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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O MELANCÓLICO RETRATO DO FUTEBOL BRASILEIRO




Se a palavra “tapetão” sempre foi usual no jargão futebolístico nacional, ao menos ela estava ausente dos noticiários, já há algum tempo.

Muito pela necessidade mercadológica, o esporte preferido dos brasileiros apresentara evolução, desde 2003 ao adotar a fórmula dos pontos corridos. Talvez o último grande centro esportivo a adotar o padrão. Mesmo contra a opinião de alguns cartolas e, certamente, contrário à visão da emissora mandatária do país –ao menos a famiglia Marinho pensa assim.

Isso dificultaria a vida daqueles acostumados com a legitimidade do erro. E por estas bandas sempre foi uma coisa comum. Isso somado ao fato que a criação do Estatuto do Torcedor permitia uma visão mais profissional do futebol, acostumado a ser tratado como várzea, em pleno século XXI.



Em 1998, o Fluminense disputou a Segundona, mas acabou novamente rebaixado, desta vez para a Série C. Em 1999, a equipe foi campeã da Terceirona, mas saltou direto para a Série A na Copa João Havelange, em 2000, quando o caso Sandro Hiroshi bagunçou o futebol nacional.Em 2006 foi a vez do Corinthians e o Atlético-PR se envolverem em esquemas. Dirigentes de ambos os clubes foram pegos em escutas autorizadas pela justiça.

Em 2005, a Máfia do Apito nos mostrava o maior caso de manipulação de resultados da história. Um grupo de investidores havia “negociado” com o árbitro Edílson Pereira de Carvalho (integrante do quadro da FIFA), para garantir resultados em que haviam apostado em sites. Descobriu-se a participação de um segundo árbitro no esquema, Paulo José Danelon. Ambos, Paulo José e Edílson, foram banidos do futebol e, depois, denunciados pelo Ministério Público por estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Bom, em 2013 parece que a normalidade se perdeu no campo, mais uma vez. A Portuguesa, ao escalar um jogador irregular, com a anuência da Dona CBF foi a maior prejudicada; e, conseguinte, o Fluminense, virtual rebaixado, quem se deu bem na história, que está longe de acabar. Com o envolvimento do Ministério Público, as coisas tendem a se tornar mais vergonhosas, há poucos meses de se realizar a Copa do Mundo.

Em um ano em que, praticamente tudo deu errado, o melancólico final do Brasileirão é apenas o retrato escancarado de um produto, outrora rentável, mas que vem sendo dilapidado por cartolas incompetentes e gananciosos e de uma emissora de TV que ajudou a desgastar o esporte. Eis alguns exemplos:


COPA DO MUNDO

A corrupção e o superfaturamento correram soltos, desde o início das obras para a competição.

Com o agravantes das mortes nos estádios do Corinthians e da Arena Manaus. Na ESPN: o Ministério Público constatou que somente 63 das 64 obrigações relacionadas a normas de proteção ao trabalhador foram ignoradas pela construtora Andrade Gutierrez nas obras do estádio de Manaus. No último fim de semana, um operário morreu ao cair de uma altura de 35 metros - trabalhava na cobertura do campo. O elefante branco amazonense custará mais de R$ 600 milhões.

SUSPEITA DE ARRANJO EM JOGOS

O flagra do jogador cruzeirense Júlio Batista avisando para o jogador Cris do Vasco para “fazer mais um”, era um sinal claro de que havia algo de podre no reino da Dinamarca.

BRIGA ENTRE TORCIDAS ORGANIZADAS

Não de hoje o problema, mas a incompetência com que se lida com a questão é assombrosa. E em mais um caso de selvageria, o jogo entre Vasco e Atlético-PR foi a despedida patética do campeonato. Resultado: três “torcedores” em estado grave nos hospital um em estado de coma. Lembrando que os marginais das uniformizadas já haviam protagonizado um 'espetáculo dantesco', na Bolívia, ao matarem um garoto local com o lançamento de um sinalizador. Pior que isso, só a imprensa nacional tomar partido dos criminosos, que ficaram detidos na Bolívia. Lá não é como cá. E no exterior, a imagem da sede da Copa 2014 continua se deteriorando.


MUNDIAL DE CLUBES

Em situações normais, um time brasileiro ser derrotado por um que não seja europeu, é zebra. O problema que já não é mais exceção. O Raja Casablanca repetiu o Mazembe contra o Internacional e despachou de forma humilhante o Atlético-MG. A “síndrome de vira-latas” faz com que os clubes nacionais, ao ganhar a Libertadores apenas e tão somente pensem no Mundial em dezembro, como se isso fosse a redenção: derrotar o primo rico. Os clubes da Europa só pensam nisso poucos dias antes da competição. Uma necessidade tremenda de autoafirmação por parte dos times tupiniquins.

A PARCERIA COM A TV

A Globo sempre fez de tudo para manter o monopólio das transmissões esportivas. Denúncias de coerção e outros tipos de pressão contra os clubes para manter a "fidelidade" sempre foram comuns. E mesmo com todo o esforço, o futebol tem apresentado flagrante declínio em audiência, seja aos domingos, seja durante a semana. Horários absurdos (22 horas), excesso de partidas são alguns dos motivos para tal fenômeno.

DÍVIDAS COM A UNIÃO

Na Folha: "O deputado Vicente Cândido (PT-SP) e o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), levaram ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o projeto de lei para acabar com as dívidas fiscais dos clubes (seja com o Fisco e seja as ações trabalhistas), é o que informa a coluna Painel FC, da Folha de S.Paulo. Junto ao texto, foi entregue a Rebelo um abaixo-assinado com mais de 100 assinaturas de presidentes de clubes pleiteando a aprovação". E, acreditem, há muita chance de isso ser aprovado pela presidente Dilma. Enquanto os trouxas Brasil afora continuam a pagar impostos.


Com tudo isso, fica a dúvida sobre o futuro do esporte mais popular do país, que já viveu dias melhores, dentro e fora das 4 linhas. E se acontecer nada menos do que o título da seleção brasileira no mundial em 2014, a crise tende a se agravar. Talvez seja exatamente isso que falte: um choque de realidade para a nação entender que nem dentro de campo e muito menos fora dele, as coisas são como antigamente. Nem de longe...


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Um comentário:

  1. No brasil é assim; paga-se pra assistir jogo que não vale nada,leva-se porrada daqueles que são sustentados pelo seu dinheiro e ainda se é chamado de criminoso em rede nacional, correndo-se o risco de ir para a prisão,onde pelo menos terá direito a três refeições,mas sempre na eminência de ser estuprado ou assassinado por algum louco que foi preso por vender drogas para alguns filhinhos de papai, que fazem medicina,para depois trabalharem em clínicas particulares,mesmo que todo o seu curso tenha sido financiado pelos impostos pagos por uma maioria de fanáticos por futebol,que assistem todo domingo,uma partidinha que termina geralmente em zero a zero,mas que é bem divulgada por ter jogadores ganhando fortunas e fazendo comerciais ,vendendo carros e cervejas para a povo,cujo alguns membros, são parados pela chamada lei seca ou pelo poste mesmo, que terá de ser trocado no dia posterior,por algum funcionário mal remunerado,já que não é jogador profissional estrela e nem político ou banqueiro, que fará seu honesto trabalho e chegará em casa tarde da noite depois de ter bebido a cervejinha do comercial, ouvirá bons gritos da espoja, a qual acalmará com uns suaves tabefes,que serão denunciados em delegacia especial de proteção a mulher,que mandará o trabalhador para o xilindró,no qual terá alem das refeições uma televisão para poder assistir o jogo entre o primeiro lugar,que já é campeão e o último colocado que já está rebaixado,numa partida que o melhor que pode acontecer é uma briga generalizada,com sangue,mortes e muita ladainha por parte dos comentarista que tentarão vender seus produtos nos intervalos dos socos e pontapés.

    http://afuriadalibido.blogspot.com.br/2013/12/no-brasil-e-assim-futebolporrada-festa.html

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