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sábado, 22 de dezembro de 2012

A FARSA DE UM PSEUDO ARTISTA



do YAHOO!
Por Dafne Sampaio


Tenho uma dívida eterna com Timpin Pinto, afinal ele é (com certeza é) o cara que mais conhece a verdadeira música popular brasileira do século 21. E não é a tal "curiosidade antropológica", pois o cara gosta profundamente de tudo que ouve (e isso vale também pro que não gosta). Foi através dele e de seu Cabaré que conheci os eletromelodys paraenses, as swingueiras baianas, os bregas-funks pernambucanos e por aí vai. Mas tem outra: Timpin gosta e não foge de briga. O sujeito que já foi ameaçado de morte por gente ligada ao submundo do forró agora está numa missão de desconstruir a fama de bonzinho de Michel Teló, o multimilionário homem de um sucesso só. Pedi permissão ao Cabaré para reproduzir aqui no Ultrapop uma versão ligeiramente editada de "A verdadeira (e sórdida) história de Michel Teló". Vai que é sua, Timpin!
Recentemente Michel Teló foi pra mídia reclamar que o Ministério da Cultura se recusou a ajudá-lo em um documentário através da Lei Rouanet. O cantor queria um milhão e trezentos do governo (entenda-se, do povo que paga os impostos que sustentam o governo) para documentar seus passeios pela Europa, na esteira do sucesso de "Ai se eu te pego" que, diga-se de passagem, tem sua autoria até hoje contestada na justiça. Na entrevista ao site Universo Sertanejo ele não consegue deixar de transparecer sua arrogância. Declarou que com seu hit levou "...o nome do país pra fora, o país voltou a ser notícia por algo de cultura"
A questão é que Michel Teló posa de mocinho e de mocinho ele não tem nada. Quer desmascará-lo? Pergunte qual foi a verdadeira história da saída de sua antiga banda, o grupo Tradição, do Mato Grosso do Sul. Peça para Michel Teló explicar porque a banda se dilacerou, com todos os membros, que tocavam juntos há anos, partindo cada um para lado. Essa história nunca foi bem contada. Aliás, essa história nunca foi contada, apesar de que todo mundo que trabalha nos bastidores do mercado sertanejo saiba. Mas o público e os fãs não sabem. Por isso este cabaret vai trazê-la à tona.
Tudo começou em 2008, quando o grupo Tradição estava finalizando seu DVD Micareta Sertaneja 2. O anterior tinha rendido um disco de ouro e uma apresentação no Domingão do Faustão. Tinha tudo para não só repetir a dose como ainda apresentá-los para o resto do Brasil, já que seu sucesso ainda era regional. Ocorre que quando tudo já estava pronto, inclusive a arte final do DVD, Michel e seu irmão Teófilo Teló, disseram que as oito músicas que estavam registradas na editora Panttanal, que era deles, só seriam liberadas mediante ao pagamento de uma pequena fortuna por cada uma. Valores absurdos, completamente acima do valor do mercado.
Naturalmente a banda declinou da proposta, alegando que se fosse o caso, excluiriam as tais oito músicas e seguiriam em frente. Então os dois rebateram: se fosse feito assim, os direitos de uso das imagens do cantor não seriam liberados. O que se seguiu foi uma discussão que, segundo fontes seguras, chegou às vias de fato. Em seguida foi convocada uma entrevista coletiva na qual Michel Teló anunciou sua carreira solo, tranquilizando os fãs de que cumpriria a agenda de shows já vendidos, permanecendo na banda por seis meses. Isso depois de cantar na banda há mais de dez anos (ele foi descoberto pelos empresários do Tradição quando ainda era adolescente).



Durante meio ano a banda se apresentou por toda a região Sul e Centroeste disfarçando nos palcos o clima horrível que imperava nos bastidores. Chegou agosto de 2009, Michel desligou-se da banda, levou toda a estrutura de palco e ainda estreou solo usando nos cartazes de divulgação a expressão "Micareta Sertaneja". Deixou pra trás uma banda falida e despedaçada. Todos os outros membros saíram, com exceção do guitarrista Wagner Pekois que insistiu em tentar o que na época era considerado por todos uma louca utopia, recomeçar do zero.
E foi o que ele fez. Inicialmente viajou ao Rio Grande do Sul e em Ijuí recrutou os irmãos Guilherme e Leonardo Bertoldo, cantor e baterista do grupo Os 4 Gaudérios, respectivamente. Da banda sul matogrossense Zíngaro contratou o sanfoneiro Jefferson Villava, o baixista Leandro Azevedo e o percussionista Marcio Pereira. Com a formação nova gravaram o disco Caixinha de Surpresas e caíram na estrada por dois anos até adquirirem a sinergia e a verba necessária para a gravação de um novo DVD.
O DVD Tô de Férias acabou sendo um dos melhores lançamentos sertanejos de 2010, apesar da baixa repercussão que teve na mídia. E assim o Tradição continua na batalha até hoje. Recentemente lançaram um single de sucesso, chamado "Ui, adoro" que, apesar não tocar nas rádios, já teve mais de um milhão de downloads.
Só que a lei do karma ruim é implacável. A música "Ai se eu te pego" pode estar tocando no planeta inteiro, mas o sucesso de Michel Teló é uma bolha, uma mera ilusão porque ele não tem fãs. Ao contrário da maioria dos cantores que saem de suas bandas e se lançam em carreira solo, os fãs do Tradição não migraram para o lado do cantor, muito pelo contrário, permaneceram ainda mais fiéis à banda, sendo praticamente uma extensão do departamento de divulgação. Enquanto a preocupação de Michel é ganhar mais e mais dinheiro, o Tradição segue apostando na construção de uma carreira artística de qualidade.
O dia em que algum empresário visionário resolver investir no Tradição, o Brasil irá conhecer um dos melhores shows da atualidade. Se no momento Michel Teló é um dos artistas mais saturados do país, certamente o Tradição é o segredo mais bem guardado. Quem vai entrar na história como o mocinho e quem vai entrar como o bandido, só o futuro dirá. Mas não é muito difícil de adivinhar.




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