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quinta-feira, 26 de julho de 2012

RELIGIÃO - SE DISCUTE OU SE ACATA?




Oriundo de uma família católica (bom,o que importa é que eu tenho saúde...) e vendo a mesma família se separar por religião (uns não podem comemorar tal data, outros não querem se misturar com os “pecadores” ou “criaturas” como alguns evangélicos dizem) posso constatar, sem sombra de dúvida que religião acarreta mais desavenças  à humanidade do que se pensa. Se fosse apenas e tão somente desenvolver sua “espiritualidade”, talvez não fosse tão nocivo,quanto o que o ser humano tem feito (e tem deixado ser feito com ele), em nome da religião. Mas muitas coisas nefastas  se tem feito em nome de deus e isso é um grave problema.




Bastaria citar os desmandos da igreja católica (minúscula,mesmo,como seu papel na humanidade) que  certamente matou mais do que os nazistas e com métodos tão escrotos quanto. Mas não pára por aí.
Os hebreus, sempre em sua história invadiram, roubaram, mataram e tiranizaram em nome de deus (ou de seus interesses mesquinhos,questão de semântica).Subentender que uma entidade onisciente,onipotente e onipresente , portanto perfeita, permita que se cometa atrocidades em seu nome ,tudo para atender aos devaneios  egoístas de um povo atrasado e brutalizado,fere a lógica.Um “pai” para um povo e padrasto para os outros...Argumentação ilógica.




O outro povo originário de Abraão (seus dois filhos, Isaac e Ismael são considerados os pais do povo hebreu e árabe,respectivamente),os muçulmanos,também seguem essa lógica “antidiluviana”. Eles estão certos e os “outros” (os seguidores da amálgama judaico-cristã)errados e devem ser convertidos,por bem ou por mal.

Seguindo a filosofia de que deve-se dominar as massas de maneira sutil,Roma incorporou o cristianismo,no século III,pois percebeu que era a forma mais apropriada de ser palatável ao sistema.A população ingênua nem  se deu conta,tal discreto foi o império romano.Nascia aí uma versão grosseira e rasteira do cristianismo,o catolicismo,e com ele toda a intolerância do mundo contra os que pensavam diferente(de  novo,perseguições,intolerância,prisões,torturas,fogueiras,estupros,mortes,roubos,tudo em nome de uma divindade).Esse período ficou conhecido como Idade das Trevas.O nome diz tudo o que a humanidade sofreu naqueles quase 1400 anos.



Tanto desmando acabou gerando uma reação,ou seja,o protestantismo que, na essência,ajudou a enfraquecer a máfia do vaticano que relegou a religião a segundo plano e se concentrou em seu projeto de poder eterno,às custas de sangue de inocentes e riquezas alheias(como você acha que foi erigido aquele complexo gigantesco chamado vaticano?).

Com o passar dos anos,o protestantismo começou a se dividir,a se tornar multifacetado e isso não ajudou a manter uma unidade que fizesse contraponto ao nazi-fascismo da igreja católica.Pelo contrário, desfigurou seu propósito e fez com que,aos poucos,inúmeras seitas fossem criadas.

No melhor estilo “pequenas empresas, grandes negócios”, a vertente evangélica começou a se proliferar pelo planeta afora,mas em especial nos EUA e na Europa.Não demoraria muito pra alguns “homens de visão” enxergassem nesse nicho uma chance de prosperar em pouquíssimo tempo.Trabalhar pra quê?O negócio é montar uma igreja,isenta de impostos e repetir alguns capítulos e versículos que não tem muito nexo (ou lógica,ou razão ou objetivo concreto ou discernimento ou ...bom,você já entendeu). Na dúvida,é só dizer “são os desígnios de deus”.Isso evita perguntas embaraçosas.



Em decorrência disso tudo, começou a aumentar exponencialmente o número de pessoas descrentes com tanta coisa errada,pessoas desencantadas,que passaram a não conseguir respostas lógicas e sensatas para seus dilemas (pessoas assim sempre existiram,mas eram queimadas nas fogueiras da inquisição junto com as mulheres,com os judeus,com os pensadores e filósofos,como Giordano Bruno;todos eram considerados hereges).Os sem-religião acabaram se multiplicando,não por causa da religião em si,mas pelo uso criminoso,cafajeste  e  segregatório  que os homens fazem dela.Se religião fosse um instrumento decente e correto,uma ferramenta que ajudasse a humanidade a evoluir,a parcela de ateus no mundo seria baixíssima.Excetuando-se uma ou outra que não atrapalha,pelo contrário,ampara,o resto das seitas faz com que seus adeptos se comportem como hordas de zumbis,que nada entendem,que nada contestam e que propagam a intolerância contra quem não concorde com eles.E brigam entre eles .Religiosos versus religiosos,bradando que estão certos e os outros errados e vice e versa;tudo em nome de deus,é claro.Guerras são iniciadas por isso.Rivalidades começam por isso.Retrocesso/ atraso cultural e intelectual acontecem por causa disso.Mulheres são rebaixadas na sociedade por causa disso:RELIGIÃO.E vá dizer a um fanático que seu ponto de vista está errado ou que você não concorda com ele.Terá um inimigo para toda a vida. A não ser que você se converta.E nem tente contra-argumentar usando argumentação lógica. Essencialmente seria como “jogar pérolas aos porcos”.



Comecei a escrever este texto ao constatar que,nas redes sociais, os ânimos se acirram a cada dia entre teístas e ateístas.Com um agravante.Comunidades fechadas que deveriam ser usadas para apoio,diálogo e divulgação de assuntos em comum (no caso dos sem-religião)começam a pecar pelo mesmo erro dos adeptos das seitas.Cisão é a pior coisa do mundo,em qualquer atividade humana.E se radicais começam a bradar geral em uma comunidade de seus pares CONTRA seus pares,então se comportam como os xiitas religiosos,fanáticos ao extremo.Uma posição desta deve ser tomada com maturidade e de maneira resoluta,sem espaço pra dúvida.E não por uma revolta  momentânea de adolescente,que fica indignado por ser contrariado em suas desejos egoísticos.

Ter ou não ter uma religião é uma decisão que deve ser tomada com parcimônia e de maneira equilibrada. Caso contrário quando aparecer alguém de opinião contrária a sua, pela frente,é capaz de ter um momento de intolerância que fará com que lembre os ocorridos entre torcidas uniformizadas,também fanatizadas.




Religião muito provavelmente não se discute.Pelo menos não com quem não tem equilíbrio emocional e maturidade intelectual que faça com que  conversa se torne agradável.É pra ser debatido com o intuito de melhorar,aprimorar conhecimentos,trocar informações e experiência.O mesmo serve para quem não possua uma religião.Pois muitos cometem a arrogância de se autoproclamar seres que usam a razão e a lógica.Mas não há lógica alguma em espinafrar alguém,também sem uma religião,só para dizer que você é mais evoluído,que sua ausência de religiosidade é mais completa do que a de seu colega,também sem religião,e também sem acreditar em divindades, mas sem o mesmo hedonismo ferrenho.Daqui a pouco teremos um santa inquisição ateísta,onde um grupo tenderá a  escrachar em praça pública outro grupo,por pensar um pouco diferente.

Já vi esse filme. Começa com uma divergência aqui, outra acolá,passa por um desentendimento,vira um puta mal entendido e acaba em uma subdivisão,gerando rupturas.Não levaria a lugar algum e não diferenciaria ateístas dos teístas.Ao contrário,os colocaria em posição similar:de intolerantes.Debater  e discutir pontos de vista,tudo bem.É salutar e faz parte do jogo.Mas se comportar como hienas no cio e sair por aí (desculpe a expressão) arrotando distorção,é sinal de fraqueza de argumento.Sei que isso não é racional nem tem bom senso.Richard Dawkins e Christopher Hitchens e Stephen Hawking, com certeza,não agiriam assim.



Um comentário:

  1. Não sei se religião se discute ou se acata...mas sei que o único homem que morreu por mim e por você foi Jesus Cristo e isso e a minha razão...A paz de Jesus Cristo...

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