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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Lobão Surtou? A Culpa é do Rock in Rio...





Roqueiro até a medula nos anos 70 e 80, integrante da banda Vimana (com Ritchie e Lulu Santos), cofundador da Blitz e líder dos Ronaldos, João Luiz Woerdenbag Filho, vulgo Lobão, já fez história na música brasileira. Autor de clássicos como “Me Chama”, “Vida Louca Vida”, “Decadence Avec Elegance” e “Revanche” era referência artística.

Nos áureos tempos emplacou hits nas rádios, nas trilhas de filmes e novelas.


Sempre foi polêmico por natureza. Casou com sua prima, assumiu publicamente (e chegou a fazer apologia sobre) seus vícios nas drogas pesadas, provocava presidentes (“O Eleito”, em homenagem a Sarney e “Presidente Mauricinho” para Collor”), foi em cana por isso, homenageou os colegas da cela (“Aí galera da 11!”em Vida Bandida) e espinafrou colegas músicos, como Paulo Ricardo, João Gilberto e Guilherme Arantes.

Quando se viu refém do próprio sucesso, partiu para o ataque contra as gravadoras que não lhe permitia espaço para novas composições.


Mas como tudo em sua vida, a luta contra a indústria fonográfica foi efêmera. Cedeu, se vendeu e acabou gravando um Acústico e voltou com o rabo entre as pernas para o sistema, que tanto combateu.

Mas o que ocasionou esse estado de coisas?

Em 23 de janeiro de 1991, já na curva descendente, ele foi convidado para participar do Rock in Rio II, mas erroneamente, na noite do metal. O público até que foi paciente. Não houve tantos apupos assim; afinal, Lobão até tem um ou outro som mais pesado. Mas colocá-lo após o Sepultura (o xodó dos amantes do metal) foi de uma estupidez bovina. Roberto Medina prima pelo pouco conhecimento musical e isso foi mostrado naquele dia. Começou uma chuva de latinhas e garrafas pra cima do cantor e sua banda. 

Ele ainda tentou usar um de seus típicos discursos panfletários. Não adiantou. Xingou, abandonou o palco e tentou voltar. Ele até poderia ter contribuído; bastava não ter levado a bateria da escola de samba Mangueira. Mas foi como jogar gasolina em um incêndio. Todos os copos e garrafas que ele recebeu enquanto se apresentava talvez expliquem a razão para o cantor ter literalmente surtado nos últimos anos. Provavelmente um dano cerebral irreparável.



Ou como explicar sua conversão ao mais puro conservadorismo atroz? Suas críticas e provocações recheadas de ressentimentos parecem ser fruto de uma mente que já viveu melhores dias.

Ao se tornar o mais novo colunista da pior revista semanal brasileira, a Veja, túmulo do bom e ético jornalismo, Lobão não cabia em si. Declarações de puro deleite ao ser parte integrante do veículo reacionário que mais tem contribuído para o atraso na discussão política brasileira, se tornaram momentos constrangedores em sua outrora brilhante carreira.

Na estreia disparou para todos os lados, mas em uníssono, contra a esquerda, “um atraso”, segundo ele. Esquerda que ele, ainda que involuntariamente, fez parte em boa parte de sua vida adulta.


Agora cinquentão, recalcado, com fel para dar e vender ele se põe a serviço do que há de mais retrógrado no país, fazendo o jogo sujo e rasteiro de barões da mídia que não dão a cara a tapa, mas que usam perfeitamente idiotas úteis, bobos da corte que servem para mera distração, enquanto o jogo real ocorre no submundo.


Se tudo isso não for culpa das garrafadas que ele levou durante o Rock in Rio, então a coisa é mais grave do que parece.


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6 comentários:

  1. Eu escrevi recentemente um comentário sobre o Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Chama-se Lobão, Patafísico. Creio que Lobão deve ter sido cooptado pelo instituto Von Mises e pela direita, que lhe ofereceu apoio, um norte e, daí...sei lá. Capilé. A indústria musical e o esquema das rádios nunca o perdoou e ele agora está investindo na indústria editorial e na web.
    O sistema nunca perdoa totalmente quem ousa lutar contra ele.
    Abs do Lúcio Jr.

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    1. Olha Lúcio, concordo que as brigas dele contra a indústria fonográfica rendeu muito "ranger de dentes", mas acho que ele padece também do fogo amigo. Ele acaba sabotando a própria carreira a troco de que? De polêmica? Prum cara que já teve o nome que ele ostentou, é degradante. Pra quem escreveu "me chama" e hoje escreve pra Veja, é patético. Um abraço.

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  2. Creio, Marcelo, que o erro maior foi dele. Ele nunca se classificou como roqueiro, e sim como cantor de MPB, assim sendo, creio que hoje com Ivete Sangalo e Claudia Leite no Rock in Rio, daria pra ele perceber bem seu equivoco. Imagina a Claudia Leite no lugar dele? Ia ser bem pior. Ou mesmo colocar Chico Buarque ou Caetano, que ele inveja de forma ostensiva, Ele não define o que é e o que foi, em vez de simplesmente aceitar o que acham dele.Assim sendo tá ficando do lado de quem paga mais, de quem acha que o valoriza mais, ou simplesmente esta tentando copiar o mesmo modelo daqueles que ele inveja. É cara o cenário musical esta bem complicado. Em vez de aceitar que esta velho e incentivar novas bandas a fazerem sucesso se comporta como alguém que precisa continuar se aparecendo ainda que seja do lado do inimigo. Foi engolido pelo sistema. Abraços

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  3. Acredito que na verdade ele nunca foi de esquerda para agora estar na direita. Ele nunca teve rumo. Vem de berço esplêndido, mas atrapalhado. E cá pra nós: colocar a culpa nos dramas familiares não vai salva-lo. Tenho dó dele. Quando eu soube que ele ia escrever na VEJA apenas entendi melhor as coisas. Existe um ditado: Deus faz e coloca junto! Agora sim, vai descansar, encontrou seu lugar, saiu do armário. Que seja feliz!

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    1. Verdade, Expedito, ele apenas e tão somente saiu do armário, politicamente falando. Pena que isso envergonhe o passado musical dele. Um abraço

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  4. O lobão é um traidor nato.E isso é ótimo. Eu sou apaixonado pelos traidores,As ideologias devem ser estupradas. Eu tenho uma tendência ao pensamento de esquerda,agora quando passo a me submeter a esse tipo de ideologia,quando perco a capacidade de problematizar essa vertente do que sou,ai pouco importa se sou esquerda ou direita, eu passo a ser um idiota. A vantagem do traidor é o suicídio que ele comete,ele destrói a própria idolatria. e isso é maravilhoso.

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