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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

BRASIL, SÉCULO XVI….



Um grupo de pessoas faz um comentário que vai na contramão da maioria ou contesta algo que é tido como verdade, ou sagrado; outro grupo os condena publicamente, com palavras de ódio e discurso de violência. Pode parecer o século XVI, auge da chamada Idade das Trevas, mas acontece com muita frequência nos dias atuais.


A mais recente polêmica acometeu –mais uma vez – a trupe de humoristas do Porta dos Fundos. O objeto de tanto ódio? Um episódio sobre o nascimento de Jesus.







No país de Feliciano, Malafaia, Edir Macedo e Valdomiro a fé virou um negócio extremamente lucrativo. Os maus apóstolos, os lobos que guiam as ovelhas menos afortunadas, economicamente e mentalmente são os que ditam as regras. Se são criticados por extorquirem seus clientes, ou “fiéis” como gostam de bradar aos quatro cantos, recorrem a velha retórica do preconceito religioso. Mas podem se dar ao luxo de perseguirem homossexuais, atropelando a própria Constituição que garante que todos são iguais.

A velha Igreja Católica, carcomida pelo tempo e precursora das explorações e desmandos que assolaram a humanidade por quase um milênio também se arvora no direito de contestar publicamente humoristas.

"Será que isso é humor? Ou é intolerância religiosa travestida de humor? Péssimo mau gosto!", disse o arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer. Ver um representante do Vaticano no Brasil usar a palavra “intolerância” beira o escárnio. Mais intolerante do que a Igreja Católica Apostólica Romana, que matou ao longo de sua história suja, mais do que os nazistas na Segunda Guerra, não há.


Por que situações como esta acarretam tanta balbúrdia? Será a verdade tão tênue que temem que uma simples ‘esquete’ humorística possa por tudo a perder? Que aqueles que sofreram lavagem cerebral possam eventualmente acordar de seus transes?


Martin Scorsese passou por algo semelhante com seu filme A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO. Uma adaptação do livro homônimo do escritor grego Nikos Kazantzákis. No prefácio já é possível dirimir toda e qualquer dúvida sobre a veracidade do texto: É UMA OBRA DE FICÇÃO. Mesma frase usada na abertura da produção cinematográfica. Mas foi insuficiente para impedir os religiosos de mente tacanha de protestar contra a exibição da película. Novamente temendo o que não viram.

Um prego na areia teme a onda mais forte. Mal comparando é o que, inconscientemente, sente um cristão inseguro de sua fé. Então para que não tenha que refletir, pensar sobre os dogmas de sua religião, QUESTIONAR, ele ataca. Abdica da racionalidade, conseguida às duras penas, através de milênios e milênios de evolução, para achincalhar os que fazem bom uso do pensamento.



O certo e o errado tem significados diferentes nos dias de hoje. O recrudescimento das vertentes religiosas contra a sociedade é um exemplo disso. A cruzada contra os homossexuais é o que mais constrange. Cerceiam a liberdade sexual das pessoas, atacam em seus púlpitos e ignoram seus direitos. Mas esquecem-se, convenientemente, de um homem que disse uma vez:” Amai ao próximo como a ti mesmo” e “Não julgueis para não ser julgado”.

Esse Jesus, revolucionário, de esquerda, contrário ao sistema, pobre e que criticava o acúmulo de riquezas, que pregava a igualdade e a fraternidade provavelmente seria a principal vítima de calhordas religiosos que usam seu nome para ludibriar e para enriquecer ilicitamente.


Entre vocês, homens pretensamente autoproclamados “de deus” e a liberdade de expressão, SEMPRE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO.


 

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