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segunda-feira, 21 de abril de 2014

O CANAL DO ESPORTE




Posso dar um testemunho de como foi importante a implantação do “Canal do Esporte” na Bandeirantes, por Luciano do Valle.

Ele foi o responsável por popularizar os campeonatos europeus (comecei a assistir o Campeonato Italiano, graças ao 'Show do Esporte'); nos apresentou à Fórmula Indy; NBA e o Futebol Americano também, hoje sucesso na TV paga.



Mas acima de tudo fez com que o grande público se familiarizasse com outros esportes, que não o futebol. Ainda na Record, onde ajudou a revitalizar o setor esportivo, mostrou o vôlei como uma segunda opção viável para os brasileiros. Continuou essa empreitada na Band e fez do esporte uma outra paixão nacional. A chamada 'geração de Prata' e a de 'Ouro' foram os resultados diretos dessa ousadia.



Apresentou para o país Paula e Hortência. O basquete, tanto feminino, quanto masculino estavam na agenda do dia. Oscar se tornara um símbolo da modalidade.

O boxe internacional dava frutos, com audiências expressivas. Mike Tyson no auge era sinônimo de bons índices. Luciano resolveu investir nos brasileiros também. Acreditou e muito em Maguila e fez dele um campeão, ainda que de maneira forçada muitas vezes –o boxeador acreditava piamente que poderia superar Tyson; quando teve a chance de alçar voos maiores, caiu muito fácil ante Evander Hollyfield, pondo um fim às suas pretensões. Fez o mesmo com o então lutador baiano Acelino Freitas.



Mostrou que até a sinuca era algo rentável e que poderia cair no gosto popular. Rui Chapéu se tornara referência.

As jornadas esportivas aos domingos apresentavam nomes como Silvia Vinhas, Simone Mello, Elia Júnior; Luciano ousou ao trazer ex jogadores para o posto de comentaristas. Nomes de peso como Tostão, Rivelino e Gérson. Repórteres como Eli Coimbra e José Luiz Datena se destacavam. As transmissões também tinham nomes como o dos narradores Silvio Luiz, Januário de Oliveira e os comentários de Juarez Soares.



Luciano era um empreendedor. Sabia investir nos esportes e fazê-los marcas confiáveis. O futebol feminino viveu dias de bonança sob sua batuta. Ele foi pioneiro também nisso. Pena que a própria CBF não ajudava. 

Conseguiu a proeza de fazer Pelé voltar a jogar em um torneio que levava seu nome e que depois ficou conhecido como Torneio de Masters.

Ele dava uma opção sadia aos domingos modorrentos, recheados de programas de auditórios.

Mas se notabilizou, desde a sua passagem vitoriosa pela Globo, por suas narrações. A emoção era o diferencial. Ao narrar jogos de clubes sim, mas acima de tudo, da seleção brasileira. Seu ufanismo, que se tornou marca registrada da crônica esportiva nacional, era o que contagiava. 



Ele talvez fosse o único narrador que tinha excelência ao transmitir tanto futebol, quanto vôlei, basquete ou automobilismo.

O legado de Luciano do Valle ficou. O Show do Esporte ainda ecoa na TV por assinatura. E suas transmissões nunca serão igualadas. 



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