitas-ad…/357359/)





Rapaz, e a gente achando que os roteiristas dos filmes dos Transformers é que subestimavam a inteligência do público...






Marcelo Marchi




domingo, 7 de abril de 2019

Sempre que encontrar com uma mulher antifeminista..




  Mostre os desenhos, talvez seja uma forma dela entender!!

 
Parabéns @helodangeloarte


































































terça-feira, 1 de janeiro de 2019

BRASIL: ANO ZERO






   Pra quem tinha dúvidas sobre o nível intelectual dos brasileiros (eleito mais uma vez como um dos três mais ignorantes do mundo), eis que o ano de 2019 começou com o infame Jair Bolsonaro como presidente.




   Com apoio de boa parte da mídia, de setores conservadores, ultra-radicais de direita e o grosso do empresariado (que enxerga nele alguém fácil de se manipular e alinhado com projetos de tomada de direitos dos trabalhadores), Bolsonaro chega à presidência com a chance de ser uma clara decepção em âmbito social --ele um admirador confesso do estado mínimo.




   Seus preconceitos, sua visão limitada de mundo, sua ausência total de projeto para a nação não foram suficientes para impedi-lo de chegar ao cargo máximo do país. Seus eleitores mais ferrenhos --os idiotas que o chamam de "mito" -- parecem tranquilos com tudo isso. Talvez porque pensar seja algo raro para essas pessoas.


 


   Agora, iniciando seu "governo" com um ministério apinhado de pessoas com processos dos mais variados na justiça (incluindo ele e os filhos no imbróglio do motorista)e com uma infinidade de militares alocados em gabinetes, desprezado por boa parte dos líderes mundiais, motivo de chacota mundo afora por suas constantes gafes, Bozo, como é sarcasticamente chamado nas redes sociais, tem a difícil missão de unir o Brasil, governar de maneira inteligente e fazer com que essa crise, que começou no governo Dilma e se agravou durante a gestão Temer, chegue ao fim. Algo que parece muito aquém de sua parca tenacidade.





   O que é claro: teremos dias difíceis. Os direitos serão gradativamente subtraídos (menos dos parças militares, juízes, ruralistas, pastores, empresários e políticos). Os pobres continuarão a sofrer mais e mais os efeitos dos desmandos de um governo de extrema direita, a classe média continuará a pagar a conta (sem reclamar, já que o importante era tirar o PT, o resto que se foda) e o que era para ser o país do futuro se tornará uma volta à idade média. Com direito a aplausos dos doadores de cérebro que insistem em chamar um homem racista, homofóbico, misógino, ignorante e com viés ditatorial de "mito". Parabéns aos envolvidos..





terça-feira, 3 de abril de 2018

VIOLAÇÕES ISRAELENSES CONTRA AS MULHERES PALESTINAS







As mulheres palestinas são um símbolo de resistência. Elas estão entre as mais vulneráveis à ocupação colonial israelense, o principal obstáculo para a realização de seus direitos. Elas estão sujeitas a práticas ilegais e inúmeras violações diariamente, tais como assassinatos e danos extrajudiciais, demolição de casas, confisco de terras, deslocamento forçado, prisão, detenção administrativa arbitrária e discriminação em quase todos os aspectos da vida cotidiana;



As mulheres palestinas sofrem violência direta ou indiretamente e a negação de direitos humanos básicos por soldados e colonos israelenses no Estado palestino ocupado, em violação do direito internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário. A violência cometida pela ocupação israelense inclui assassinatos extrajudiciais, confinamento arbitrário, assédio, demolição de residências e destruição de propriedades, forçando mulheres grávidas a darem nascimento em pontos de controle militares ilegais e separando famílias palestinas;



O período entre setembro de 2015 e novembro de 2017, um total de 370 mulheres e meninas palestinas foram presas pelas forças de ocupação israelenses, portanto, de acordo com as estatísticas de novembro de 2017, 52 meninas e mulheres ainda estão detidos arbitrariamente nas prisões israelenses sem nenhum apoio legal. As mulheres prisioneiras muitas vezes sofrem severas condições de prisão e estão sujeitas a várias formas de tortura ou maus-tratos, incluindo pancadas, assédio sexual direto e abuso psicológico. As mulheres também sofrem com as prisões de homens. Estima-se que cerca de 850 mil palestinos foram arbitrariamente presos por Israel, a força de ocupação, desde 1967;






De acordo com as estatísticas da Administração Pública para pessoas com deficiência na Faixa de Gaza, um número total de 291 mulheres palestinas sofrem de incapacidades permanentes como resultado dos contínuos ataques na Faixa de Gaza e da violência israelense cometida contra eles ;



O acesso à educação na Palestina é muito afetado por violações sistemáticas na ocupação israelense. As violações generalizadas incluem a demolição de lares, o deslocamento forçado, a restrição arbitrária e discriminatória dos movimentos, a destruição de escolas, incluindo as escolas da UNRWA, e a incapacidade de reparar e construir seus edifícios na Faixa de Gaza devido ao bloqueio. Jerusalém Oriental, anexada ilegalmente, também sofre de uma grave escassez de escolas devido a restrições israelenses sobre edifícios permitidos e um sistema de planejamento discriminatório;



A fraca participação econômica das mulheres resulta principalmente das políticas e violações da ocupação israelense, destruindo o desenvolvimento palestino e a economia. As práticas ilegais, como a expansão dos assentamentos ilegais, a construção do muro de anexação, a formação de centenas de pontos de controle militares, os fechamentos e as agressões e bloqueios contra a Faixa de Gaza são a principal razão para violar e dissuadir o direito ao trabalho das mulheres palestinas, entre outros;



O bloqueio da Faixa de Gaza deixou uma situação socioeconômica e humanitária crítica para os residentes palestinos ali, particularmente as mulheres. Existe acesso limitado a água, casas, terrenos e propriedades, especialmente para viúvas, bem como oportunidades de emprego, ensino superior e cuidados de saúde. As restrições israelenses ao movimento e ao transporte de materiais de construção para Gaza, bem como a falta de doações, impediram a reconstrução de 17.800 lares severamente afetados ou destruídos durante a operação militar israelense de 2014 em Gaza. Cerca de 65 mil pessoas que perderam suas casas permanecem deslocadas;



Israel, o poder ocupante, deve ser responsabilizado por cometer crimes sistemáticos, além disso, a comunidade internacional deve pressionar Israel a parar suas violações ilegais contra as mulheres palestinas e cumprir as leis e regulamentos internacionais;



Israel, o poder ocupante, impede a entrada do Relator Especial sobre Violência contra a Mulher, o Grupo de Trabalho sobre Discriminação Contra as Mulheres e outras entidades internacionais ao Estado Palestino Ocupado para monitorar as violações israelenses dos direitos das mulheres. Mulheres palestinas;



O Estado da Palestina enviou comunicações ao Gabinete do Procurador do Tribunal Penal Internacional sobre os crimes cometidos pelas forças de ocupação israelenses e pelos colonos contra as mulheres palestinas. Além disso, as conclusões expeditas do exame preliminar e a abertura de uma investigação pelo Ministério Público contribuirão diretamente para a prevenção da violência contra as mulheres e impedirão os perpetradores de tais violações;



A comunidade internacional deve respeitar e garantir os padrões internacionais de Direitos Humanos, Direito Internacional Humanitário, a Quarta Convenção de Genebra, bem como as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Assembléia Geral da ONU e o Conselho de Direitos. Os seres humanos, que condenam as violações dos direitos humanos cometidas pelas forças de ocupação israelenses e os colonos contra os palestinos, devem tomar medidas sérias contra tais violações. Além disso, a comunidade internacional e suas instituições devem cumprir suas responsabilidades na proteção das mulheres em tempo de guerra e dar mais reconhecimento ao caso das mulheres palestinas.


  fonte:
Estado da Palestina
Ministério dos Negócios Estrangeiros e Expatriados
Setor de Relações Multilaterais





segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

AS ESTRATÉGIAS DOS EUA PARA DESESTABILIZAR UMA NAÇÃO




O texto abaixo foi escrito por um dos criadores da CIA, sobre a estratégia que se aplicaria contra a União Soviética.


Allen W. Dulles: "Os Estados Unidos pussuem 50% da riqueza do mundo, mas apenas 6% da sua população... Em tais condições, é impossível evitar que as pessoas nos invejem. Nossa autêntica tarefa consiste em manter esta posição de disparidade sem detrimento de nossa segurança nacional. Para conseguir-lo, teremos que desprender-nos de sentimentalismos e tolices. Temos que deixar de objetivos vagos e pouco realistas como os direitos humanos, a melhoria dos níveis de vida e a democratização."



"Logo chegará o dia em que teremos de trabalhar com conceitos diretos de poder. Quanto menos bobeiras idealistas dificultem nossa tarefa, melhor será..."


"Semeando o caos na União Soviética, sem que seja percebido, substituiremos seus valores por outros falsos e lhes obrigaremos a crer neles. Encontraremos nossos aliados e correligionários na própria Rússia. Episódio após episódio será representada por suas proporções uma grandiosa tragédia, a da morte do mais irredutível povo na terra, a tragédia da definitiva e irreversível extinção de sua autoconsciência."


Da literatura e da arte, por exemplo, faremos desaparecer sua carga social. Desabituaremos aos artistas, lhes despojaremos da vontade de dedicarem-se à arte, à investigação dos processos que se desenvolvem no interior da sociedade. A literatura, o cinema, e o teatro, deverão refletir e enaltecer os mais baixos sentimentos humanos".


"Apoiaremos e daremos destaque por todos os meios aos denominados artistas, que começarão a semear e encucar na consciência humana o culto do sexo, da violência, o sadismo, a traição. Em uma palavra: qualquer tipo de imoralidade."


"Na direção do Estado, criaremos o caos e a confusão. De uma maneira imperceptível, mas ativa e constante, propiciaremos o despotismo dos funcionários, o suborno, a corrupção, a falta de princípios. A honradez e a honestidade serão ridicularizadas como desnecessárias e convertidas em um vestígio do passado. O descaramento, a insolência, o engano, a mentira, o alcoolismo, a drogadição e o medo irracional entre semelhantes."


..."Graças ao seu diversificado sistema propagandístico, os Estados Unidos devem impor sua visão, estilo de vida e interesses particulares ao resto do mundo, em um contexto internacional onde nossas grandes corporações multinacionais contarão sempre com a implantação imediata das forças armadas, em qualquer zona, sem que lhe assista a nenhum dos países agredidos o direito nacional a defender-se."


"A traição, o nacionalismo, a inimizade entre os povos, e acima de tudo o ódio ao povo russo, tudo isto é o que vamos cultivar habilmente até que rebente como o botão de uma flor."


"Somente uns poucos conseguirão suspeitar e inclusive compreender o que realmente sucede. Porém a estas pessoas lhes situaremos em uma posição de desamparo, ridicularizando-lhes, encontrando a maneira de lhes caluniar, desacreditar e apontar-lhes como párias da sociedade."


"Nossa principal aposta será a juventude. Nós a corromperemos, desmoralizaremos e pervertiremos."


"Devemos conseguir que os agredidos nos recebam com os braços abertos, mas estamos falando de ciência, de uma ciência para ganhar em um novo cenário a mente dos homens. Antes que os porta-aviões e os mísseis, chegam os símbolos, os que vendermos como universais, glamourosos, modernos, arautos da eterna juventude e a felicidade ilimitada."


"O objetivo final da estratégia em escala planetária, é derrotar no terreno das idéias as alternativas ao nosso domínio, mediante o deslumbramento e a persuasão, a manipulação do inconsciente, a usurpação do imaginário coletivo e a recolonização das utopias redentoras e libertárias, para obter um produto paradóxico e inquietante: que as vítimas cheguem a compreender e compartilhar a lógica dos seus verdugos".


Allen Dulles foi um oficial de alto escalão da Oficina de Serviços Estratégicos, OSS, organismo antecessor da Agência Central de Inteligência, CIA, e esteve presente na criação desta última onde serviu oito dos seus dez anos como diretor, até que em 1961 depois do fracasso da invasão a Cuba pela Baía dos Porcos, organizada pela CIA, foi destituído pelo presidente J. F. Kennedy, porque assegurou ao presidente que o povo cubano estava esperando os mercenários com os braços abertos, e a realidade demonstrou que os cubanos defenderam sua soberania com toda a coragem e em apenas 67 horas derrotaram os invasores.




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Lutar é preciso









Esse foto de James Meredith sendo baleado por um atirador de elite chamado Aubrey James Norvell valeu um Prêmio Pultizer.



James Meredith foi o primeiro afro-americano a se formar pela Universidade do Mississippi. A Universidade proibia a entrada de negros, mas uma decisão da Suprema Corte dos EUA havia proibido a segregação em escolas que recebessem verbas públicas. Mas Meredith e a equipe legal da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People, ou "Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor") sabiam que não basta mudar a lei, é preciso forçar a sua aplicação. Em 1961, Meredith tentou se matricular duas vezes na Universidade do Mississippi, sem sucesso, apesar de suas ótimas notas. O advogado contratado em seu nome pela NAACP, recorreu à Justiça alegando práticas segregacionistas, e o caso chegou à Suprema Corte.
O governador do Mississippi, Ross Barnett, estava disposto a impedir Meredith de se matricular, inclusive patrocinando um projeto de lei na assembléia legislativa do Mississippi feita sob encomenda para barrá-lo, mas o Ministro da Justiça dos EUA, Robert Kennedy, interveio com Barnett para impedi-lo de mudar a lei, que proibiria pessoas condenadas pelo Código Penal de Mississippi de entrarem em escolas estaduais (Meredith havia sido condenado por ser negro e pedir registro de eleitor, o que era proibido no Mississippi).



A Suprema Corte decidiu a favor de Meredith e no dia primeiro de outubro de 1962, ele fez História e entrou para a Universidade do Mississippi. Os brancos locais fizeram uma insurgência e o Presidente da República John F. Kennedy enviou 500 homens do Serviço Federal para conter a revolta, e para reforços chamou a Guarda Nacional, a Polícia do Exército, o 503o. Batalhão da Polícia Militar e a Patrulha da Fronteira. Duas pessoas morreram--inclusive um jornalista francês--e 160 agentes federais e 40 soldados e membros da Guarda Nacional foram feridos.



James Meredith superou o racismo dos colegas de universidade e se formou em ciência política. Aprofundou os estudos na Universidade de Ibadan na Nigéria. Voltou aos EUA em 1965 para participar do movimento pela aplicação da Lei do Direito ao Voto, daquele mesmo ano. No dia seis de junho de 1966, ele começou uma marcha solitária de Memphis, no Tennessee, para Jackson, no Mississippi, anunciando que pretendia se registrar como eleitor, como a nova lei permitia. Eram mais de 220 milhas que ele pretendia percorrer a pé para chamar a atenção da comunidade afro-americana e encorajá-la a enfrentar as ameaças-- inclusive de morte-- que sofriam toda vez que tentavam se registrar como eleitores. A certa altura da marcha ele próprio levou um tiro de Aubrey James Norvell. A sua agonia, registrada nas lentes de Jack R. Thornell numa foto que lhe valeria o Pulitzer no ano seguinte, ganhou as manchetes de todo o país e imediatamente a SCLC (Southern Christian Leadership Conference, ou "Conferência de Lideranças dos Cristãos do Sul") de Martin Luther King Jr. e a SNCC (Student Non-Violent Coordination Committee, ou "Comitê Não-Violento de Coordenação Estudantil) de Stokely Carmichael, bem como o Human Rights Medical Committee ("Comitê Médico de Direitos Humanos"), Cleveland Sellers e Floyd McKissick se juntaram à marcha para terminar o trajeto que Meredith começou. Com o tempo, pessoas de todo o país, negras e brancas, se juntaram à marcha, que ficou conhecida como Marcha Contra o Medo.



A Marcha Contra o Medo enfrentou vários obstáculos. Alimentados por mutirões e dormindo em acampamentos, seus integrantes ganharam as páginas dos jornais e viraram notícia internacional. Carmichael chegou a ser preso em 16 de junho, em Greenwood no Mississippi, por supostamente invadir propriedade pública; após algumas horas na cadeia ele voltou à marcha, que havia parado para fazer um comício, e nele fez seu célebre discurso "Black Power", que popularizou a expressão. Em Canton, no Mississippi, a polícia estadual atacou a marcha, inclusive com gás lacrimogênio, deixando dezenas de feridos, um em estado grave. Os feridos foram acolhidos pelas freiras de uma escola católica nos arredores.



James Meredith sobreviveu ao tiro e, como se não bastasse, recebeu alta do hospital a tempo de se juntar à Marcha Contra o Medo na véspera de sua chegada a Jackson, no dia 25 de junho. Naquela altura, a marcha já contava com 15 mil manifestantes. Eles foram recebidos por um show gratuito de James Brown. Pelo menos quatro mil eleitores negros do Mississippi foram direto da marcha para obter seu registro eleitoral.




James Meredith ainda está vivo e tem 83 anos. Um personagem feito de carne e osso e coragem o bastante para dar a cara à tapa e enfrentar o racismo. No processo, reuniu ao seu redor as forças sociais que fizeram dele o epicentro de dois episódios históricos na luta contra o racismo. Hoje, há uma estátua em sua homenagem na Universidade do Mississippi. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

As semelhanças entre 1964 e o atual momento do Brasil




Em 1964, o presidente João Goulart foi deposto acusado de querer implementar o comunismo. O motivo eram as chamadas Reformas de Base. Todos já escutaram falar delas. Mas vc sabe o que elas significavam na prática? Abaixo uma explicação rápida sobre cada uma delas. Deixei a Reforma Agrária de fora, por ser a mais polêmica, para discutir melhor num post futuro.



Reforma Eleitoral tinha a difícil tarefa de aprofundar a democracia e o sistema representativo. O Brasil contava, nessa época, 80 milhões de habitantes, sendo que apenas 15 milhões eram eleitores. Essa desproporção fazia com que o Congresso Nacional não refletisse a composição social brasileira. Os parlamentares, em sua maioria fazendeiros e empresários, não votariam as reformas que contrariavam seus interesses. O objetivo da Reforma eleitoral era, portanto, aumentar a participação política do homem pobre e ampliar os direitos políticos, principalmente dos analfabetos.



Reforma Administrada pretendia modernizar a gestão pública. Segundo seus defensores, a emancipação econômica da nação seria realizada pelo fortalecimento do poder público. A iniciativa privada não teria recursos para resolver os problemas crônicos do país. A Reforma Administrativa, então, propunha a criação de superintendências especializadas, como, por exemplo, Superintendência de Urbanização e Saneamento (Sursan) e a Superintendência da Reforma Agrária (Supra), para cuidar dessas questões.






A Reforma Tributária. Se o Estado seria o principal investidor, naturalmente seria preciso mais recursos. O governo estava incorrendo em seguidos déficits fiscais e atingira o limite. O sistema tributário brasileiro era regressivo, ou seja, taxava muito o consumo e pouco a renda. Os encargos acabavam caindo nas costas dos trabalhadores pobres. Esse modelo, no fim das contas, acabava por aumentar as disparidades sociais. A Reforma Tributária pretendia, portanto, combater a sonegação, aumentar os impostos diretos (sobre os lucros e a renda) e desonerar os impostos indiretos (sobre o consumo). Esse deslocando permitira um sistema tributário progressivo, que agisse no sentido de atenuar as desigualdades sociais.



A Reforma Urbana era resultado de uma constatação: as cidades estavam crescendo de forma desordenada. Havia segundo dados da época, 40.000 imóveis desocupados para fins meramente especulativos. A especulação imobiliária, além de aumentar a miséria e o número de pessoas sem habitação, agia no sentido de estimular a inflação. A Reforma Urbana, portanto, seria a Reforma Agrária da cidade. Em ambos os casos, o objetivo era democratizar o acesso à propriedade.
A Reforma Bancária permitira o investimento privado, o capital nacional. Ora, se o objetivo da distribuição de renda era expandir o mercado para estimular a demanda e o investimento,



Reforma Bancária teria a função de unir essas duas pontas, ou seja, ela permitiria o investimento privado a uma taxa de juros compatíveis com a capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimos, como forma de suprir o aumento da demanda por bens de consumo. Gerando mais empregos, mais renda, mais consumo e mais investimentos.



Reforma Cambial. Um dos problemas apontados pelo pensamento estruturalista era a chamada deterioração dos termos de troca. Os países atrasados, subdesenvolvidos, exportariam matéria prima, que tenderiam a perder valor, em troca de produtos manufaturados, que tenderiam a valorização.
A queda acentuada do preço do café parecia corroborar essa tese. A Reforma Cambial visava controlar o valor da moeda nacional, de modo a dificultar a importação de bens supérfluos e canalizar esse capital para o investimento produtivo.




Reforma Universitária. Seria a responsável por modernizar o ensino superior. Segundo Corbisier, enquanto os advogados “floresciam como cogumelos”, faltavam profissionais capacitados em outras áreas essenciais para o crescimento econômico, como a engenharia. O motivo, segundo o mesmo autor, é que o ensino tradicional buscava formar homens que conhecem de “leis” e, desse modo, seriam manipulados por um pequeno grupo e passariam a defender a “propriedade e os interesses dos privilegiados” (CORBISIER, pg 168, 2006). Interessante que o autor cita a carência no ensino básico, porém, não propõe nenhuma solução, focando apenas no ensino superior.