segunda-feira, 13 de maio de 2013

Jornalismo de Mentira? A Gente Vê Por Aqui




Como levar a sério uma emissora cujo departamento de jornalismo é uma farsa? Que possui uma linha editorial tendenciosa e parcial, submetendo suas notícias ao crivo de chefes de redação e diretores de jornalismo acostumados a flertar com o poder, seja ele quem for?

Um compêndio de erros que, inacreditavelmente, a coloca como a “principal” emissora do país. Como? A lógica e o bom senso não explicam.

Nessa comédia de erros, estão alguns exemplos medíocres de mal jornalismo que, aparentemente, deram certo:

* Um comentarista político como Alexandre Garcia, antigo porta-voz da presidência do ditador João Figueiredo, expoente da era Collor, pronto para reproduzir, palavra por palavra, as suas falas demagógicas. Hoje tenta se redimir criticando o governo em favor da população;


(Alexandre Garcia no humilhante papel de 'aspone' do presidente/ditador João Batista de Oliveira Figueiredo)



* Uma ex-atriz decadente (Sandra Annenberg), que como apresentadora faz uso de um “bordão”, tal qual um comediante sem graça, para “comentar” as notícias;

(Sandra em uma participação no seriado Bronco; sua atuação sem talento algum deve tê-la convencido a buscar outras atividades)


* As relações perigosas de alguns jornalistas com a Polícia Federal; sendo público, soa estranho que apenas a Rede Globo tenha acesso às investigações e às operações do órgão. É a primazia do “furo jornalístico” fazendo estragos na credibilidade da PF;


(César Tralli, adentrando a Polícia Federal, disfarçado como um deles, para entrevistar Paulo Maluf; o ardil custou caro à sua combalida credibilidade)


* Todas as afiliadas tem uma mini equipe do G1, o portal de notícias das Organizações dos Marinhos, responsável pela troca constante de informações entre as emissoras e a chefia de reportagem na Central Globo de Jornalismo (CGJ) quem, é claro, controla o que será (ou não) veiculado;




* Se o evento (esportivo ou não) de grande relevância é exclusivo de uma emissora concorrente é solenemente ignorado pelos jornalísticos da casa;




* Um programa dominical (Fantástico), quase uma revista televisiva que se dispõe a ignorar os fatos e se ater ao sensacionalismo barato em troca de alguns pontos na audiência;



* Telejornais diários que falam superficialmente sobre os assuntos e, convenientemente, evita ir a fundo a temas de relevância e que eventualmente possam causar ranger de dentes em aliados e/ou patrocinadores;

* Manipulação de informação levando o telespectador a acreditar no que a emissora quer, ocasionando muitas vezes o pré-julgamento, como no caso da Escola Base.


Estes e tantos outros fatos lamentáveis que denigram a imagem de uma tão combalida emissora de TV, cujo história está atrelada ao regime militar e suas truculências.
Estes embaraços, aos poucos, vêm causando problemas para a Globo, já que a internet tem se mostrado uma concorrente de peso por permitir que os desmandos e as farsas montadas pela “Vênus Platinada” venham a público. Há pessoas que preferem passar horas nas redes sociais, em especial o Facebook, do que assistir aos telejornais da emissora carioca.


Talvez a Famiglia Marinho tenha ido longe demais com seus planos de dominação da mídia brasileira. Uma hora a ‘bolha’ estoura.



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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Curiosidades do Mundo do Rock





As lendas e os mitos são o que mais fascinam os fãs do gênero musical que abalou o século XX. Eis alguns deles:


RUSH e o Álbum 2112 – Quarto disco da banda canadense foi lançado em fevereiro de 1976. A gravadora queria um som mais palatável ao sistema, como The Kinks, a banda que mais se adaptou ao que a indústria queria, e exigiu do Rush um som no mesmo estilo, com ameaça de não renovar com o grupo. Insatisfeitos com essa decisão, mas ao mesmo tempo confiantes no próprio trabalho, os integrantes resolveram peitar os chefões da gravadora. O esforço valeu a pena e a música foi destaque do disco e elevou a banda canadense ao top das maiores da história do rock.





Elvis e a Origem do Acústico – Em 1968 o “rei” vivia uma fase de baixa no rock and roll. Suas músicas já não tinham a mesma pegada, a trajetória no cinema só enfraqueceu sua imagem de roqueiro e o mercado fonográfico, agora muito competitivo, não o colocava entre os 10 mais da Bilboard. Mas a chance de um especial realizado pela NBC possibilitou sua volta triunfal. Feliz pelo nascimento de sua filha Lisa-Marie, ele parecia redivivo no palco. Dividido em três partes, o show ficou marcado pelo que chamamos hoje de “acústico”. Com os colegas de banda, ele repassava seus antigos sucessos, entrecortados por seus comentários e brincadeiras com o público. Ele estava mais à vontade do que nunca e seu carisma fazia toda a diferença. As outras duas partes (uma pequena apresentação no palco, sem a banda, cantando mais clássicos, tentando sem sucesso fazer sua antiga coreografia “Elvis-The Pelvis” e a parte que lembra muito os especiais do Roberto Carlos dos anos 80 e 90 na TV brasileira) deixaram a desejar. Mas o que importava era à volta por cima de uma lenda dor rock. Só por isso o Especial de 1968 já teria valido a pena.





Jimi & Jim - Em 1968, em Detroit, três lendas do rock se encontraram para uma despretensiosa apresentação. Eram eles: Jimi Hendrix, Jim Morrison do The Doors e o guitarrista Johnny Winter. Apesar de cantar pouco, Morrison ao se juntar com o maior guitarrista de todos os tempos marcou a década de 60, num dos maiores encontros da história do rock.





Syd Barrett – Após três singles e dois discos com o Pink Floyd, Syd Barrett sucumbiu às drogas. Em seu lugar entrou David Gilmour. O seu declínio impactou Roger Waters e Gilmour. Em meados de 1973, uma figura calva com ar distante apareceu de surpresa em uma sessão de gravação do Floyd. Acompanhou toda a passagem de som e se retirou. Aos poucos foram reconhecendo que aquela figura débil era na verdade Barrett. Tal evento mexeu profundamente com os integrantes, que posteriormente gravaram Shine your Crazy Diamond e Wish you Were Here em sua homenagem.





Led Zeppelin – Quando perdeu o filho em um acidente de carro, Robert Plant, vocalista do Led, resolveu dar um tempo com a banda, em plena turnê pelos EUA. Após vários meses o grupo volta para gravar o que seria seu último disco In Through the Out Door. O álbum continha a música All My Love, homenagem ao filho de Plant. Considerada uma das mais emblemáticas canções do grupo, a performance do vocalista é carregada de emoção, em especial durante o refrão.





Ramones – Paul McCartney sempre que queria anonimato em suas hospedagens mundo afora usava um pseudônimo: Paul Ramon. Foi a partir daí que Johnny, Dee Dee e Joey formaram os Ramones, em homenagem ao ex Beatle. Todos usando o mesmo “sobrenome”, como uma família. A banda punk, talvez a mais importante e longeva do punk marcou época e é referência até hoje na música.





The Doors sem Morrison – Apenas seis meses após a morte do vocalista da banda, Jim Morrison, os remanescentes do grupo resolveram seguir com o mesmo nome, usando canções compostas pelos próprios músicos, numa tentativa desesperada de provar que havia vida para o Doors, sem sua principal estrela. O resultado foi um caça-níquel pretensioso, que mancha a trajetória da banda. Se o nome fosse outro, as canções seriam bem aceitáveis. Mas como resolveram manter o mesmo nome, a comparação foi inevitável. Nos vocais, o tecladista Ray Manzereck. Nada muito animador. O que eles conseguiram foi provar que o grupo era composto por Jim Morrison e mais três.





Kiss e a Famosa Maquiagem – Quer tirar o baixista do Kiss, Gene Simmons, do sério? É só perguntar a ele se a origem da maquiagem soturna da banda foi inspirada no grupo brasileiro Secos & Molhados. Ney Matogrosso e sua trupe se apresentaram no México em 1973 e segundo reza a lenda, Simmons estava na plateia. Ele se admirou com a performance e a cores usadas pelos integrantes. Nascia aí o visual da banda Kiss. Gene nega até hoje o ocorrido.





Bachman Turner Overdrive – Considerada a banda mais careta do rock, seus integrantes (ao menos para as câmeras) rejeitavam o uso de drogas e eram reservados e comedidos com suas respectivas vidas pessoais. A antítese dos roqueiros da época e algo raro até hoje.






George Harrison, o 3º Beatle – Intimidado pela genialidade Paul McCartney e John Lennon, George Harrison sempre evitou compor. Sua timidez foi vencida ao compor a bela Here Comes the Sun. A espera valeu a pena. A canção se transformou num dos principais hits do disco e tem uma sonoridade maravilhosa. A partir daí, com mais segurança, ele se tornou figura ativa na banda. Já Ringo Starr...





Joy Division – Ian Curtis, vocalista da banda inglesa era funcionário da seguridade social no Reino Unido. Começou a se apegar a uma mulher que, assim como ele, sofria de epilepsia em estágio avançado. Quando recebeu a notícia que esta havia falecido em decorrência da doença, Ian surtou. Abalado por saber que aquilo, inevitavelmente, aconteceria com ele também, compôs uma das mais belas canções do grupo: She’s Lost Control. Curtis acabou se suicidando em 1980.






The Doors e Woodstock – Uma das primeiras bandas a ser convidadas para o festival de Woodstock, os integrantes do The Doors viram o convite ser retirado quando Jim Morrison foi processado por atentado ao pudor (supostamente mostrou o pênis em durante uma apresentação) e também por dizer em um show na Flórida que “Hitler está vivo e vive aqui em Miami”. Talvez o grupo que mais os fãs tenham sentido falta durante aqueles três dias de rock and roll, em 1969.




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quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Saúde Pede Ajuda







A notícia veiculada esta semana sobre a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar no Brasil, em especial nas regiões carentes do país escancarou uma realidade deprimente do sistema público de saúde brasileiro. 




Sonho de consumo de vários jovens, em especial da classe média, o curso de medicina é um dos mais procurados nos vestibulares.

Fazem residência e encaram os hospitais públicos como um meio para um fim, afinal todos sabem que o real objetivo é adquirir experiência para trabalhar em clínicas particulares que remuneram melhor, com uma jornada flexível. Estes estabelecimentos, com o tempo, permitem aos “nobres” doutores realizar o que sempre almejaram: trabalhar meio período, cobrando valores que variam de 300 a 800 reais por consulta, sem se esforçar muito. Com essa mentalidade, como estes “profissionais” se adaptariam em regiões empobrecidas, como o Norte e o Nordeste do país, por exemplo?




Nesse cenário, os médicos cubanos se encaixariam melhor.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) já se posicionou contrário à medida. O curioso é que o mesmo Conselho se cala sobre a discrepância dos dados vergonhosos que mostram o quão distantes das regiões carentes os recém-formados querem ficar.
Uma distorção dessas precisa ser corrigida e a forma escolhida foi essa. Política ou não a decisão tem fundamento. E é imprescindível. Ainda que seja para que a incompetência federal seja escancarada.



Cuba é referência nessa área em âmbito mundial, sendo citada até em um documentário do americano Michael Moore SOS SAÚDE. A “Ilha” já havia emprestado profissionais até para a Venezuela, quando Hugo Chaves decidiu implantar clínicas populares nas regiões mais pobres do país. Surtiu efeito desejado, tanto que foi um dos motivos da presidente bolivariano ter sido muito bem quisto pela população de baixa renda.

Saúde é o ‘calcanhar de Aquiles’ do governo brasileiro (de todos eles), seja por desvios de verba, malversação de dinheiro público, má vontade ou incompetência. A crise é endêmica e já passou da hora de ser superada, de se criar métodos para preservar a vida do povo brasileiro que agoniza nas intermináveis filas dos hospitais públicos. O Sistema Único já se mostrou insuficiente para gerir e prover a população o atendimento digno de que tanto carece. A sociedade civil assiste passivamente a degradação do sistema de saúde, Brasil afora.




Ainda que pese o fator remuneração na hora de decidir trabalhar na rede pública (e é aí onde Executivo falhou moralmente), também na hora de se peneirar o que é agradável ou não ao profissional, o brasileiro também se sente aviltado. Pois, entre trabalhar no tal “Sul Maravilha”, ou em algum lugar do Amazonas, a escolha é óbvia para o médico.
Somos todos brasileiros antes de sermos naturais da cidade X ou Y. Ao Executivo cabe dar infraestrutura e salário dignos aos profissionais. Aos doutores não desumanizar a saúde, já tão combalida. Nesse interim a nação padece por falta de consenso. Preservar a vida é um dever de quem governa e também de quem faz o juramento de Hipócrates. Mesmo que para isso tenhamos que depender de outra nação.



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domingo, 5 de maio de 2013

Por que o Brasileiro não Reclama?





Na volta para casa, na hora do rush, a barriga de nove meses da operadora de caixa Josy de Sousa Santos, de 30 anos, vai espremida entre os passageiros do metrô que liga Brasília a Ceilândia, na periferia da capital. Josy, assim como outras gestantes, mulheres com bebê no colo, idosos e pessoas com deficiência, tem direito a um assento especial em transporte público. É o que diz a Lei Federal no 10.048, em vigor desde 2000. No aperto do trem, porém, são poucas as pessoas que cedem o lugar especial à grávida. Josy não reclama. “Não peço, não gosto de incomodar nem de criar confusão”, diz. Nesse mesmo metrô, até dois anos atrás, o aposentado Antônio Alves Barbosa, de 76 anos, queixava-se quando não lhe cediam o espaço reservado para idosos. Depois que um jovem o agrediu verbalmente, desistiu de reclamar. “Ele disse que velho tinha de morrer”, afirma Barbosa.
Não se trata de um problema exclusivo do metrô de Brasília. O brasileiro não tem o hábito de protestar no cotidiano. A corrupção dos políticos, o aumento de impostos, o descaso nos hospitais, as filas imensas nos bancos e a violência diária só levam a população às ruas em circunstâncias excepcionais. Por que isso acontece? A resposta a tanta passividade pode estar em um estudo de Fábio Iglesias, doutor em Psicologia e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele, o brasileiro é protagonista do fenômeno “ignorância pluralística”, termo cunhado pela primeira vez em 1924 pelo americano Floyd Alport, pioneiro da psicologia social moderna.


“Esse comportamento ocorre quando um cidadão age de acordo com aquilo que os outros pensam, e não por aquilo que ele acha correto fazer. Essas pessoas pensam assim: se o outro não faz, por que eu vou fazer?”, diz Iglesias. O problema é que, se ninguém diz nada e consequentemente nada é feito, o desejo coletivo é sufocado. O brasileiro, de acordo com Iglesias, tem necessidade de pertencer a um grupo. “Ele não fala sobre si mesmo sem falar do grupo a que pertence.”
Iglesias começou sua pesquisa com filas de espera. Ele observou as reações das pessoas em bancos, cinemas e restaurantes. Quando alguém fura a fila, a maioria finge que não vê. O comportamento-padrão é cordial e pacífico. Durante dois meses, ele analisou o pico do almoço num restaurante coletivo de Brasília. Houve 57 “furadas de fila”. “Entravam como quem não quer nada, falando ao celular ou cumprimentando alguém. A reação das pessoas era olhar para o teto, fugir do olhar dos outros”, afirma. O aeroviário carioca Sandro Leal, de 29 anos, admite que não reage quando vê alguém furar a fila no banco. “Fico esperando que alguém faça alguma coisa. Ninguém quer bancar o chato”, diz.


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Iglesias dá outro exemplo comum de ignorância pluralística: “Quando, na sala de aula, o professor pergunta se todos entenderam, é raro alguém levantar a mão dizendo que está com dúvidas”, afirma. Ninguém quer se destacar, ocorrendo o que se chama “difusão da responsabilidade”, o que leva à inércia.
Mesmo quem sofre uma série de prejuízos não abre a boca. É o caso da professora carioca Maria Luzia Boulier, de 58 anos. Ela já comprou uma enciclopédia em que faltava um volume; pagou compras no cartão de crédito que jamais fez; e adquiriu, pela internet, uma esteira ergométrica defeituosa. Maria Luzia reclamou apenas neste último caso. Durante alguns dias, ligou para a empresa. Não obteve resposta. Foi ao Procon, mas, depois de uma espera de 40 minutos, desistiu de dar queixa. “Sou preguiçosa. Sei que na maioria das vezes reclamar não adianta nada”, afirma.


O “não-vai-dar-em-na-da” é um discurso comum entre os “não-reclamantes”. O estudante de Artes Plásticas Solano Guedes, de 25 anos, diz que evita se envolver em qualquer situação pública. “Sou omisso, sim, como todo brasileiro. Já vi brigas na rua, gente tentando arrombar carro. Mas nunca denuncio. É uma mistura de medo e falta de credibilidade nas autoridades”, afirma.
A apatia diante de um escândalo público também é freqüente no Brasil. Nas décadas de 80 e 90, o contador brasiliense Honório Bispo saiu às ruas para lutar pelas Diretas Já e pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor. No mês passado, quando o plenário do Senado realizou uma sessão secreta para julgar o presidente da casa, Renan Calheiros, o contador tentou reunir alguns colegas para uma manifestação em frente ao Congresso Nacional. Poucos compareceram. Depois disso, Bispo disse que ficou desestimulado. “Os movimentos estudantis não se mobilizam mais. A UNE sumiu”, diz, referindo-se à outrora influente União Nacional dos Estudantes.
O estudo da UnB constatou que a “cultura do silêncio” também acontece em outros países. “Portugal, Espanha e parte da Itália são coletivistas como o Brasil”, afirma o psicólogo. Em nações mais individualistas, como em certos países europeus, os Estados Unidos e a vizinha Argentina, o que conta é o que cada um pensa. “As ações são baseadas na auto-referência”, diz o estudo. Nos centros de Buenos Aires e Paris, é comum ver marchas e protestos diários dos moradores. A mídia pode agir como um desencadeador de reclamações, principalmente nas situações de política pública. “Se o cidadão vê na mídia o que ele tem vontade de falar, conclui que não está isolado”, afirma o pesquisador.
O antropólogo Roberto DaMatta diz que não se pode dissociar o comportamento omisso dos brasileiros da prática do “jeitinho”. Para ele, o fato de o povo não lutar por seus direitos, em maior ou menor grau, também pode ser explicado pelas pequenas infrações que a maioria comete no dia-a-dia. “Molhar a mão” do guarda para fugir da multa, estacionar nas vagas para deficientes ou driblar o engarrafamento ao usar o acostamento das estradas são práticas comuns e fazem o brasileiro achar que não tem moral para reclamar do político corrupto. “Existe um elo entre todos esses comportamentos. Uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto”, diz o antropólogo.



O sociólogo Pedro Demo, autor do livro Cidadania Pequena s (ed. Autores Associados), diz que há baixíssimos índices de organização da sociedade civil – decorrentes, em boa parte, dos também baixos índices educacionais. Em seu livro, que tem base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o sociólogo conclui que o brasileiro até se mobiliza em algumas questões, mas não dá continuidade a elas e não vê a importância de se aprofundar. Um exemplo é o racionamento de energia ocorrido há cinco anos: rapidamente as pessoas compreenderam a necessidade de economizar. Passada a urgência, não se importaram com as razões que levaram à crise. Para o sociólogo, além de toda a conjuntura atual, há o fator histórico: a colonização portuguesa voltada para a exploração e a independência declarada de cima para baixo, por dom Pedro I, príncipe regente da metrópole. “Historicamente aprendemos a esperar que a decisão venha de fora. Ainda nos falta a noção do bem comum. Acredito que, ao longo do tempo, não tivemos lutas suficientes para formá-la”, diz Demo.
A historiadora e cientista política Isabel Lustosa, autora da biografia Dom Pedro I, um Herói sem Nenhum Caráter (ed. Companhia das Letras), acredita que os brasileiros reclamam, sim, mas têm dificuldades de levar adiante esses protestos sob a forma de organizações civis. “Nas filas ou mesas de bar, as pessoas estão falando mal dos políticos. As seções de leitores de jornais e revistas estão repletas de cartas de protesto. Mas existe uma espécie de fadiga em relação aos resultados das reclamações, especialmente no que diz respeito à política.” Segundo Isabel, quem mais sofre com a falta de condições para reclamar é a população de baixa renda. Diante da deterioração dos serviços de educação e saúde, o povo fica sem voz. “Esses serviços estão pulverizados. Seus usuários não moram em suas cercanias. A possibilidade de mobilização também se pulveriza”, diz.
Apesar das explicações diversas sobre o comportamento passivo dos brasileiros, os estudiosos concordam num ponto: nas filas de espera, nos direitos do consumidor ou na fiscalização da democracia, é preciso agir individualmente e de acordo com a própria consciência. “Isso evita a chamada espiral do silêncio”, diz o pesquisador Iglesias. O primeiro passo para a mudança é abrir a boca.




link original AQUI.


sábado, 4 de maio de 2013

O Velho Mundo é tão Difícil de Entender...





Vivendo uma crise econômica sem precedentes os europeus insistem em se apegar a atavismos históricos, inúteis nos dias de hoje.

Continente famoso por sua pujança secular, fruto dos espólios roubados dos quatro cantos do mundo, a Europa vive dias de turbulência financeira e social; mas nem assim abdica de hábitos arraigados, principalmente em países pretensamente evoluídos.

Inglaterra e Espanha, só para citar os casos mais famosos, mantém dispendiosas monarquias, inúteis na era contemporânea, que causam rombo significativo no orçamento anual dos respectivos países. Dinheiro dos contribuintes que serviriam melhor aos concidadãos se fosse aplicado em áreas mais cruciais como saúde, segurança e emprego. Nações estas que tem altíssimos índices de desemprego e fazem sacrifícios brutais enquanto a realeza se esbalda na fartura.





O Príncipe William e sua esposa Kate, por exemplo, são destaque constante na imprensa britânica. Cada evento, cada festa o casal real é exibido a exaustão, como se não houvesse prioridades para a mídia.

A Rainha Elizabeth e sua majestosa família consomem uma quantidade exorbitante de dinheiro, assim como espaço importante na imprensa local. Ainda assim são reverenciados como divindades.





Tal qual na Espanha, onde o chamado vazio legal da monarquia demonstrou toda sua inutilidade em escândalos que abalaram a confiança dos espanhóis com relação ao Rei Juan Carlos e sua família.

Após escândalo do rei, monarquia é questionada

Espanha: escândalo com genro não afeta apenas o Rei Juan Carlos, mas coloca a monarquia na berlinda

Isso tudo em um país cujo a taxa de desemprego atinge os estratosféricos 25%. Mesmo assim, a realeza espanhola abocanhou, só em 2012, o equivalente a 2 milhões de Euros. Isso só em salários.



Felizmente, após tantos descalabros, aos poucos, tanto espanhóis quanto ingleses parecem perceber com todas as reais nuances o tamanha da disparidade, depois de tantos escândalos e tanto desperdício.




Ainda assim, pode-se dizer que o Velho Mundo é muito difícil de entender. Tal qual o 3º mundo. A diferença é que aqui, no andar de baixo, não se tem tanto dinheiro pra tamanho banquete, nem se tem reis e príncipes para sustentar. Epa! Peraí! Aqui tem o Congresso Nacional!!



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sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Dia 11 de Setembro Ainda não Acabou








Sei que muita gente ainda não acredita na teoria do atentado contra as Torres Gêmeas ter sido um "trabalho interno", apesar de inúmeras provas dizendo que há muito mais chance do próprio governo americano estar envolvido do que a Al-Qaeda. Em mais um vídeo para refutar a tese, a BBC de Londres fala sobre o atentado e a repórter cita que as 3 torres já haviam desabado. O curioso é que atrás dela, uma das torres ainda não havia caído (a torre 7). Para ela já era algo consumado. Mas  a realidade é outra.

Repare que as legendas abaixo do vídeo já citam três torres atingidas por aviões sequestrados por terroristas.







News Reports WTC7 Fell Before It Happens!




Acostumados a acreditar piamente em tudo o que é veiculado na Fox News ou na CNN, o público americano, que tem o perfil exato de Homer Simpson, cometeu de novo, o mesmo erro com relação ao atendado em Boston. Isso, apesar das inúmeras fotos e vídeos que colocavam o governo federal na berlinda.

No vídeo abaixo, uma suspeita quanto a procedência do avião. A maioria afirma não ser um jato comercial que atingiu as Torres.






Enquanto houver a predisposição dos cidadãos dos EUA de acreditarem em tudo que a mídia veicula, sem a mínima contestação, a CIA, o FBI, o Governo Federal poderão fazer o que quiserem e culpar qualquer imigrante. E nunca subestime a capacidade dos americanos em culpar os estrangeiros. Sua xenofobia é intermitente e assustadora.



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11/9 - O DIA QUE NÃO EXISTIU


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Ivete Sangalo e os Coronéis do Nordeste










Envolvida em uma polêmica devido a um cachê exorbitante recebido para participar da inauguração de um hospital, a cantora Ivete Sangalo preferiu se eximir de qualquer problema com relação ao assunto. 




A posição por parte da artista foi dúbia. Mas isso vem de longe. Em 2011 Ivete ganhou outros 840 mil da prefeitura de Fortaleza para participar do Réveillon, também investigado pelo Ministério Público local. Bom, a obra inacabada e prematuramente inaugurada já desabou.






A cantora tentou se esquivar, como de costume sobre o tema, que lembra as mesmas polêmicas que envolviam estrelas da MPB da Bahia de ACM. Em comum? Os interesses próprios são o mais importante; a população que padece nas mãos de políticos mequetrefes que se dane.


ACM

Responsável pelo atraso da Bahia por décadas, Antonio Carlos Magalhães fez do estado seu feudo particular. Derrubou inimigos com seus jogos espúrios de bastidor, deu suporte total aos gângsteres da ditadura militar e às milícias do Esquadrão da Morte e concentrou em suas mãos o monopólio da comunicação, tanto na capital Salvador, quanto no interior; agressão à repórter de TV (TV Itapoan, afiliada do SBT, em 1986). E tantas outras coisas sórdidas que poderiam gerar consequências sérias a esse blogueiro se fossem reveladas. Por tudo isso e muito mais ACM ganhou a alcunha de TONINHO MALVADEZA.



Não se ouvia uma única voz dissonante vinda dos expoentes culturais, conterrâneos do político. Ao contrário; havia fila para a cerimônia de “beija-mão” do painho.

Uma contradição crônica, visto que Caetano Velloso, Gilberto Gil, por exemplo, protestaram contra o regime militar, mas convenientemente esqueceram que Antonio Carlos fizera parte ativa do ‘status quo’.
A disparidade social e até racial na Bahia de Todos os Santos recrudesceu sob a batuta do então governador e depois senador.




Nos anos 80, o Carlismo continuava plenamente ativo, dessa vez na figura de Ministro das Comunicações do governo Sarney, onde se sentia a vontade para distribuir concessões de rádio e TV a parentes, amigos e comparsas.



Na década de 90, primeiro como aliado fiel de Collor, depois como mandachuva da administração FHC, foi figura mais importante do que o rei.

De novo, sem contestações públicas por parte de celebridades da música. Só aplausos e bajulações. E tudo porque dependiam dele, dos eventos financiados por sua administração e seus acólitos.







Nada mudou no século XXI. A mesma miséria, desigualdade, políticos e retóricas populistas. E como ACM, há (e houve, pois alguns se foram , mas deixaram herdeiros) outros coronéis espalhados pelo Nordeste. Geddel Vieira Lima, Inocêncio de Oliveira, Marco Maciel (vice-presidente de FHC), João Alves, Genebaldo Correa, Ricardo Fiúza. A lista é grande, assim como a situação de sortilégios que os nordestinos enfrentam. Nessa toada segue uma das regiões mais pobres do país. Por mais que o Bolsa-Família tenha trocado o coronelismo local pelo federal, os senhores feudais ainda existem; assim como seus efeitos nocivos à população e o populismo atroz.




Ao confraternizar (e cacifar) com os realizadores do evento, Ivete Sangalo, outra admiradora contumaz de ACM, mostra que o sofrimento de muitos não se sobrepõe a ganância de poucos. E um cachê de quase 700 mil reais é um argumento bem forte para esquecer-se disso.



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