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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

POLITICAMENTE CORRETO INC.




    Quando vemos notícias de que o mercado de trabalho está aquecido no Brasil, diferentemente da Europa,muitos acham uma excelente notícia. A mídia brasileira,então,trata do assunto com pompa e circunstância.Mas é para tanto? Criar empregos, ainda que num patamar menor do que 2011, é positivo,pois a crise europeia é grave e o mercado americano continua seu calvário,sobrecarregando a classe média (como sempre), e não dá sinais claros de recuperação. Pode-se dizer que o Brasil tem escapado incólume pelas turbulências das crises alheias --ou quase.

Dito isto,vamos aos fatos.O Brasil é o país do sub-emprego. O poder aquisitivo é pequeno(claro que melhorou com o advento do Plano Real),se comparado com as necessidades básicas do povo.E os empresários? Bom,a carga tributária brasileira beira as raias do absurdo.Para cada funcionário que ganha 800 reais,a despesa com o mesmo chega a dobrar.E por isso mesmo muitos ainda optam por não registrar,ou para manter boa parte dos rendimentos fora da folha de pagamento oficial (comissões, participações nos lucros, etc). E para o trabalhador?Bom,a ele(ou ela)somente as migalhas.A maioria tem dificuldade em conseguir um emprego com registro em carteira.Quando consegue essa façanha,trabalha pelo salário (que não é dos melhores) e, no máximo,pelo vale-transporte --acredite, há muitas empresas que nem neste quesito se dignificam a cumprir a lei.



Os chamados empresários grandes (e não grandes empresários,pois isso poderia passar a impressão errada de grandiosidade,que a imensa maioria não tem e nunca terá) em seus trabalhos internos de massificação de funcionários(geralmente em circulares,folhetos com pessoas sorridentes,jornaizinhos com frases de efeito,provavelmente tiradas de um para-choque de caminhão) fazem de tudo para manter o moral da tropa,que não é dos melhores,elevado.


Mas para estes mesmos empresários que se vangloriam de conceder diversos benefícios aos seus subordinados até uniforme,aquele apetrecho que serve para padronizar a tudo e a todos, é considerado um "benefício".As vezes até aquele convênio médico de quinta categoria,que lembra e muito,o SUS, também. Mas se levarmos em conta os descontos que são imputados aos empregados pela mesma companhia pela qual trabalham,aí o contracheque fica assustador.

Enquanto isso, os Senhores do Dinheiro, aqueles que são doadores de campanhas eleitorais compulsivos, que sempre conseguem manter o raio de ação dos sindicatos das categorias de seus empregados sob controle, continuam a reclamar do governo (que eles apoiaram) a reclamar da carga tributária (que eles não se esforçam para mudar) e a disparar distorções a seus subalternos, ao afirmar que uniforme é sim benefício,assim como a chance e a honra de trabalhar em sua imponente empresa sob sua magnânima presidência.

Mais barato,mais barato só no Brasil.



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