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quinta-feira, 7 de junho de 2012

BRASIL: AME-O OU DEIXE-O



    Não vou falar sobre a ditadura militar (que criou esse slogan fascista),mas sobre o maldito lema da "pátria de chuteiras". No site da ESPN,no blog de José Roberto Malia veio essa notícia :Fabrício Melo. Inscrito no draft, o pivô brasileiro entrou na alça de mira do Miami Heat. Pela universidade de Syracuse, ele obteve médias de 7,8 pontos, 5,8 rebotes e 2,9 tocos por jogo na última temporada.É mais um a deixar as quadras  tupiniquins para buscar vida nova na NBA.E já tem gente achando que ele será mais um ingrato ao escolher o time americano em detrimento da 'pátria'.

Críticas similares ocorreram durante o Pré-Olímpico,quando os chamados "estrangeiros" não se apresentaram ao treinador (argentino) da seleção e,mesmo assim,os garotos conseguiram a qualificação para Londres.A partir daí veio a polêmica : agora deve-se chamar os jogadores que 'se recusaram a servir a seleção'(soa medieval,isso) ou deveriam perdoá-los em prol de um bem maior(uma medalha nos jogos olímpicos)?

    Do jeito que falam,o camarada que tem família pra cuidar,um futuro pra planejar(e jogar basquete no Brasil não é a melhor opção)deve se curvar aos jornalistas parciais e tendenciosos ao invés de buscar um futuro profissional melhor;ou aderir de vez ao BRASILLLLLL!!! dito de boca cheia por muitos locutores chapa-branca,mas que quando acaba o torneio se esquecem dos mesmos jogadores que cobravam o engajamento pela seleção(independente de que modalidade).Isso é provincianismo.

Quando Gustavo Kuerten,o Guga,que chegou aonde chegou graças ao próprio talento e à família,que o apoiou e o custeou em muitos torneios,no início de carreira,ao disputar os Jogos de Sidney foi cobrado publicamente pelo presidente do COB,Carlos Arthur Nuzman que servisse a seleção,mas que usasse o uniforme oficial (e com os patrocinadores do próprio COB,é claro),dando uma lambreta naquelas empresas que o vinham apoiando de longa data.

   Para exemplificar melhor : imagine que voce começou sua vida profissional em uma micro-empresa.Com muito esforço (e somente seu esforço) conseguiste chegar a uma multinacional,com a oportunidade de ouro de trabalhar na matriz da companhia.Mas decorridos alguns anos,a mesma micro empresa pela qual voce atuou (e pela qual foi devidamente remunerado,ainda que ganhasse mal;a mesma empresa que contou com sua dedicação total) lhe convida para trabalhar lá por alguns meses,devido a um momento importante,e que voce não aceitar o convite seria muita ingratidão.A situação é a mesma.Os jogadores brasileiros que por aqui atuaram,se notabilizaram por clubes e pela seleção,que lhes serviu de vitrine,mas que também serviram como soldados rasos.Foi um acordo mútuo em que ambas as partes saíram no lucro.Pedir que estes jogadores,cujo os salários altos são pagos pelos clubes,se exponham em quadra,em pleno torneio da NBA(de novo,os verdadeiros patrões),pelo simples fato de que "é pela pátria",é escárnio puro.Típico de dirigentes velhacos que se acostumaram a viver  dos salários e das mordomias das federações (e do Comitê Olímpico Brasileiro)e se tornaram reféns de sua própria ganância(só os ternos do Nuzman custa mais do que tres meses de salário de muitos esportistas,Brasil afora),e usam o velho chavão da "pátria" para ludibriar os incautos,acostumados a acompanhar transmissões tendenciosas,que sempre mostram os brasileiros como maravilhosos e os adversários como vilões odiosos.

Jogos Olímpicos (e Copa do Mundo também) são eventos bilionários,onde há muitos interesses (inclusive de patrocinadores),em que a pátria é apenas uma coincidência de cores no uniforme que lembram (vagamente) as da bandeira do país.O resto é pura falácia e fanatismo de pessoas acostumadas a exercer o direito de NÃO pensar.


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