Torcer por uma agremiação já não tem muita
lógica. Como hobby, vá lá. Mas para muitos brasileiros torcer é uma religião. E
tal qual um fanático religioso que se acha seguidor da única crença que leva a
salvação absoluta, para torcedor compulsivo se arvora no direito de,
presunçosamente, dizer “meu time é o melhor”.
Isso se reflete no modo como muitos ingênuos
se comportam com relação à seleção brasileira.
Durante o regime militar, a “canarinho” era
usada como isca para distrair a opinião pública, enquanto as atrocidades
corriam soltas nos sombrios porões dos quartéis. Um bom exemplo é assistir ao
filme “Pra Frente Brasil”, que fala a respeito. Primoroso.
E ainda assim, até hoje, jogos (oficiais ou
não) são usados para confundir os incautos. Enquanto houver partidas de futebol,
o cérebro não foca em assuntos sérios.
COPA E
ELEIÇÃO –
Ano de Copa do Mundo, no mesmo ano de eleições
majoritárias. Coincidência? Sem chance.
O pleito de 1989 já estava marcado, como a
primeira eleição presidencial livre para presidente, após duas décadas. José
Sarney, o senhor absoluto do Maranhão, fazia jogo duro sobre a duração de seu
mandato como presidente “tampão”.
Amparado na popularidade efêmera conquistada
com o famigerado “Plano Cruzado”, Sarney se considerava ungido dos céus para
dar sequência a pseudoestabilidade econômica.
Após eleger quase todos os governadores
possíveis Brasil afora, graças ao Cruzado, o político maranhense viu que era
hora de dar o bote. Disse que era necessário que seu mandato durasse seis anos.
Ele sabia que não seria aceito por seus opositores, que tentaram barganhar e
ofereceram cinco. Sarney aceitou, desde que seu sucessor só tivesse apenas
quatro anos.
Tudo certo, matemática feita e ele sairia em
1989 e as próximas eleições seriam em 1994,98, 2002...Sempre em ano de Copa do
Mundo. Numa feliz coincidência,para os alienados de plantão, é claro.
Para os que entendem os meandros do Establishment, o ardil era óbvio, mas
perspicaz.
Não se trata de desconstruir imagem da
seleção brasileira. Sei que muitos a defendem com unhas e dentes. Há os que
sequer admitem críticas à única (e pálida) esperança tupiniquim: Neymar. São
pessoas que entraram no jogo do ‘sistema’, foram absorvidas pelo Status Quo e nem perceberam. Sei disso,
porque já fui excluído da página de algumas pessoas nas redes sociais, por
criticar a “joia” santista. Um claro exemplo de quem optou, claramente, pelo NÃO
PENSAR.
De novo: torcer, como um mero passatempo, sem
problemas. Ser contagiado por ufanismo barato é atraso de visa e, conseguinte,
da sociedade.
Os políticos
agradecem cada vez que os trouxas gritam gol...
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