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terça-feira, 4 de setembro de 2012

ARQUIVO BRASIL






Luís Edmundo Araújo e Juliana Lopes - Eleições - 2002

Na noite da segunda-feira 14, o programa do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, mostrou a atriz Regina Duarte afirmando ter medo de uma possível vitória do PT nas eleições do domingo 27. Mais do que um simples apoio ao tucano, o depoimento de Regina provocou reações imediatas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de Lula e de artistas que apóiam o petista. As palavras da atriz, um dos ícones da televisão brasileira, geraram uma divisão inédita na história da participação da classe em eleições presidenciais no País. Afinal, em 1989, o apoio a Lula contra Collor foi tão maciço que as dissidentes Cláudia Raia e Marília Pêra ficaram marcadas pelo fato. Em 1994 e 1998, a larga vantagem de Fernando Henrique Cardoso esfriou qualquer clima de disputa.

A primeira reação contrária veio da CUT, que no dia seguinte emitiu nota criticando a fala da atriz. Em seguida, Lula, num comício em Aracaju, endossou as críticas: “Possivelmente ela tem medo das novas atrizes da Globo”, disse ele. Na quarta-feira 16, foi a vez de Paloma Duarte, colega de Regina, ir à tevê para defender o PT. “Procurei o pessoal do Lula para dizer o quanto estou chocada com o uso do terrorismo, com o uso do medo na campanha”, afirmou. Logo, a atriz tucana ganhou o apoio de outros simpatizantes de Serra, que acusaram os eleitores do PT de fazer patrulhamento ideológico. “É patrulhamento, sim. A Regina expressou o sentimento de uma parcela significativa da população que não tem condições de veicular sua opinião. Eles (os petistas) fazem esse tipo de patrulha contra qualquer um que pense diferente”, afirma o ator Carlos Vereza, eleitor de Serra.

O ator Raul Cortez, que em agosto fez um jantar para 300 artistas em apoio a Serra, também saiu em defesa de Regina e soltou farpas contra o petista. “Ela ajudou a desmistificar essa coisa do paz e amor, de pessoas que, em seis meses, desdizem tudo o que falavam antes”, alfinetou. Indignada com as reações contrárias a Regina, a veterana Beatriz Segall entrou na guerra dos depoimentos e gravou uma participação veiculada na sexta-feira 18. “Não ficarei admirada se tivermos dificuldades para dizer o que pensamos num governo do Lula”, diz a atriz. A campanha de José Serra divulgou uma nota criticando a CUT por chamar Regina de terrorista.



Para o presidente da CUT, João Felício, a intenção do PSDB com isso é desqualificar a opinião dos trabalhadores. “Isso é preconceito da elite. Jamais questionamos a opinião de Regina Duarte, mas falar daquele jeito é estratégia de marqueteiro”, afirma o presidente da maior central sindical do País, com 3,2 mil sindicatos filiados. O fato é que os petistas, acusados de patrulhamento, trataram de amenizar o tom no final da semana. “Se nós achamos que ela está errada, não podemos combater um erro com mais erro. Democracia não existe só para o adulador. Devagar com o andor”, disse o deputado Paulo Delgado (PT-MG), seguido no comentário por Antonio Grassi, secretário de Cultura do Rio, e pelo senador petista eleito Cristóvam Buarque.


da página do Facebook - 'Cala a boca Jornalista

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