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sábado, 18 de maio de 2013

Uma terra, duas Realidades.





O ano era 2001 e o famigerado apresentador do SBT, Carlos Massa, vulgo Ratinho, espalhou a notícia que iria patrocinar abertura de vários poços artesianos para tentar aplacar a miséria do povo nordestino. Ele enfrentou resistência de políticos locais que, incomodados com a situação, se apressaram a sabotar o projeto, mandando quebrar os poços, sem a mínima consideração pelos cidadãos, objetivo da ação e principais beneficiários do gesto do apresentador. Até Lula se posicionou contrário à construção: "De vez em quando vem essa moda de que fazer poço resolve e não é verdade, porque muitas vezes a água sai salobra, ou fura e não acha nada. Até disse isso para um amigo meu, que tem um programa de TV e saiu falando que ia construir poços no Nordeste", disse ele.




Em um programa da Globo News, há alguns anos, nos foi apresentado um francês de nome Julian que optou por desenvolver suas habilidades de pesquisador no Brasil. Ele escolheu, justamente, o nordeste brasileiro, para desenvolver um trabalho de abertura de poços tubulares, em locais predeterminados, no município de Quixeramubim, no Ceará. Escolheu terrenos argilosos, onde os poços são abertos através de um mecanismo eficiente. O equipamento não custava mais do que R$l.500,00. O assunto não foi levado adiante.


Como mudar uma realidade tão aviltante?

Desde a redemocratização, o país já teve três presidentes nordestinos: Sarney, do Maranhão; Collor, de Alagoas e Lula, de Pernambuco. Nem por isso a situação da região mudou muito. O cenário ainda é de abandono e miséria, longe das regiões metropolitanas. A seca, entra ano, sai ano, castiga o sertanejo, que se vê abandonado pelo seu governo, muitas vezes recorrendo à migração para tentar sobreviver.




Apenas e tão somente em período eleitoral é que se tem notícia do interesse repentino de políticos (candidatos, é claro) pela situação dos que sofrem com a pobreza. A famigerada compra de votos em troca de “um par de sapatos, de um saco de farinha”, como na letra da música de Herbert Vianna, dos Paralamas.  Mas ainda assim, pouco se vê na mídia sobre as verdadeiras razões do sofrimento dos nordestinos.


Controlar a informação é a chave do “negócio”.

Turistas que visitam as localidades praianas se deparam com guias turísticos que lhes confidenciam o temor em mostrar certos lugares repletos de miséria, ou comandados com mão de ferro por coronéis locais. Não faz parte do programa e suscitaria ranger de dentes dos senhores feudais, cujo clãs dominam as localidades com mão de ferro há tempos.

Pegue como exemplo o estado de Alagoas, comandado há décadas pela família Collor.  Fernando Collor, o eterno “Caçador de Marajás”, faz parte de um círculo restrito do chamado coronelismo, formando oligopólios da informação. Tente conseguir informações adicionais de um guia de qualquer agência de turismo na região sobre os desmandos do ex-presidente. É praticamente impossível. O que é perfeitamente compreensível, já que sua vida correria sérios riscos.




Collor faz parte de um clube infame que passou a dominar o Nordeste através do controle da informação. Somado ao número de políticos que controlam a população através da miséria, e temos aí a resposta para explicar parte da situação atual da região.


Mas e o voto?

Houve época em que para votar, o eleitor era acompanhado até a cabine eleitoral por um jagunço de proeminente mandatário local, para se certificar que o cidadão iria mesmo cumprir com a palavra e votar no candidato previamente indicado (imposto à força). L.F., moradora de uma cidadezinha no interior de Alagoas dizia que se sentia humilhada sempre que isso acontecia. “E os mesários?”, perguntei a ela.; com um olhar abatido, me respondeu “coitados, não podiam fazer nada, ou o couro comia pra eles”. M.R.S., outra retirante, confirma que sofria a mesma situação de terror, na sua cidade natal, no interior da Bahia.



A salvação pode vir da imprensa?

As redes de TV pouco podem mostrar das agruras sofridas pelo povo nordestino, já que suas afiliadas, via de regra, são de propriedade de senadores ou deputados que controlam tudo de maneira tirânica. Como durante a administração de Antonio Carlos Magalhães nos anos 90, então governador da Bahia, ao reprimir a greve dos professores com violência. A Globo, que tinha a emissora de ACM como afiliada, não pode mostrar as agressões. O mesmo se passa com o SBT, cujo retransmissora no Ceará é de Tasso Jereissati. Pouco pode ser exibido em rede nacional sobre o senador do PSDB, principalmente se for algo negativo.






Se ações afirmativas e/ou altruísticas não surtem efeitos, já que são ferrenhamente combatidas; o voto pouco ajuda, pois muitas vezes é direcionado ou comprado e a mídia se vende ao sistema corrupto, o que sobra?






Dizem que a miséria não acaba, porque dá lucro. Fato, mas também por falta de luta. E a razão da batalha seria pelo mais nobre dos motivos: a própria vida. Porque se depender das "excelências", os políticos, a miséria continuará sendo fonte de renda e lucro para raposas acostumadas a chafurdar em dinheiro público. E o sertanejo permanecerá como um meio para o fim. 





4 comentários:

  1. Nunca acreditei que o problema da fome e da seca em qualquer região do pais ou do mundo fossem problemas de falta de recursos ou mesmo de falta de soluções, pois existem recursos mais que suficientes, tanto na produção de comida quanto de tecnologia, para combater a seca e a fome, porque a ciência avançou muito mais do que imaginamos em todo o mundo...A fome e a seca já não tem nenhum sentido, deixar pessoas morrerem de fome agora é assassinato, e não tem conversa...Deveria ser tratado como tal, e não se cometer a idiotice de achar que os políticos não podem fazer nada. Simplesmente ignoram a questão por pura desumanidade e ambição. Claro que a amortização dos bons sentimentos humanos tem muito haver com isso, pois as vezes, nem da própria família se cuida, quanto mais dos outros...é amigo a coisa está muito feia!
    abraços e meus pêsames pro povo brasileiro!

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    1. Verdade, meu amigo Marcos. A realidade é triste e o que é pior, de plena acordo com o sistema. As coisas não mudam e o 'status quo' precisa disso. Miséria dá lucro e assim permanecerá por um bom tempo. Pena. Um abraço, Marcão.

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  2. Eu sinceramente abomino esta situação de caos social em que vivemos, Luto por uma Causa que parece ser em vão e ainda assim luto, é na Luta pela Democracia (Razão) que encontro motivos e incentivos!
    A Verdade não deve se calar, nunca!
    Porque os Direitos Humanos vão além!
    Saudações:

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