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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

As ruínas de Detroit




do portal Yahoo

O texto e as fotos são de Yves Marchand e Romain Meffre


No final do século 19, a humanidade estava prestes a realizar um antigo sonho. A ideia de um meio rápido e autônomo de deslocamento foi lentamente se tornando uma realidade para os engenheiros de todo o mundo. Graças à sua localização na Bacia dos Grandes Lagos, a cidade de Detroit estava a ponto de gerar a sua própria revolução industrial. Engenheiros visionários e empresários se reuniram para organizar as fronteiras da cidade.




Em 1913, o fabricante Henry Ford aperfeiçoou a primeira linha de montagem de carros em grande escala. Dentro de alguns anos, Detroit estava prestes a se tornar a capital mundial do automóvel e berço mundial da produção em massa. Pela primeira vez na história, afluência estava atingindo a população. Prédios altos e bairros luxuosos mostravam toda a riqueza da cidade. Detroit virou a ‘menina dos olhos’ do sonho americano. Milhares de imigrantes embarcavam em busca de um emprego. Na década de 1950, a população da cidade chegou em 2 milhões. Era a quarta maior cidade dos Estados Unidos.







O automóvel movia as pessoas de forma mais rápida e para mais longe. Estradas, rodovias e estacionamentos remodelaram a paisagem da cidade para sempre. No mesmo período, as fábricas começam a se realocarem para a periferia.  A classe média branca abandonou o centro da cidade e se estabeleceram em novas cidades suburbanas. Rodovias desgastavam o tecido urbano. A diminuição da industrialização e o aumento da segregação ajudaram a deteriorar ainda mais a cidade. Em 1967, as tensões sociais explodiram em um dos motins mais violentos da história americana. O êxodo da população acelerou e bairros inteiros começaram a desaparecer do mapa. Prédios do centro foram abandonados. Em 50 anos, Detroit perdeu metade da população.




Detroit, a capital industrial do século 20, teve um papel fundalmental para moldar o mundo moderno. A lógica que criou e deu fama para a cidade, também a destruiu. Atualmente, ao contrário de qualquer outro lugar no mundo, as ruínas não são detalhes isolados no ambiente urbano. Elas se tornaram um componente natural da paisagem. Detroit apresenta todos os edifícios arquetípos de uma cidade americana mumificada. Seus monumentos esplêndidos em decomposição são nada menos que as pirâmides do Egito, Coliseu de Roma ou a Acrópoles em Atenas. Todos são remanescentes da passagem de um grande império. (Yves Marchand e Romain Meffre)




Este trabalho é, portanto, o resultado de uma colaboração de cinco anos iniciado em 2005 pelos fotógrafos Yves Marchand e Romain Meffre. 





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