Follow by Email

quarta-feira, 11 de abril de 2012

JOHNNY INFELIZMENTE FOI À GUERRA





Sinopse-Primeiro e único filme dirigido pelo escritor e roteirista Dalton Trumbo, uma das grandes vítimas do Macarthismo, ”Johnny Vai à Guerra” criou a figura do soldado sem nome como uma metáfora de todos os homens que perderam a vida na guerra. A história é narrada em dois níveis, com o preto-e-branco e o colorido, separando a vida e a agonia de um soldado reduzido a um torso em combate, durante a Primeira Guerra Mundial. Por meio de um monólogo interior, conhecemos o que foi a vida do jovem soldado e acompanhamos o que restou de seu corpo, numa sala escura de hospital.









Certos filmes acertam ao criticar uma guerra ou as guerras em geral. É o caso de “Nascido em 4 de julho”de Oliver Stone, ”Amargo Regresso”, de Hal Ashby e “Johnny vai à guerra”, de Donald Trumbo.Se no filme de Ashby, Jon Voight faz o soldado que volta do Vietnã paraplégico, revoltado pelo fato de ir a uma guerra que não era sua e pela negligência e abandono a qual foi relegado pelo mesmo governo que  o convenceu a lutar por uma ‘causa perdida’,no filme de Oliver Stone,é Tom Cruise o idealista, que se alista logo após uma palestra de um militar em  sua escola,conclamando os americanos a combaterem o “comunismo”. Após também perder os movimentos das pernas  e se tornar um crítico contumaz da guerra,portanto se tornando um problema, ele percebe que nada mais era que um número,que seria substituído facilmente.Mas é no filme de Trumbo que está a mais cruel e ao mesmo tempo,reflexiva crítica a uma guerra(seja lá qual for,afinal são todas iguais e servem quase sempre às mesmas pessoas e aos mesmos interesses).É um libelo contra a violência.



Ao contar a história de um soldado que perde seus braços,suas pernas,parte do seu rosto,sua fala,visão e audição,o espectador embarca em uma atmosfera claustrofóbica de um ser humano preso dentro de si mesmo,cujo o desespero do personagem (que também acreditava nos ideais de guerra)se perde em um monólogo interior,visando manter a sanidade. Ele tenta  entender sua situação real e saber se estão fazendo tudo para ajudá-lo,mesmo sem saber que foi confinado  a um porão qualquer para não ser visto,esquecido por  lá muitos anos.A parte final dá uma pressão na jugular,nos levando a uma reflexão profunda sobre guerras e seus propósitos,se é que eles realmente existam,e porque sempre os ‘Senhores da Guerra’(como os chamava Renato Russo)continuam a convencer muitas pessoas a lutar por motivos esdrúxulos,que vão desde a malfadada dominação global,a demarcação de território,passando pelo incessante roubo de riquezas naturais.Enquanto existirem muitos “Johnnys” pelo mundo afora(os incautos que acreditam nas guerras pelo seu ‘dever patriótico’),teremos muitas e muitas guerras odiosas,por mais revoltante que isso possa parecer.




  O impacto do filme foi tamanho que influenciou roqueiros pelo mundo afora.Pink Floyd,no seu último disco(com todos os integrantes originais) The Final Cut;Metallica em sua corrosiva One e no Brasil,a Plebe Rude com Johnny vai a a guerra outra vez. Todas dignas de louvor porque dão continuidade as críticas perpetuadas pelo filme.


 Leia também :

Crítica - Filme "Hunger"



Nenhum comentário:

Postar um comentário