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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Como se Safar sendo um ex Presidente da República






Seja um caçador de marajás,  um ex-metalúrgico, ou um sociólogo renomado, todos os ex-presidentes se envolveram em escândalos (alguns gravíssimos) e se desvencilharam com maestria.

  Meios para se livrar de embaraços existem aos montes. Comprar apoio no congresso (em letra minúscula, mesmo), distribuir cargos em estatais ou a velha política do “toma lá dá cá” acabam agindo como uma apólice de seguro no caso de algum percalço pelo caminho.  Mas nem sempre são medidas suficientes.




 Quando a máscara começou a cair, Fernando Collor de Mello tentou todos os subterfúgios para se manter no poder. Pressionar o congresso, usar a tropa de choque (Roberto Jefferson, Renan Calheiros, Claudio Humberto) para blindá-lo e ir à TV fazer pronunciamentos carregados de emoção, se fazendo de vítima. Tentou ampliar sua coligação de última hora, se aproximando de partidos neutros. Chegou a oferecer um ministério ao PSDB, na figura de Fernando Henrique Cardoso, que aceitou prontamente, devido a sua ganância por poder. Foi convencido a não aceitar por Mario Covas e Franco Montoro, que o salvaram de sujar ainda mais sua biografia.


Nada adiantou. O presidente alagoano foi impedido de continuar seu mandato e saiu pela porta dos fundos do palácio do planalto (minúsculo, é claro). O mais contraditório?  Os mesmos políticos encarregados da CPI que levou à sua cassação foram os mesmos que se encrencaram no chamado “escândalo dos anões do orçamento”. Lobo devorando lobo.  Mas Collor se gaba até hoje de ter sido absolvido no STF. Pudera. Com PC Farias morto e a Operação Uruguai não sendo ligada a ele diretamente, sua culpabilidade nunca foi comprovada. Mesmo permanecendo inelegível durante oito anos, ele deu a volta por cima e se elegeu senador por Alagoas, e ainda preside comissões. O cúmulo da desonra de um já combalido congresso nacional. Mas a memória do povo é tremendamente fraca. Há, até hoje, os incautos que o defendam. 





  Sabendo se aproveitar com maestria do sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso conseguiu catapultar sua candidatura à presidência da república.  Mesmo tendo pouco a ver com o plano econômico (creditados a Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha, Clóvis Carvalho e Winston Fritsch), sendo o ministro da economia da vez, aproveitou o ensejo e se elegeu sucessor de Itamar Franco.  

  Projeto vitorioso para Itamar, Ciro Gomes (o ministro que de fato teve relação com o plano), o Real continuou sua jornada vitoriosa no mandato seguinte de FHC. Mas, na mesma proporção que sua popularidade aumentava devido à valorização da moeda, os escândalos se acumulavam.  Sivam, a Pasta Rosa, Proer/Marka,  fraude cambial, o tráfico de influência de Eduardo Jorge, Sudam/Sudene e os principais : as privatizações do sistema Telebrás e a compra de votos para aprovar a emenda da reeleição. Pego no grampo (ilegal) e divulgado pelo jornal Folha de SP, em setembro/1998, Cardoso começou a gastar os cartuchos que tinha para manter a “governabilidade”. Quando assumiu, fez o de praxe: cargos, ministérios e conluio. Quando as investigações ganharam força, começou a distribuir verbas a parlamentares, a torto e a direito, numa espécie de “calaboca” presidencial. 

  FHC sobreviveu a duas crises econômicas mundiais (Ásia e Rússia), a um apagão vergonhoso (que durou semanas), a uma oposição ferrenha, e muitas vezes raivosa do PT (ávido por tomar o lugar do PSDB) e a escândalos gravíssimos. Mas sobreviveu e hoje, em tempos de lulopetismo em crise se arvora no direito de posar de filósofo contemporâneo e detentor da ética.



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  Desesperado para se tornar presidente da república desde 1989, Luis Inácio Lula da Silva e o PT fizeram malabarismos para chegar ao poder. Mais uma derrota dos tucanos, do que propriamente uma vitória petista, o sonho virou realidade em 2002, ano que seria a última chance de Lula, candidato derrotado outras três vezes.


  Mas talvez pela forma como foi idealizado o tal “projeto de poder”, talvez pelo desespero de ver seu candidato único chegar a sua derradeira eleição e, com ele o destino do partido, as coisas foram feitas de maneira suja, torpe. Conchavo com os antigos desafetos de Lula (Sarney, Renan Calheiros, a Igreja Universal) já era um mal indício. E diferentemente dos antecessores, o governo do PT começava com a sombra da morte do ex-tesoureiro de campanha, Celso Daniel. As suspeitas de que teria sido queima de arquivo, sempre existiram. Havia dinheiro de bicheiros na campanha do partido, segundo reportagens da época.  Cheques sem procedência aparecendo em contas do PT, sede do partido sendo mantida pelo jogo do bicho, em Porto Alegre... Enfim, tudo cheirando muito mal. E o pior estava por vir. 

  Em maio de 2005, depois de uma entrevista de Roberto Jefferson, outrora defensor ferrenho de Collor e crítico fidagal de Lula, o então líder do PTB (da base de apoio do governo petista) revelou à Folha de SP o que viria a ser conhecido como o esquema do mensalão: deputados sendo municiados mensalmente com dinheiro público para apoiar o governo. Foi quando a nação ficou conhecendo o agenciador do esquema, Marcos Valério. E não parou por aí. Sanguessuga, máfia nos Correios, dólares na cueca, aloprados, dossiês, Rosemary, tráfico de influência, irmão de Lula sendo investigado pela polícia federal... Enfim, tudo mostrava o colapso moral e ético do governo petista. Com o agravante de que muitos foram condenados pelo STF. E ainda sim, o ex-presidente goza de muita reputação (irônico, não?) com a população carente. Não só com os carentes de renda, mas os carentes de visão de mundo, também. Assim como o fã clube de FHC o idolatra, independente de qualquer besteira que diga, ou tenha feito de inescrupuloso em sua gestão, muitos enxergam em Lula um messias que veio para vingar os pobres;  ele mesmo um retirante que sentiu na pele a miséria, e hoje um dos políticos mais ricos do Brasil.

  O que os três ex-presidentes tem em comum? Além da enorme  quantidade de escândalos, de acompanhar corruptos e corruptores darem as caras em suas gestões e de quase ter seus mandatos abreviados, eles mostraram certo tino em superar situações embaraçosas. Eis o segredo da longevidade.

Enquanto isso, muitos ingênuos passam um tempo precioso defendendo seu ex-presidente favorito nas redes sociais, como se fossem integrantes de fã-clubes de cantores famosos. No pior estilo “o meu canta mais bonito que o seu”, as pessoas dedicam espaço demais para tentar defender o indefensável; justificar o injustificável. Nesse meio tempo, os “atores principais” planejam seu próximo passo em direção a seu projeto ganancioso de aumentar ou recuperar poder. E os trouxas se engalfinhando na internet...

No vale tudo para chegar e se manter no poder, o que importa é a sobrevivência política. Nada mais.  A ética? Ora, a ética...



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