segunda-feira, 16 de março de 2015

UM CONTO SOBRE DUAS CIDADES




Um país dividido entre lados completamente opostos. Uns se escondem atrás da negação (“não, não há escândalos; não, isso é golpe”), e outros se deixam levar pela correnteza direitista que assola a nação.


                                            (sério?)

Separados, estes lados chegaram ao fim de semana expondo suas diferenças e argumentos, muitas vezes ininteligíveis.


                         ("manifestação" pacífica de algumas pessoas)

Alheios ao bom senso e recorrendo a frases feitas em redações de revistas semanais, a trupe do impeachment foi às ruas do Brasil pedir a saída da presidente Dilma. Negando-se a acreditar no envolvimento do PT na Operação Lava Jato, os movimentos sociais e as centrais sindicais tentaram demarcar território na sexta (13/03), alegando estarem “em defesa da Petrobras”.


                           (dizer o que de uma temeridade dessas...)

As mais variadas justificativas foram usadas para irem às manifestações: de contra o golpismo e a manipulação da mídia, até a corrupção absurda e a impunidade. Ambos estão certos, e ambos estão igualmente errados.

                         (protesto com um cartaz contendo uma suástica nazista)

Como tornar válido o preceito de que devemos defender um patrimônio nacional (a estatal do petróleo) se somos lenientes com a bandalheira? Uma coisa não pode ser excludente da outra. Não há a mínima chance de que o Partido dos Trabalhadores não participasse do esquema de corrupção exposto pelo doleiro Alberto Youssef, dentro da Petrobrás. Não é a primeira vez que o PT está envolvido em suspeitas. Seria infantilidade achar que sempre é obra do golpismo da mídia. Talvez seus integrantes devessem agir com ética, ao invés de culpar a Globo e a Veja.


                                       (anencéfalos no protesto)

A Petrobras, que é referência mundial no segmento é sim, alvo de predadores de Wall Street e de empresas ligadas a OPEP. Inclusive o governo sem escrúpulos de Barack Obama, notório incentivador de guerras pelo “ouro negro”. Portanto devemos nos preocupar com os estilhaços dessa guerrinha pretensamente ideológica que pode comprometer até a soberania nacional em um setor tremendamente estratégico. Mas não evitando uma profunda investigação.


                               (A eterna mania do brasileiro de ser capacho)

Como levar a sério protestos contra Dilma e seu PT, quando os mesmos setores que pedem sua saída estão de conluio com políticos, também citados na mesma Lava Jato e em outros escândalos, fazendo um silêncio ensurdecedor ao ignorar os desmandos do principal partido de oposição (PSDB), afundado em problemas, desde o trensalão, até as supostas contas na Suíça (o Swissleaks)? Cidadãos que estão sendo municiados por uma imprensa corrompida por anos de descalabros e monopólio midiático, também foram induzidos a irem às manifestações cobrarem algo que jornais, revistas e emissoras de TV não têm. Novamente, o envolvimento de barões da mídia nas contas do HSBC prova o tamanho da contradição destas pessoas.

                           (Aécio acompanhando os protestos de sua casa)

Os tucanos não foram vistos nos protestos –ao menos o nome forte do partido preferiu ficar em casa –os atores e pseudocelebridades globais, alguns com pouca ou nenhuma moral para cobrar dos outros o que não praticam, preferiram ficar em casa, salvo por meia dúzia de gatos pingados.


                           (coincidência? Não. A direita não deixa nada ao acaso)

A adesão foi grande em SP, conhecida nacionalmente como a capital nacional do conservadorismo. Um título depreciativo, pra quem já lutou por dias melhores na história. A pior emissora brasileira de todos os tempos, a Globo e seu exército de fantoches, apostou todas as suas fichas no comparecimento dos paulistas, mas em especial dos PAULISTANOS. A avenida símbolo da cidade ficou completamente cheia; se não um milhão tão propalado pela Globonews, ao menos uns 400 mil participantes estiveram lá.

                           (Manifestações em Brasília)

Sair às ruas e pedir a saída de um governante, é do jogo. Com Collor foi mais ou menos assim. Com FHC e Lula, não. Talvez porque a governabilidade e a blindagem deles eram melhores. À Dilma Rouseff carece de jogo de cintura no desenvolvimento de sua gestão.  


                                     (Gente "de bem" protestando)

Os petistas têm seus escândalos; os tucanos, também. O PT tem gente simpáticas a eles no STF (Dias Tóffoli), mas o PSDB, idem –Gilmar Mendes. A Petrobras está atolada em desvios de dinheiro; mas isso começou ainda nos anos 90 e foi aprimorado agora, que a empresa é maior, portanto mais atrativa e rentável. Ambos partidos erraram, mas também acertaram. Já existia Brasil antes deles e continuará após suas respectivas administrações.






Aqui não é a causa de se brigar, provocar cisão entre pobres e ricos, pretos e brancos, petistas e tucanos. O PAÍS É O MESMO. E a filosofia do “quanto pior, melhor”, iniciada pelo PT, nos ano 90, mas usada agora pelo PSDB é uma cilada; uma arapuca armada pelos politiqueiros brazucas, a fim de se perpetuar no governo (a balela do ‘projeto de poder’). Eles não querem o bem coletivo, querem o deles e de suas famílias. Só. Eles não desejam que a nação evolua gradativamente; querem manter-nos no acostamento, para que eles possam permanecer em altíssima velocidade. Educação, saúde, saneamento básico, segurança, quesitos tão necessários a nossa vida são relegados a segundo plano. Entenda-se como O MAIS TARDE POSSÍVEL. 



É por essa gente que as pessoas tem se digladiado nas redes sociais, praticando bullyng e partindo pra ofensas pessoais? Sério? É por gente desse gabarito que muitos partem para violência nas ruas, uns contra os outros, sem respeitar a opinião divergente? E eles, nesse meio termo estão em suas casas enormes, vivendo com seus polpudos salários, bancados por nós e esperando as próximas eleições.


                             (Marcha pela democracia de faixa com a suástica nazista?)

Exigir, se revoltar, se fazer ouvir é algo perfeitamente normal em uma democracia. Mas talvez o que falte às milhares de pessoas que foram às ruas nesse fim de semana (pró ou contra o governo) é saber exatamente o que os move. Pedir volta de regime militar é de uma ignorância atroz. Pregar golpe, também. Ignorar escândalos de corrupção é pior ainda.


                            (investigado pela Lava Jato, Agripino Maia esteve no protesto                                                                             pedindo o "fim da corrupção")



O PT não é o partido que defende e representa os pobres e o PSDB não é a salvação da lavoura nacional. Esses estereótipos banalizam a discussão política e empobrece a democracia. 



Brasileiros serem usados meramente como peças de tabuleiros em um jogo sujo chamado política é humilhante. Enquanto muitos vociferam contra o governo ou em favor de estatais, políticos estão no melhor estilo “A REVOLUÇÃO DOS BICHOS”: na casa grande, enquanto a patuleia dorme no celeiro.

O que está em jogo aqui é mais do que a briga de dois lados pra ver quem grita mais alto. Mas pelo fortalecimento de uma nação que há pouco mais de 30 anos saía de um regime brutal e sanguinolento e agora caminha com passos de bebê em direção a dias melhores. Mas isso será possível apenas se os que bradam palavras de ordem e refrãos sem lógica entenderem qual é o papel que lhes cabe nesse tabuleiro.




Com certeza não é de sair às ruas com a camisa da CBF, tirando fotos com Bolsonaro, pedir intervenção militar ou apertando a mão de José Agripino Maia do DEM (também investigado pelo Lava Jato) que teremos o que nos é de direito. Protestar sim; ser manipulados NUNCA. A não ser para aqueles que já estão acostumados a ser bucha de canhão. Aí é diferente.



                                  (Mulher tira a roupa pedindo a ditadura)






segunda-feira, 9 de março de 2015

UM APRESENTADOR A SERVIÇO DA AUDIÊNCIA, E NÃO DA VERDADE






O que há de errado com Augusto Liberato, vulgo “Gugu”?
Há anos ele dá claros sinais que não tem talento em suas veias. E sim polêmica. Apenas polêmica.

O sensacionalismo barato que prega o pseudo-apresentador é alarmante.

Há vários escândalos que rondam o ex pupilo de Silvio Santos. E mesmo assim ele parece não compreender que sua imagem está arranhada há tempos.



Em 1997, Gugu associou-se a empresários de Cuiabá (Mato Grosso) para formar uma rede de televisão, sediada naquela cidade. De acordo com levantamento da repórter Elvira Lobato da Folha de São Paulo, o animador ficou com 49% das ações da Pantanal Som e Imagem. O caso veio a público durante a campanha presidencial de 2002, quando Gugu apresentava o programa de TV do então candidato do PSDB, José Serra.

A concessão do canal chegou a ser anulada pelo então ministro das Comunicações, Juarez Quadros. Mas, em fevereiro de 2007, após uma longa disputa judicial, Gugu conseguiu ter de volta a concessão da TV Pantanal. Pelos planos do apresentador, a emissora se tornaria um canal de notícias, segundo os moldes da emissora americana Cable News Network (CNN).

Um mês após reaver a concessão da Pantanal Som e Imagem, Gugu fechou um acordo de cessão dos estúdios da produtora GGP para a produção paulista da programação da Rede JB (antiga CNT). O site O Fuxico, filiado ao portal Terra Networks e do qual o animador é parceiro, continua a funcionar na sede da produtora, no bairro de Alphaville (Barueri).

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A Banheira do Gugu era uma competição entre duas equipes, uma masculina e outra feminina, composta basicamente de celebridades da época. A prova era realizada em uma banheira cheia d´água e espuma, onde o apresentador Gugu Liberato jogava 10 sabonetes, cada integrante entrava na banheira vestindo trajes de banho com o objetivo de tentar pegar o maior número de sabonetes possível no tempo de 1 minuto, ao mesmo tempo que era impedido por uma modelo trajando biquíni. Este papel foi executado pelas modelos Luiza Ambiel, Nana Gouvêa, Solange Gomes e Helen Ganzarolli durante vários anos. A ex-dançarina do É o Tchan, Carla Perez, também participou diversas vezes do quadro, que rendeu grandes índices de audiência a Gugu.

O quadro foi extinto do programa, pois o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça, considerou que o quadro não era adequado para o horário por apresentar cenas de nudez parcial. Foi ao ar pela última vez no dia 15 de Outubro de 2000.


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Em meados dos anos 1990 a história do chupa-cabra se estendeu por semanas, e a controvérsia sobre sua veracidade segue não esclarecida.


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Houve também o episódio do leilão de uma suposta cueca usada pelo ator Thiago Lacerda durante o espetáculo A Paixão de Cristo de João Pessoa, realizado na Paraíba. O caso resultou num processo em que Gugu foi a parte sucumbente e teve que pagar indenização ao ator.

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Em fevereiro de 2000, o pagodeiro Alexandre Pires, vindo da balada às 7 da manhã, atropelou um homem em uma moto, não parou para prestar socorro e a vítima acabou não resistindo, vindo a falecer pouco tempo depois.
Gugu, um ferrenho defensor de celebridades (afinal, eram elas que faziam seu programa, e não os anônimos), levou o ‘cantor’ ao palco do programa, então campeão de audiência, Domingo Legal, e fez dele um mártir aos olhos do público. Em momento algum, o apresentador se colocou no lugar da família da vítima. Apenas o cantor famoso que foi mostrado como a parte atingida, e o homem que morreu, como uma “persona non grata”. Patético.




Algum tempo depois, foi a vez de outro pagodeiro, dessa vez o ‘vocalista’ do grupo Os Travessos, acusado de bater na mulher. A vítima, cansada dos maus-tratos resolveu gravar as ameaças e expôs o “artista”. Ficou muito ruim pra ele. Mas eis que surge o paladino das celebridades e o convida para o palco do programa dominical e o eleva a condição de parte enganada da história. Gugu conseguiu torcer a versão oficial. Sequer citou o problema do cantor com drogas. Não era de seu interesse, é óbvio. 




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No dia 7 de setembro de 2003, a infâmia final. Desesperado pela acirrada disputa com Faustão, aonde vinha levando a pior na maioria dos domingos, Augusto Liberato encena uma das maiores farsas da história.



Naquele dia presenciamos dois homens encapuzados concedendo entrevista “exclusiva”, se declarando como integrantes do primeiro Comando da Capital.
A dupla fez ameaças de morte a personalidades como o padre Marcelo Rossi, o vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo, e aos apresentadores José Luiz Datena (Bandeirantes), Marcelo Rezende (Rede TV!) e Oscar Roberto de Godoy (Record).
Gugu afirmou que não conhecia o conteúdo da reportagem e que confiou no repórter Wagner Maffezoli, responsável pela entrevista.

Por determinação da Justiça Federal, o "Domingo Legal" não foi exibido no dia 21. A liminar foi obtida pelo Ministério Público Federal, que acusou o programa e o SBT de abuso da liberdade de imprensa e de ferir a ética ao dar voz ao crime, devido à exibição da entrevista.

Segundo a Folha de SP, em reportagem à época: “Cinco pessoas que participaram de entrevista exibida pelo "Domingo Legal" foram indiciadas por apologia ao crime pela Polícia Civil de São Paulo: o produtor Hamilton Tadeu dos Santos, o Barney, Wagner Faustino da Silva, o Alfa, Antônio Rodrigues da Silva, o Beta, o repórter Wagner Maffezoli e o produtor Rogério Casagrande.

Barney, Alfa e Beta se apresentaram à polícia para depor. Em entrevista a jornalistas, a caminho do Deic, Barney disse que não participou das gravações, mas admitiu ter cedido uma arma para a produção.

Para a Polícia Civil, Barney disse que a arma foi desmontada e que as partes pequenas foram jogadas em trechos dos rios Tamanduateí e Tietê. Afirmou ainda que usou uma marreta para destruir pedaços maiores da arma, segundo o delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, do Deic.

Rodrigues e Faustino, que segundo a polícia simularam ser integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), afirmaram que havia um roteiro --escrito em cartolinas-- com o texto que deveriam falar, segundo o Deic. Eles teriam recebido R$ 150 para participar da entrevista.

Também em depoimento, o produtor Rogério Casagrande disse que o "Domingo Legal" pagou R$ 3.000 para que Barney intermediasse uma entrevista com integrantes do PCC. O diretor do programa, Maurício Nunes, também foi ouvido pela polícia.

Gugu

O apresentador foi o último a ser ouvido pela polícia. Ele prestou depoimento no Deic e afirmou que desconhecia a farsa.

O advogado Adriano Salles Vanni, que defende o Gugu Liberato, conseguiu evitar que o apresentador fosse indiciado em inquérito policial. Ele foi beneficiado por um habeas corpus preventivo concedido pelo Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais).

Convidado a prestar esclarecimentos à Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de São Paulo e à Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, Gugu não compareceu às audiências.

Investigação

O Ministério das Comunicações abriu um processo de apuração de infração contra o SBT por causa da exibição da entrevista.

Segundo a assessoria do ministério, o SBT pode ter infringido a regulamentação do setor, que proíbe incitar práticas criminosas. As punições previstas vão da advertência à cassação da concessão, passando por multa ou suspensão da concessão.”




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Fevereiro de 2015. Na sua volta à Rede Record, de onde saiu pela baixa audiência, ele começa sua nova trajetória com uma entrevista com a assassina confessa Suzane von Richthofen. O programa dividido em duas partes, bate a Globo e o SBT, com folga. Gugu, como é de seu feitio cordato, acaba cruzando na área para que a parricida possa fazer seu teatrinho particular. O bate papo beira as raias do absurdo, onde em certos momentos, o entrevistador parece quase vitimizar Suzane.







Liberato conseguiu o que queria (audiência) e Suzane também (mudar sua imagem); recentemente ela se converteu em evangélica e quer enaltecer sua pretensa conversão.

Mas o que Gugu não consegue é mudar sua própria imagem, arranhada por tantos desvios em sua tumultuada carreira profissional. Até porque se fôssemos falar da vida íntima e pessoal, aí as coisas ficariam mais complicadas ainda.




De pupilo de Silvio Santos e sucessor natural do “Homem do Baú”, à um arremedo de apresentador, implorando pro míseros números do Ibope, Augusto Liberato percorreu uma longa estrada. E essa estrada parece mostrar uma única direção: para baixo.








quinta-feira, 5 de março de 2015

BREVE RESUMO DO DECADENTE FUTEBOL BRASILEIRO




E no princípio havia craques. E com eles o show de bola e a paixão que movia, principalmente quem vivia dele. Bons tempos...

Nesse período, os brazucas mostraram seu valor e conquistaram três títulos mundiais. Não conquistaram em 66, porque  implementaram bagunça generalizada. Felizmente, aprenderam a lição e o Tri veio em 70.



Depois de um período sem títulos veio a “era Telê”, pra nos colocar de volta no caminho do espetáculo, que tanto nos notabilizaram mundo afora. Mas o retumbante fracasso em 82 (e até em 86, com a mesma geração já envelhecida), os fundamentalista do futebol bradaram aos 4 cantos que as coisas tinham que mudar. E mudaram. "Espetáculo, o cacete! Agora é futebol de resultados!". O pior é que isso contagiou...

Em 1990, Lazaroni afundou a imagem da seleção canarinho. Em 1994 era tudo ou nada.

Havia 24 anos que o Brasil (na verdade a seleção brasileira; pátria e futebol pouco ou nada tem a ver) sequer chegava a uma final de Copa do mundo. Era também o último mandato do infame João Havelange à frente da poderosa FIFA. Ele não podia passar o bastão sem ao menos ter em seu currículo um título do time de seu país. Não importava a que preço. 



O fato de Maradona ser arrastado por uma enfermeira, em pleno gramado, para um exame antidoping, pareceu suspeito. Apesar do histórico do jogador argentino, todos sabiam do sacrifício dele para ajudar a sua seleção a se classificar para a Copa dos EUA. Se arriscar com mero ‘desentupidor nasal’  seria idiotice. A Fifa empurrou a história do doping de Dieguito e os lacaios da imprensa mundial compraram a ideia. Resultado: o único time que poderia fazer frente ao Brasil, perdia seu melhor jogador e, conseguinte, sua moral. O abalo foi imenso. O resto é história. Com o futebol pragmático e sofrível de Parreira e Zagallo veio a taça, mas o gosto amargo de um futebol ruim não desaparecia.

                    (época incomparável do futebol nacional)

Em 1998 mais um dose de futebol previsível e sem talento dava as caras na França. Felizmente, a seleção da casa se sagrou campeã, goleando os canarinhos. Vieram as cobranças por mudanças e tirar lições da derrota.  Mas não se tirou lição alguma.



O ano de 2002 veio com a insólita Copa em dois países e em horário ingrato para o Ocidente.  Mesmo assim, muitos babões passaram as madrugadas em claro para ver a ‘família Felipão’ mostrar seu valor. Como sempre, dificuldades contra algumas seleções e a costumeira ajuda da arbitragem para que a equipe mais rentável e que desperta maior interesse nos mundiais, passasse de fases. Primeiro contra a Turquia, num escandaloso pênalti para o time de Luiz Felipe Scolari; na fase de mata-mata a Bélgica foi a vítima da vez, com gol mal anulado. Resultado: Brasil, ainda que pouco convincente, campeão contra a Alemanha. Ao menos os germânicos aprenderam com essa derrota. Em tempo: melhor jogador brasileiro do mundial foi o goleiro Marcos; isso era para acender a luz vermelha para os nossos cartolas. Ledo engano...

Em 2006, na própria Alemanha, os brasileiros provaram do gosto amargo da eliminação precoce frente a seu algoz costumeiro, a França do gênio Zidane.



Já em 2010, a virada que a seleção de Dunga tomou dos holandeses (antigos fregueses da seleção brasileira) derrubou o técnico. Mas nem em 2006, nem em 2010, providências foram postas em práticas.

Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A maior humilhação de todos os tempos que a outrora seleção campeão, que encantava e produzia craques a granel sofreu. Tudo errado. Sem técnica, sem táticas, sem craques (Neymar ainda está em formação) e sem equilíbrio emocional (o time mais chorão de todos os tempos), o que vimos foi a vitória do time que, em 2002 APRENDEU A LIÇÃO. A derrota que os alemães sofreram, os obrigaram a mudar, mas desde a base, até  Bundesliga (rentável campeonato ), com resultados fantásticos.



Mas por que por estas bandas as coisas não mudam, mesmo quando a maior paixão dos brasileiros é também a maior decepção?



Brasil, 2015. Começa mais uma temporada de estaduais, que dão mais prejuízos aos clubes, mas que são a alegria das federações locais —e da emissora que comanda o futebol tupiniquim com mão de ferro.  O Estatuto do torcedor não é posto em prática, os campos (excetuando-se as  Arenas) são verdadeiros pastos, clubes estão com dívidas trabalhistas até o pescoço, a Receita Federal e o INSS estão sempre às portas dos clubes, sabidamente os piores pagadores e maiores sonegadores da nação –e a goleada de 2014, já caiu no esquecimento. Até as campanhas pífias de outras Copas estão no limbo. O que vale é o momento. Talvez essa amnésia explique a volta do indefectível Dunga, com sua empáfia costumeira. É a mudança para não mudar coisa alguma. O establishment agradece.



Mas a grande questão é: se o brasileiro, que detesta política e idolatra futebol, não luta por melhorias nem por sua paixão alienante, vai lutar pelo o quê, afinal de contas?


 Pelo andar da carruagem,  daqui a pouco tempo, não haverá mais pelo o que lutar.




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

HOMELAND E A SOCIEDADE DECADENTE DOS EUA







Homeland é um seriado americano, baseado em Prisioners of War, da TV de Israel. Narra a história de um soldado dos EUA que, ao retornar do Afeganistão, após ser mantido em cativeiro por sete anos, tenta retomar a vida normal; mas há algo de errado com ele e uma agente da CIA tenta descobrir se ele é um infiltrado ou não.








A série, assim como outro sucesso da TV dos Estados Unidos 24 HORAS, flerta perigosamente com o preconceito contra os muçulmanos. Tudo transpira obsessão com quem é do Oriente Médio. O povo árabe é o povo negro da vez, tão segregado e discriminado quanto os afrodescendentes.



Para a agente da CIA vale tudo para “defender o país” contra ameças externas: mentir, invadir nações soberanas, conspirar, incitar golpe de estado, usar drones para espionar e até explodir adversários e usar a velha política do “o inimigo do meu inimigo, é meu amigo”. Isso é mostrado na série, mas reflete a realidade americana contemporânea.



País mais vigiado e paranoico do planeta desde o atentado de 11 de setembro, os EUA perderam o status de 'maior democracia do mundo' e passaram a desrespeitar seus cidadãos, cuspindo da 1ª emenda da constituição. O Decreto Patriota, assinado pelo Congresso americano (Obama inclusive) tirou a liberdade e os direitos civis, tão decantados nas décadas anteriores, mas agora apenas pálida lembrança de um passado distante.



Tal qual o personagem central de Homeland, o presidente Obama também acha certo conspirar contra países, apoiar golpes de estado e roubar recursos naturais de outras nações. Tudo em nome da “integridade dos EUA”, para proteger a pátria (contra o que, ninguém sabe) e para manter a paz mundial. Faz-se a guerra para criar a paz, entendeu? Pois é...



O jogo sujo da CIA está escancarado nos episódios, especialmente a partir da segunda temporada, quando o seriado optou por radicalizar contra o Islã e de seus fiéis adeptos. Países desafetos como o Irã são citados com muita frequência.



As recentes sanções do governo de Barack Obama contra a Rússia, para retaliar contra a posição do Kremlin ante a crise na Ucrânia, é um exemplo disso. Os EUA apoiaram o golpe (e financiaram), deram suporte financeiro e até com armamentos, incluindo aí grupos nazistas, e tiveram a desfaçatez de culpar Putin pela grave situação em Kiev.



A imprensa do mundo apoiou, comprando a ideia de que “comunista come criancinha” e demonizou o líder máximo da Rússia. Mais uma vez, a realidade das ações fascistas de Washington é encoberta, graças a jornalistas corruptos.



Episódios como o atentado em Paris só reforça o jogo sujo das chamadas potências ocidentais contra o próprio povo, usando o Islã como inimigo público número 1. O povão acredita, a imprensa não questiona e segue o mundo.



O país que se esconde atrás da alcunha de '‘superpotência’' é, na verdade, uma nação estremecida e decadente. Direitos civis são constantemente desrespeitados, conquistas sociais mudadas à revelia. A classe média passou a ser mais sobrecarregada. A pesada carga tributária –que visa alimentar a indústria bélica-- e a ausência clara de um projeto voltado para o povo são a tônica da administração atual, na verdade uma sequência da anterior. O sonho americano se transformou em pesadelo. Obama, de esperança se tornou algoz da própria nação. Cortes em benefícios, redução dos valores pagos aos veteranos (os mesmos idiotas que aceitaram ir ao exterior, matar civis, em troca de uma reles bolsa de estudos em faculdade comunitária) e o aumento na procura por tickets de alimentação e seguro desemprego são algumas das coisas que nos mostram quão fraca está a outrora nação super-poderosa.

Nada em contrário do imperialismo se vê nas ações dos EUA. Semeando discórdias, fomentando guerras (e lucrando com elas) se intrometendo em problemas geopolíticos (China vs Japão, União Europeia vs Rússia) a Casa Branca tem se mostrado como a maior patrocinadora de conflitos ao redor do mundo. Não se permite –nem a outros países--  falar em paz. Paz não gera lucros. Obama, como seus antecessores e seus sucessores, deve satisfação aos principais responsáveis por sua eleição: os grandes empresários de Wall Street e do setor bélico. Sem o endosso dessa gente, não se chega ao Salão Oval. Barack Obama sabe disso e procurou mantê-los sempre satisfeitos, em detrimento a sua população que chafurda em plena dificuldade pra sobreviver em um dos países mais excludentes do planeta.



Excrescências como Homeland servem para lembrar ao americano médio a única coisa em que ele (ou o seu “comandante-chefe”) é bom: dividir e conquistar. Velha tática napoleônica que não deu certo antes e tampouco agora. Enquanto se repete à exaustão o bordão “guerra ao terror”, os americanos são hipnotizados, massificados, alienados. Um terreno fértil para pessoas velhacas cuja ambição maior é manter o 'establishment' intocável, pelo maior tempo possível.



Pelo andar da carruagem e a julgar pelo despreparo do povo estadunidense, isso ainda vai durar muito tempo. Igual ao seriado. Azar o nosso.






sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O FANATISMO RELIGIOSO E ALIENAÇÃO DOS INDIGNADOS




O atentado em Paris, que vitimou 12 pessoas e feriu mais de 40 parece ser uma daquelas catarses que não permite erro de avaliação. Mas há. E dos graves.

Um atentado é deplorável, sob qualquer aspecto e sob quaisquer pretextos. O que motiva é que deveria ser motivo de perplexidade. Atendo-se à superfície, o que está mais ao fundo passa despercebido.

Quem são? Qual o passado de cada um? Sua aparência? Sua religião? Tudo isso é sempre --eu disse SEMPRE-- descoberto em um curto espaço de tempo. Como aconteceu com o atentado em Boston, em 2013. Tudo foi prontamente descoberto. Mais uma vez, pessoas da comunidade islâmica. Nunca subestime a capacidade dos americanos em satanizar os muçulmanos. Em pouco tempo estavam presos. Dois irmãos, um morto e outro detido. Nunca se ouviu uma só palavra pública dele. Mas estava preso, isso bastava. Uma forma do povo dos Estados Unidos se sentir seguros. Só porque a mídia disse que "eles foram pegos".

Mas dia a dia, as tais evidências caíram por terra. Veja abaixo.

O Atentado em Boston, Mais um Trabalho Interno?

A islamofobia apenas aumentou. E a pergunta é: a quem interessa isso?

O Ocidente é pródigo em perseguir muçulmanos, mas a coisa recrudesceu após o atentado de 11 de setembro. O mesmo que os EUA forjaram, com fins escusos. Veja abaixo:

11/9 - O DIA QUE NÃO EXISTIU


A Casa Branca e seus comparsas no crime --em especial seus capangas da Otan-- usam esse artifício como desculpa para perseguir, invadir e pilhar países de maioria árabe, com a desculpa de libertar o país de tiranos. Tal qual a máfia, que promete segurança, em troca de dinheiro, mesmo que a ameaça seja a própria mafia. É o jogo dos EUA.

O cartunista e sua equipe de aloprados se excedem há anos. Sempre pisando em gelo fino, sabendo com quem mexem: mais de 1,6 bilhão de seguidores do islamismo. Mesmo assim Charlie Hebdo continuou com suas patifarias. Não só contra muçulmanos, mas cristãos e até a ministra francesa Christine Taubira não escapou, sendo chamada de macaca pelo chargista. Mais patife, impossível.


Eis alguns dos "memoráveis trabalhos" do falecido:





"O filme que envergonhou o mundo islâmico."
Maomé pergunta: " Minha bunda! Vocês gostaram da minha bunda?"







"O Alcorão é uma merda".
"Não para nem as balas!"









Maomé: "Nasce uma estrela".














"O Pai, o Filho e o Espírito Santo".







"Assim o jornal Charlie Hebdo "ilustrou" o bombardeio de Israel a 

uma escola palestina em 30 de julho de 2014...


O ataque israelense à escola matou 19 pessoas e feriu outras 125."







Isso não justifica a barbárie que tomou conta de Paris, no dia 7 de 

janeiro. Mas mostra o tipo de gente que diverte a patuleia ocidental. 

O bobo da corte com sua tiras satíricas, debochando de meio 

mundo, se escondendo atrás da tal "liberdade de expressão". Mas se isso é um princípio digno, as cores da bandeira da França dizem também que deve haver 'igualdade, liberdade e fraternidade'. Isso houve no tratamento dado à comunidade muçulmana nos últimos anos, marginalizando os descendentes de árabes que foram solenemente alijados da sociedade, gerando um estrondoso protesto por melhores condições de vida e que os crimes cometidos pela polícia francesa contra esses mesmos jovens acabassem? A extrema direita , amparados pelo nazista Le Pen consegue há anos, diminuir os direitos dos muçulmanos na França, assim como os faz ter mais e mais dificuldades em entrar no país ou conseguir a naturalização. São tratados como animais e, aos olhos dos franceses, mais acostumados a ser capachos dos EUA, isso dá certo. Até de andar com a cabeça coberta, as mulheres que seguem o Islã foram proibidas. Isso é um aborto da natureza.





Ainda assim, o atentado é uma atrocidade ímpar. Mas por que aconteceu com tanta facilidade?




Eles tiveram tempo de render um funcionário, adentrar a sala de reunião, que ficava no último andar, matar 11 pessoas, ferir algumas dezenas, descer, trocar tiros com apenas dois policiais, matar um deles, caminhar tranquilamente até o veículo que os esperava e sair, como se nada tivesse sido feito.  


Cherif Kouachi (esq.) e Said Kouachi (dir.) 


O país se uniu ante a chacina cometida por dois irmãos. Ambos falavam francês fluente, sem sotaque e gritavam que eram da Al-Qaeda. Coisa atípica, já que eles só assumem atentados horas depois do ocorrido.






Seria coincidência também que esses dois homens armados, andassem livremente pela rua, adentrassem um edifício comercial e fizessem tudo o que fizeram, após o parlamento francês decidir votar pelo reconhecimento da Palestina? Em se tratando de Israel, não.



Estranho que após o atentado cometido por Anders Behring Breivik na Noruega, que massacrou quase 90 pessoas, ninguém disse nada sobre ele ser um auto-proclamado cristão de extrema direita que prega que a "batalha contra o Islã" deveria permanecer. Nesse sentido houve um silêncio conivente da imprensa européia. Cristão, branco, de extrema direita que persegue e mata muçulmanos pode. O contrário, não. Em um mundo ideal, nenhuma dessas sandices deveriam acontecer.
























Talvez a imagem que diga mais sobre os atentados. Quem tirou a foto? 

Por que não havia ninguém nas ruas naquele momento? E, acima 

de tudo, como a pessoa sabia a hora de fotografar o atentado, que 

mal se inciava ?





O que acarreta disso tudo? Muita coisa.



Mas algumas dúvidas ficam no ar. Por que os tais terroristas fizeram questão de dizer várias vezes que ram da Al-Qaeda, para mais de um funcionário da editora?
Se os irmãos eram de uma célula jihadista há muito tempo, se seus respectivos nomes estavam na lista de 'proibidos' de adentrar os EUA (e sabemos que há cooperação entre nações da OTAN sobre esse tipo de gente) por que diabos esses caras andavam livremente e operavam sem nenhum tipo de restrição? Parece algo combinado. O propósito é o de sempre: satanizar, agregar ódio contra A ou B e usar isso para legitimar ações que fariam Hitler corar de vergonha. Os EUA e seus capachos estão fazendo a lição de casa direitinho.







um dos suspeitos já havia sido mostrado em um documentário 

sobre o jihadismo.






Em tempos assim, as condições estão propícias para mudanças 

bruscas contra o vento, ou seja, contra os direitos constituídos. Foi 

assim que surgiu o Decreto Patriota nos EUA, que dava plenos 

poderes ao governo de retirar quaisquer direitos da população em 

nome da segurança nacional. Que poderiam perder sua privacidade, 
que poderiam ser detidos sem causa plausível, que poderiam ficar presos, sem contato com família e advogados, por tempo indeterminado. Em tempos normais isso seria combatido de maneira firme. Em tempos de crises (verdadeiras ou criadas artificialmente por governos, vira terra de ninguém, contando com a conveniente cegueira coletiva.






O governo francês tem tecnologia de ponta em espionar seu povo, 

inclusive patrulhando as redes sociais, como um autêntico espião. 

Vinha sendo usado desde o 11 de setembro, mas recentemente a 

coisa engrossou. Foi usado e abusado durante para descobrir algo 

sobre o paredeiro dos terroristas. Vai permanecer, com a desculpa 

que serve para ajudar a segurança nacional. Os incautos acreditam. 

George Orwel é que estava certo.




O atentado ao "Charlie Hebdo" foi um filme mal produzido?







Com o fim do caso e a conseguinte morte dos criminosos (quase 

nunca são pegos com vida) o presidente François Hollande tentou 

justificar a morte dos civis, como algo inevitável. O desastre que 

foi a captura dos bandidos foi ignorada pela mídia, que prefere 

enaltecer a vitória dos mocinhos ante os facínoras. Mais uma vez a 

desinformação venceu.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PT e PSDB – COMO O BIPARTIDARISMO ESTRAGA A POLÍTICA NACIONAL




Divisão do país, intervenção militar, morte à presidenta...Nada de útil se percebe da “discussão” política nas redes sociais, que parece emburrecer ainda mais o pobre cidadão brasileiro, pouco afeito à democracia.

É possível perceber o tabuleiro da seguinte forma: de um lado petistas alienados, concordando com tudo o que o PT faz, por mais idiota e esdrúxulo que seja, enaltecendo cada ação de Dilma como uma baforada de liberdade e inclusão social, sem o menor dos defeitos, rumo a um socialismo que proverá a todos os pobres da nação.



De outro, tucanos, em grande parte, doadores de cérebro em vida, que clamam um golpe de estado por parte dos militares na esperança de salvar o país do “comunismo”, criticando cada ação do PT, esquecendo que o partido de FHC sempre fez coisas piores.



Os internautas agem como 'groupies' estéricos, defendendo ou acusando de maneira visceral, sem medir consequências; apenas para ter o gosto de dizer “o seu partido é corrupto, mas o meu não”.



Militantes pelegos do Partido dos Trabalhadores apregoam que o governo de esquerda (??) do PT é o melhor em 500 anos de história nacional. Os simpatizantes do PSDB alardeiam que a corrupção do governo petista é absurda, e que só os militares podem nos salvar. Isso em si, mostra que a argumentação política anda bem rala no país.




É, pra dizer o mínimo, risível dizer que o Partido dos Trabalhadores faz um governo de esquerda, haja vista as enormes concessões feitas ao sistema para chegar ao poder. Os inúmeros escândalos de corrupção que perseguem o partido, além da suspeitíssima morte do ex prefeito Celso Daniel, que ainda assombra a legenda.



Não menos patético os militantes virtuais dos tucanos conclamarem a primazia de uma verdadeira administração republicana, sem corrupção e exemplar aos olhos do mundo, como pensam que o ex presidente FHC era. Segundo eles, um 'sociólogo de renome mundial'. Nada que um Lexotan não resolva.



Mas sob um olhar mais crítico, essas argumentações surreais não se sustentam. O PSDB começou algo que o PT deu sequência e melhorou; um pouco ao menos. O PT fez melhorias sociais, mas sem se aproximar do que prometera no passado.



Os escândalos se avolumaram em ambas as legendas. A mídia começou a tomar partido logo cedo pelos tucanos, ignorando seus desmandos em âmbito federal e estadual. Veja, Globo, Estadão e Folha acobertam, vergonhosamente, a corrupção tucana; Carta Capital Caros Amigos e alguns blogs mais à esquerda, protegem o PT.



Expressões novas se tornaram virais nas redes. Petralhas e tucanalhas são as que definem, como as gangues de rua tem suas denominações.



Cada ato da presidente Dilma é ovacionado pelos seus fãs. Os erros são solenemente ignorados.
Cada movimento do PSDB como oposição é tido como salvação de uma nação combalida. Mesmo ações como “intervenções militares”. Pra um partido forjado na oposição ao regime militar, que o PMDB representava no fim dos anos 80 e com tão ilustres fundadores como Mário Covas e Franco Montoro, causa espécie ver o partido associado a esses movimentos golpistas. Se não pedem golpes publicamente, nada fazem por dissociar a imagem dessa onda de primitivismo político, típico de pessoas com amente tacanha. Ver o PSDB associado a um clamor pelo totalitarismo beira o ridículo.



Onde está o entendimento da real situação do Brasil? Com certeza não em frases como “o PT planeja um golpe comunista”. Isso é o cúmulo da ignorância plena. Prova da imbecilidade crônica que tomou o Brasil nos últimos anos.



Como PT e PSDB são a mesma coisa, a opção deveria ser uma terceira via. Os EUA são prova de que bipartidarismo não funciona. Por lá, pouco se vê de diferença entre os Democratas e os Republicanos. Lá, como cá, a briga é apenas para chegar ao poder, e de lá não sair mais.



A perda de temo em discutir qual é o menos corrupto, deveria ser trocada pelo “qual é a melhor opção para o país”? E, caso eu não concorde com a situação, qual a melhor forma de se fazer uma oposição que não seja raivosa, nem medieval?




Estamos anos-luz desse caminho. O da democracia plena e da política verdadeiramente estabelecida e amadurecida.