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quarta-feira, 12 de junho de 2013

“Desculpe o Transtorno, Estamos Mudando o País”





Pouco afeito a protestos relevantes, o país vive um momento conturbado.

Após inúmeros aumentos abusivos no transporte público, o cidadão começou a se mexer e buscar ser ouvido. Desde os protestos no Rio Grande do Sul que vem se criando, ainda que de maneira desorganizada, um movimento de contestação contra os aumentos exorbitantes das passagens de ônibus –ou, dependendo da praça, do metrô e trem, também.



E, exatamente por não ser de praxe esses movimentos sociais, é que a mídia não tem sabido lidar com a novidade. Como era de se esperar, no início ignorou; depois, tentou desqualificar, por não haver muita adesão; e por fim tem elitizado a discussão, na esperança de jogar contra a opinião pública os jovens que tem dado a cara à tapa nas ruas das grandes cidades.

Os apresentadores de telejornais, ou âncoras, travestidos de defensores da moral e bons costumes começaram a vociferar contra os manifestantes. “Marginais”, diziam alguns; “vândalos”, ou “lugar de bandidos é na fundação Casa, ou na cadeia”. Mas em momento algum, o real motivo das manifestações foi debatido com correção. Nenhuma palavra de economistas, acostumados a dar palpite em cada assunto supérfluo, que muitas vezes diz respeito apenas a uma parcela ínfima da população (os ricos e mais ricos deste país), foi ouvida nos telejornais, seja das TVs abertas ou dos canais de notícia da TV por assinatura.



Talvez porque para os editores-chefes das redações dos chamados “grandes veículos de comunicação” o tema não desperte interesse. E é mais fácil demonizar quem tenta mudar as regras do jogo sujo, muitas vezes sustentado pela própria imprensa, do que encarar os problemas com isenção, doa a quem doer. E por essa expressão entenda-se que os prefeitos, muitas vezes, são crias de grupos de comunicação, e por eles protegidos frequentemente.



No caso do Rio de Janeiro, a cidade que sediará as Copas das Confederações, do Mundo e as Olimpíadas, quase nada se falou da “limpeza social” praticada contra a população carente, para permitir as obras da Copa e mostrar aos gringos que aqui é país de 1º mundo, sim senhor. Essa segregação, que também ocorreu durante o mesmo evento na África do Sul, foi solenemente ignorada pela mídia, sendo denunciada em blogs (como sempre) e em um documentário feito por cidadãos indignados com a calhordice das coisas. Eduardo Paes e seu amigo de todas as horas, Sérgio Cabral, contaram com o silêncio conivente de jornais e emissoras de TV. Não foram chamados de vândalos ou criminosos; nem disseram que seus respectivos lugares seriam atrás das grades. Então se você protesta contra aumentos abusivos, deve ser punido, sofrer violência policial e cumprir pena. Mas se é um político interessado em agradar empreiteiros, banqueiros que não primam por respeito à sociedade, e outros escroques, mais interessados em dinheiro do que preservar vidas, então você pode ser condecorado em praça pública.




    "O aumento das passagens no Rio de Janeiro não é só R$0,25

Passagem em 2004 = R$ 0,60
Passagem em 2012 = R$ 2,75
Aumento percentual no período: 458,3%

Salário mínimo em 2004 = R$ 260,00
Salário mínimo em 2013 = R$ 678,00
Aumento percentual no período: 260%

Inflação média no Brasil no período: 64%

É ou não abusivo? E quem paga este abuso somos todos nós, empregados, empregadores e consumidores, já que gera inflação e impacta nos preços.

Créditos a SOS Bombeiros"


Os que se opõem aos protestos alegam haver danos ao patrimônio público. Correto. Depredações ocorreram; não há apenas pessoas decentes querendo melhorias, dentre os manifestantes; há os queiram ver o ‘circo pegar fogo’, inclusive com pessoas infiltradas no movimento para provocar a polícia e denegrir os protestos. Isso pouco se fala.




Mesmo nos sites de informação (Terra, UOL, Yahoo) é possível ver fotos que mostram o que convém mostrar. Nada além de algo distorcido. Mas como sempre, a imprensa apenas se toca, quando é atingida pelos problemas. Somente após dois jornalistas terem sido arbitrariamente agredidos e presos (UOL e Record) é que perceberam que os excessos vinham de um lado. 



Que truculência e ações imorais, geram ações imorais. Que protestos dessa magnitude (com repercussão internacional; veja AQUI) cobram um preço alto. Tudo isso somado ao despreparo da polícia brasileira, e teremos um ambiente explosivo.




Os excessos e depredações e a impossibilidade de ir e vir de motoristas são os pontos negativos. Em megalópoles, qualquer gesto nesse sentido, além de ferir o direito pétreo de locomoção, causa mais rebordosa na rotina dos moradores. Conseguindo manejar esses problemas, o movimento tende a ganhar ainda mais adeptos e menos rejeição.

Apesar de fora de época, poderemos, quem sabe, estar vivendo a “Primavera Brasileira”.


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5 comentários:

  1. Olá amigão, para os que dizem que esse protesto é gerado pelo PT( que não moram aqui )
    Primeiro lugar, PORQUE NÃO DEIXEMOS ESSE GUERRINHA DE MERDA DE PARTIDOS POLÌTICOS e esses dois idiotas que governam meu estado e minha cidade NÃO RESOLVEM O PROBLEMA DO TRANSPORTE PÚBLICO? Se esses dois incompetentes resolvessem essa merda, não teria depredação nenhuma! Não teria manifestação e nem o PT teria eleito um prefeito. O Serra e o Kassab estavam pouco se lixando pro transporte....Tava tudo a mesma merda...Eles que demostrassem competência em vez de criticar o PT...Cacete, parece que só eu moro em São Paulo? Antes de falarem do meu estado, tentam pegar ônibus e metrôs aqui...vandalismo? eu deixei de trabalhar fora porque era estuprado todo o dia na ida e na volta do trem. No ônibus a mesma coisa. Na entrada as pessoas se esbofeteiam pra pegar lugar e tomam os lugares dos velhos, ficam rezando pra eles não aparecerem pra ceder lugar..os deficientes se fodem e as grávidas tomam no cú, as crianças são constantemente atropeladas. Fazem viagem de duas horas em pé depois de um dia de trabalho, entre bofetões e encochadas, voltam pra casa arrebentados e ainda tem que cuidar dos filhos. Quando o trem atrasa o patrão não tá nem ai, desconta do dia de trabalho e ainda manda embora. Uma selvageria total nas estações, pessoas se espremem nas escadas, ( isso quando não tem que subir a pé porque estão constantemente quebradas ) outras são atropeladas por carrinhos de camelos Não tem banheiro, tem que cagar nas calças. Hoje trabalho em casa, mas quem tem que pegar essa merda todo dia? Eu já passei por isso, senti na pele...esse transporte publico mais parece carro de boi. Essa merda tá falida, o povo tá de saco cheio e esses partidos ficam fazendo guerrinha, vâo pentear macaco!
    abraços

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    Respostas
    1. Assino embaixo, meu caro Marcos. Como sou paulistano também, sei bem das adversidades que a população passa no transporte público, seja o trem (que fede, atrasa e sempre tem problemas técnicos), o metrô (que atrasa, é insuficiente e sempre tem problemas)e os ônibus (que fedem ,atrasam, são insuficientes, não atendem todos os bairros e sempre tem problemas). Dá nisso que a gente tá vendo agora. E os reacionários começam a politizar o movimento. Típico. Mas na hora de sugerir mudanças ou de ajudar a mudar as coisas se omitem. Chega uma hora que as pessoas se cansam. Um abraço, Marcão

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  2. Marcello, EXCELENTE artigo. Eu escrevi no meu blog um mais ou menos nos mesmos trâmites. Em contato com dois jornalistas, que - esses sim - estavam acompanhando de perto a manifestação desde o início, fui narrando momento a momento o que de fato ocorreu. E não tem outra conclusão: a mídia distorceu, e foi muito! Mas fico feliz quando vejo os blogs dos dois jornalistas escrevendo sobre o assunto, e quando vejo o seu. Não estamos sozinhos, e o primeiro passo para mudar as coisas é a conscientização, desmistificando o que a mídia manipulou para os que se deixam manipular.

    Abraços!
    --
    Djoni Filho Debate
    Twitter: @djonifilho
    Facebook: /DjoniFilho.Debate

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  3. Porque não aproveitamos o embalo e organizamos um protesto gigantesco com todos os jovens e quem quiser ajudar, para mudar essa palhaçada que é esse país desde o tempo da monarquia, acredito que é uma oportunidade da nossa geração fazer a diferença, hoje tudo é notícia, tudo é filmado, existe uma rede de relacionamento e informações entre nó (internet) hoje podemos fazer várias coisas, para mudar a injustiça neste país.

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  4. Um resumo do que vem sendo os protestos pelo Brasil

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