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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mais de 20 anos do Massacre do Carandiru...





Familiares de mortos cobram justiça e afirmam que nunca foram procuradores pelo Estado


Por Caio Zinet
Caros Amigos
“A política de encarceramento em massa resulta em uma política oposta à que é anunciada. Ao invés de diminuir a violência, elas acabam por incentivá-la”, afirmou Padre Valdir, da Pastoral Carcerária, durante entrevista coletiva organizada pela Rede 2 de Outubro para relembrar os 20 anos do massacre do Carandiru. Estavam presentes no evento, que ocorreu na sede do sindicato dos jornalistas, Débora Silva (Grupo Mães de Maio) e Sidney Sales (sobrevivente do massacre).
O aniversário do massacre foi usado pelo movimento como forma de refletir se a política de encarceramento em massa promovida em todo o país é a melhor para combater a violência. O representante da Pastoral mostrou números que comprovam que as mortes dentro de presídios continuam acontecendo. “Entre 1999 e 2006 cerca de 3 mil presos morreram dentro das prisões brasileiras”, denunciou.



Segundo dados do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) a população carcerária brasileira atingiu cerca de 490 mil presos em 2009, além de outros 500 mil pedidos de prisão expedidos e que não foram cumpridos. São Paulo é o estado que concentra o maior número de presos no Brasil, somando cerca de 170 mil encarcerados. A prisão é feita, em sua maioria contra o jovem, negro, pobre e morador das periferias das cidades brasileiras.
Encarceramento em Massa
“A juventude está sendo encarcera em massa, em especial pela questão das drogas. Nos presídios femininos a maioria das presas cumpre pena por portar drogas. Temos que buscar outras soluções para esses casos. A prisão não pode ser a resposta à violência”, afirmou Valdir.
Para ele combater a violência é investir em políticas públicas como saúde e educação e também é diminuir a abissal desigualdade no país.





111 mortos?
A estatística oficial do Estado aponta que 111 pessoas foram mortas durante a invasão da PM ao pavilhão 9 do Carandiru. Esses dados, no entanto, são questionados por órgão de defesa de direitos humanos e sobreviventes. “Morreram mais pessoas do que os dados oficiais contabilizam. Acredito que pelo menos 250 pessoas morreram, os relatos do Estado são mentirosos”, afirmou Sidney, um dos sobreviventes.
Ele fez um depoimento emocionante dos momentos que passou logo após a invasão. “Fui obrigado a carregar 35 corpos de detentos assassinados pela PM após a invasão. Quando finalmente fui liberado para entrar na minha cela três policiais que estavam com várias chaves me disseram que iam tentar abrir a minha com uma chave qualquer. Se abrisse eu entrava e estava tudo bem. Caso contrário seria morto ali mesmo”.



Sem Auxílio do Estado

O tratamento dos familiares de vítimas do massacre também foi alvo de críticas, pois até o momento eles não receberam nenhum tipo de auxílio do governo estadual.
O governo não esqueceu somente as vítimas do Carandiru. Débora Silva, que perdeu seu filho morto pela polícia em maio de 2006, também relatou que até o momento nada foi feito. “O governo não foi nem na casa do meu neto para saber a situação dele. Fecharam todas as portas de negociação com os familiares”, disse. “O governo federal também foi omisso, pois deveria ter acompanhado passo a passo os massacres e a situação dos familiares”, afirmou ainda.
A recente nomeação de Nivaldo César Restivo, tenente da operação do Carandiru, para o comando da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) foi alvo de críticas. “Recebemos a nomeação com muita indignação. É como se o governador dissesse que todos os policiais que agiram no Carandiru estavam corretos e por isso merecem ser promovidos”, afirmou Padre Valdir que pediu o afastamento imediato dos policiais que fizeram parte do massacre com devida reparação as famílias.







Um comentário:

  1. olá conheci um preso que conseguiu se esconder,mas
    Ele ficou com trama.porque foi muitos mortos.e este
    Numero apresentado,esta longe da realidade.
    Somos filhos de Deus.E dr. Bezerra nos diz assim
    Ainda não fomos presos porque não fomos descorbertos.

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