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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Alunos evangélicos se recusam a apresentar projeto sobre cultura africana




do site D24am



Manaus - Um grupo de 14 alunos do 2º e 3º ano do ensino médio se recusou a apresentar uma feira sobre cultura africana na Escola Estadual Senador João Bosco de Ramos Lima, na Avenida Noel Nutels, zona norte de Manaus. Os estudantes se sentiram ofendidos com os estudos propostos e queriam apresentar o trabalho com outro objetivo: As missões evangélicas na África.
Os professores não aceitaram o tema e os estudantes montaram sua barraca na frente da escola sem o consentimento dos educadores. "O que eles queriam apresentar fugia totalmente do tema e eles acabaram montando a tenda fora da escola, no sol. Depois de conversarmos eles foram para o pátio, mas o trabalho não podia ser avaliado porque não tinha a ver com a feira", disse o coordenador adjunto da escola Raimundo Cleocir.
O caso gerou a revolta nos pais, que foram para escola tentar saber o motivo das notas baixas que os filhos iriam receber. Os estudantes alegaram discriminação contra a religião evangélica e, ao saberem do caso, militantes dos direitos humanos avisaram as entidades respectivas.
A escola realizou uma reunião entre os professores, pais e alunos para explicar o ocorrido com a participação de representantes dos Direitos Humanos, Movimento Religioso de Matriz Africanas, Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Marcha Mundial das Mulheres.
Como representante do Conselho dos Direitos Humanos, Rosaly Pinheiro mediou a reunião. "Fomos convocados para mediar a reunião, pois é um assunto muito delicado e é preciso articular com as pessoas o argumento de que vivemos numa democracia, e todos tem liberdade de expressão", declarou.
Jefferson Carlos, um dos alunos, explicou as razões de sua equipe não concordar com o tema. "Tivemos que ler um livro chamado Jubiabá do Jorge Amado, onde um garoto tem amizade com um pai de santo. Eu achei muito estranho isso porque teríamos que relatar essa história no trabalho. Queríamos apresentar de outro modo, sem falar sobre isso".
Mãe de uma das alunas, Wanderléa Noronha, contou estar decepcionada. "A discriminação aconteceu conosco. Minha filha não quis apresentar o tema e sofreu bullyng pelo os outros alunos. Por que não pode haver espaço para a religião evangélica na feira?", indagou.
O pastor Marcos Freitas do Ministério Cooperadores de Cristo, do qual os alunos fazem parte, não gostou da literatura que foi estudada nos trabalhos. "Tinha homossexualismo no meio, eles querem que os alunos engulam isso?", disse.



Leis 10.635 e 11.645
Luiz Fernando Costa, que faz parte do corpo docente da escola e também é Presidente do Movimento Negro no Amazonas, destacou na reunião que a escola seguia as diretrizes da lei federal 10.635 e 11.4645 que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas.
"Todo este tema está no currículo da escola, a discussão é sobre ensino das culturas e não sobre a religião" afirmou.
Raimunda Nonata Corrêa, dirigente da Coordenação Amazonense das Religiões de Matriz Africana (Carma), concordou que também a religião não era o foco do debate. "A escola não é espaço de disputa religioso, mas sim para qualificar um aluno com cidadão brasileiro, num país que é plural"
Direção
A diretora da escola, Isabel Costa, disse nunca ter visto isso nos sete anos que o Projeto Interdisciplinar aconteceu. "Eu fiquei muito abalada com o tamanho da confusão que se deu", contou.
Ainda segundo Isabel, uma reunião com o Secretaria de Estado de Educação (Seduc) acontecerá semana que vem para decidir as notas dos alunos.
Feira Cultural
A 8ª Feira Cultural faz parte do Projeto Interdisciplinar de Preservação da Identidade Étnico Cultural da escola, que tem como objetivo o ensino da contribuição das diversas culturas para a formação da identidade brasileira.
A programação, que começou na segunda feira (7), incluía exposição de trabalhos sobre autores que pautavam a diversidade étnica como José de Alencar, Jorge Amado, Castro Alves, entre outros. O término da feira aconteceu nessa quarta-feira (9).


6 comentários:

  1. Absurdo quererem colocar religião em tudo. Esse evangélicos estão emburrecendo. Se pedem um trabalho sobre cultura africana, querem apresentar um trabalho sobre evangelização dos africanos (leia-se destruição da cultura africana). Se o trabalho é sobre evolução, apresentam um sobre criacionismo, se o trabalho é sobre origem da vida, fazem um sobre bonecos de barro e costelas, se é sobre origem do universo, fazem sobre "6 dias de mágica", etc. É muita bitolação.

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    1. Verdade Zeca,esse é o retrato do chamado "país mais evangélico/católico" do mundo...Triste realidade. Um abraço

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    2. temos saber filtrar o conteúdo que se quer levar ao conhecimento do aluno, independente de religião o aluno não está obrigado a estudar um livro que venha ferir o que ele acredita, o que ele defende... o aluno é ser pensante e indivíduo em formação e precisa ter a liberdade respeitada em escolher o que quer e o que não quer... voce pode até gostar de jiló, mas nem por isso vou te condenar porque eu detesto... assim respeitando um ao outro podemos crescer em diferenças mas sem querer fazer clone um do outro... isto é liberdade!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    3. Sério? Então uma criança sabe em que acredita a tal ponto que pode influir no curriculum escolar? Elas sequer sabiam o que estava acontecendo. Ao serem instigadas pelos pais elas fizeram todo o barulho e,parafraseando Shakespeare, 'muito barulho por nada'. Se seguir essa sua lógica "antidiluviana" as crianças, filhas de pais fanáticos religiosos,não poderão participar de aulas de ciências em que são ensinadas as bases do evolucionismo,porque elas não acreditam nisso. Isto não é liberdade; quando muito desordem mental provocada por excessiva lavagem cerebral.

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  2. Nossa...Mas o que é isso???Onde vamos chegaram com essa mentalidade que se instalou dentro das religiões evangélicas,com exceções é claro.Acho que a coisa está ficando perigosa.Daqui uns dias estarão se matando em nome de Jesus.Sou professora de História e trabalho esse tema sem problemas e tenho vários alunos (as) evangélicas.É tudo muito tranquilo.

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    1. Concordo Professora.Há exceções e são com elas que podemos contar para ajudar a corrigir os erros das demais.Enquanto isso,ficamos a mercê de alguns fanáticos,que se arvoram no direito de falar em nome de deus e aí não poderemos mais ter liberdade de expressão. Um abraço

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