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domingo, 2 de dezembro de 2012

O Militar que Sabia Demais









































Do Revolucionários Eternamente (Facebook)


Ubiratan Pereira de Oliveira tem 88 anos e quando jovem foi primeiro sargento da Aeronáutica. Seu nome não é conhecido nem aparece nos livros de História, mas ele foi um dos tantos brasileiros que, há 50 anos, participaram dos acontecimentos de uma época marcada por tentativas de golpes e contragolpes. Na última quarta-feira, ele ganhou o reconhecimento oficial, por meio de pedido de desculpas da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e uma reparação econômica pela perseguição que sofreria nos anos seguintes.

Em 1961, dois anos e meio antes do golpe de 1964, militares que se opunham a Jango já haviam tentado impedir sua posse. Em 25 de agosto daquele ano, sete meses depois de se tornar presidente do Brasil, Jânio Quadros renunciou. O cargo caberia ao então vice-presidente João Goulart, que estava em viagem oficial à China. A solução negociada com os militares foi a opção pelo parlamentarismo: Jango se tornou presidente, mas teve suas atribuições esvaziadas.

Mesmo com menos poderes que os presidentes anteriores, a posse de Jango só foi possível graças à atuação do seu cunhado e aliado, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. É nesse ponto da história que entra Ubiratan.
Em 1961, com o objetivo de evitar o golpe, Brizola lançou a Cadeia da Legalidade e ganhou apoio do IIIº Exército, sediado no Rio Grande do Sul. Por outro lado, na Aeronáutica, a situação era diferente. Foi planejado um bombardeio ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, para calar Brizola.
- No ano de 1961, um ministro da Aeronáutica determinou ao comando da base que fizesse Brizola calar e que, se precisasse, usasse até bombas. Foi então planejado um ataque ao Palácio Piratini - disse o próprio Ubiratan, em depoimento que prestou à Comissão de Anistia.

O primeiro sargento trabalhava na época no quartel general de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, e era responsável por cuidar das aeronaves do local. Caberia a ele deixar o avião pronto, com duas bombas e metralhadoras armadas. O ataque, porém, foi sabotado por um grupo de suboficiais e sargentos, que esvaziaram os pneus do avião e descarregaram as armas.

Ubiratan não delatou os colegas e, em 1964, quando finalmente o golpe foi vitorioso e derrubou Jango, ficou preso e incomunicável por 15 dias. Em 1972 foi reformado por doença e nunca foi promovido, por ter sido acusado de atividades subversivas. O fato de ter curso de suboficial não teve nenhum peso nessa hora.

Na última quarta, veio a reparação. A Comissão de Anistia promoveu o suboficial e concedeu uma pensão de R$ 7.757,10 mensais, além de R$ 397.808,00 mil retroativos.

- A promoção de Ubiratan é o mais importante para nós, porque mesmo tendo o direito, e recorrendo, tendo feito o curso de suboficial, esse direito foi negado a ele todo esse tempo e agora ele vai poder ter - afirmou na quarta a vice-presidente da Comissão de Anistia, Sueli Belato.


Fonte: Jornal O Globo




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