quarta-feira, 26 de março de 2014

UM IMPÉRIO MEDIEVAL E DECADENTE



Como surge um império? Geralmente, com o propósito de dominação e exploração. 

É o caso da milenar Igreja Católica Apostólica Romana. Surgiu se apropriando de um movimento popular (Cristianismo) que se opunha ao estado de coisas vigente em Roma, no século II; com o crescente apoio da população, era natural absorver a revolução, antes que se tornasse incontrolável.


Mas esse “golpe” deveria ter viés oficial. Os perpetradores do estratagema contavam com a ignorância de boa parte de seus fiéis e com a massificação –diga uma mentira, várias vezes, e ela se torna verdade.

O primeiro engodo veio com a presunçosa alegação de que Pedro, o apóstolo, era o fundador da Igreja. Até hoje os nomes se mantém: o Trono de Pedro, a Basílica de São Pedro. Mas nenhum dos prosélitos de Cristo passaram ou se estabeleceram em Roma para que tal afirmação fizesse sentido. Mas o populacho aceitou. Impingia-se nas mentes tacanhas que Roma tinha uma autoridade especial, exatamente por seu “vínculo” com Pedro. E começam aí as mentiras.


Para se investir de autoridade divina, São Jerônimo foi incumbido de fazer a edição final da bíblia, que ganharia o estranho adjetivo de '‘sagrada’'. 

Jerônimo teve em suas mãos livros escritos em latim, hebraico e grego. Ele decidiu o que faria parte da edição derradeira e o que não combinava com o que a recém-criada igreja Católica queria. Inúmeros escritos ficaram de fora, por contestarem coisas que seriam sumariamente violadas por Roma. Vide OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO.


O mundo, hoje segue a bíblia que a igreja criou. Excetuando-se a dos evangélicos que tem seis livros a menos, após a reforma de Matinho Lutero. Mas o império tinha, enfim, o '‘livro oficial de deus’'. E com ele começou a governar.

Mas todo império necessita de vultuosas somas de dinheiro, de riquezas para se manter. Mas se uma empresa não produz, como arrecadar? 

Uma fonte importante de renda era a contribuição compulsória, ou dízimo. A Igreja Católica institucionalizou a cobrança no Concílio de Macon, em 585, estabelecendo a quantia de 10% das posses dos fiéis. 


A coleta dava certo, mas não condizia com a ambição descabida dos clérigos, cada vez mais ávidos em enriquecer rapidamente, contrariando a velha máxima de Jesus: “dê de graça o que recebeste de graça”.

A venda de indulgências caiu como uma luva. Mediante ouro ou joias, pessoas acreditavam piamente que seriam perdoadas se confessassem com um padre ou bispo, desde que também contribuíssem para a “causa do senhor”. Os pecados foram “catalogados”. Assassinatos: 20 Ave-Maria, mais algumas joias; roubo, 10 Pai Nosso e moedas de prata. E assim sucessivamente. Deus perdoava, mas por uma quantia módica.

Também se tornou recorrente a cobrança de valores para '‘salvar entes queridos do purgatório’'. Como um representante “oficial” de deus na terra, somente o papa poderia salvar determinada pessoa. Indo para o céu ou inferno, dependia da quantidade paga pela intercessão papal. Algo que fere o raciocínio lógico, além de demonstrar uma total falta de caráter.


O líder máximo da Igreja passava a ser considerado como o homem mais poderoso do mundo ocidental. Reis eram submetidos a sua aprovação; guerras eram iniciadas a seu bel prazer. O destino da vida dos fiéis eram determinados por ele. Era imposto ao mundo a visão e vontade egoísticas de um só homem, travestida de “vontade divina”.

Até nos nomes oficiais a presunção era escancarada. O nome “papa” é meramente fantasia. Autoproclamado como VIGÁRIO GERAL DE DEUS NA TERRA, PRÍNCIPE DE DEUS, VIGÁRIO DO FILHO DE DEUS e PRÍNCIPE DO CLERO, num gesto de megalomania aguda.

A igreja se tornara um império financeiro com o advento do Banco do Vaticano. Uma fonte de riquezas ímpar na Terra. Nenhum reino tinha tamanho poderio econômico. 

O “supremo pontífice” via seu domínio aumentar, quando as descobertas de Espanha, Portugal e Inglaterra chegaram a um novo continente. Além de dar apoio às expedições (por módicas quantias em retorno), era a forma de ampliar os tentáculos da empresa. 


Vozes dissonantes eram levadas às câmaras de torturas das igrejas. Perante o tribunal da “santa” Sé, o acusado deveria retirar o que havia dito ou escrito (como por exemplo “a terra é redonda”). Em caso de negativa, o réu era queimado em praça pública. Para justificar tamanha barbárie era usada a bíblia; mas no mesmo livro, as passagens “ame ao teu próximo como a ti mesmo”, ou “perdoai até 7 vezes 70”, eram, convenientemente ignoradas.

A ampliação do império católico era sem precedentes. Seu domínio assustava. A Igreja convenceu o mundo que a figura papal era mais importante do planeta e, conseguinte, deveria ser venerada incondicionalmente.

Não havia mais humanidade (se é que existiu em algum momento da história de Roma), nem vínculos com os primórdios da cristandade. A humildade e o amor e dedicação ao próximo foram trocados pela usura, corrupção e luxúria. A figura simplória de Cristo fora esquecida, exatamente por representar o desapego às riquezas e o distanciamento do poder -- "a César o que é de César, e a deus o que é de deus”. Enfim, o que era sagrado virou profano. Na lama em que se encontrava o Vaticano, praticamente nada se salvava.

O que leva alguém ao sacerdócio? E como se vai de um idealismo (servir ao próximo) à ganância descabida? 

Barganhando milagres como uma meretriz, o papa (seja quem for) lesava a pura e verdadeira fé dos primeiros seguidores de Jesus. Os poucos que ousaram se rebelar contra tamanha perfídia foram expulsos, excomungados, desacreditados ou lançados à fogueira.

Nos cultos, os preceitos eram repetidos mecanicamente. A palavra '‘deus’' apenas algo decorativo. Os pobres, objetivo maior dos ensinamentos do Messias, relegados à própria sorte. Assim como nos três poderes, também no seio da igreja havia corruptos, desvios de dinheiro e constante ofensa aos ensinamentos de seu pretenso fundador.

Ainda no século XVIII, a mais enojante das ações vindas de Roma: foi-se instituído a INFALIBILIDADE PAPAL. Trocando em miúdos, um papa, fosse quem fosse, NUNCA errava. Era imune à falhas. Seu grau era de perfeição absoluta. Mais uma cusparada na cara das pessoas racionais. Mas também com esse último disparate, a até então incontestável  figura do pontífice fora coberta de criticas. França foi responsável pela derrocada do Vaticano e seu poderio mundial.


Alianças com ditadores, apoio a regimes de exceção, conluio com pessoas de caráter duvidoso e silêncio conivente com holocaustos se tornaram a tônica de uma já decadente Igreja. Os ecos do protestantismo tomando seus fiéis, fizeram com que o Vaticano endurece o discurso. Mas pouco adiantou. Sem poder recorrer ao fogo, companheiro de longa data, o Papa agora se via obrigado a recriminar seus desafetos. 

Todos os clérigos ao redor do mundo faziam algo semelhante. Covardemente escondidos atrás de seus púlpitos, vociferavam palavras negativas e conclamando seus discípulos a se oporem aos que criticavam os ensinamentos do Santo Padre”. 
O Vigário de deus, com suas roupas majestosas inspiradas nos antigos sacerdotes egípcios, com seus sacramentos e trindade, também copiadas descaradamente do antigo Egito ainda mantém o status de maior religião do mundo. Em franca decadência, é claro. Mas mantém a primazia em muitas nações.


Uma instituição que tem imóveis pelo planeta afora (pratica a especulação imobiliária), seu banco próprio (envolto em inúmeros escândalos), com sucessivos caos de abusos de menores em suas fileiras, não poderia nem remotamente dizer que representa o criador, na terra. Usar o nome de Pedro para legitimar sua fundação é um grosseiro desrespeito a sua memória de simples batalhador pela causa justa. Dizer que fala em nome de Jesus é um acinte, já que ele andava entre mendigos, prostitutas e leprosos. Coisas impensáveis para os pomposos clérigos católicos que nadam em dinheiro e repelem pobres.

Cabe à nova direção da empresa (papa Francisco) mudar a imagem desgastada da multinacional, antes que o estrago seja irreparável. 

Sua tática de aceitar homossexuais na igreja, permitir em determinadas condições, o uso de métodos anticoncepcionais, abdicar publicamente do luxo e abrir investigação interna sobre os casos de pedofilia mostram um sinal positivo, principalmente se for algo palatável. 

Francisco, assim como seu predecessor, tem o nome envolto em escândalos. Acusam o Pontífice de apoiar os ditadores na Argentina durante a ditadura militar, assim como Bento XVI era nazista e militou na causa por muito tempo, além de ter encoberto muitos padres e bispos pedófilos. 

Uma guinada na maneira como se encara os demônios internos, pode dar ao Vaticano uma visão mais positiva da população mundial. 

Pra quem depende, e muito, do dinheiro alheio para sobreviver no mercado, a Igreja Católica demorou muito para fazer uma auditoria interna para sanar seus problemas administrativos. Talvez não seja tarde demais.




quarta-feira, 12 de março de 2014

INVASÃO, CRISES E RUPTURAS




EUA desrespeitar as nações soberanas é algo comum. Monstruosamente comum. Ter alguém que lhes faça frente, segurando um espelho a mostrar suas ações nefastas bom, até pouco tempo não havia. Mas nos últimos anos as coisas mudaram em âmbito geopolítico.



Obama e seu antecessor, George Bush, se acostumaram a tomar boa parte do planeta como seu quintal particular. A invasão do Iraque foi a principal prova disso. Além de invadir, Bush saqueou o país, rico em petróleo. A comunidade internacional, amedrontada após o 11 de setembro e temendo as consequências de uma possível recusa de ajuda ao Tio Sam, apoiou. Não houve objeções.
Os drones, naves não-tripuladas capazes de matar um alvo a uma distância segura, assassinaram milhares de pessoas no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália. De novo, silêncio sepulcral da ONU e dos países do Ocidente.

Aconteceu com a Líbia, em 2011, o mesmo que ocorreu no Iraque, em 2003: uma 'bandeira falsa', uma mentira pra justificar uma invasão. Cria-se um factóide, espera a mídia corrupta fazer seu trabalho de porta-voz do governo, divulgando a propaganda com uma razão plausível (ao invés de questioná-la), a plebe engole a mentira com a desculpa de guerra ao terror e os "heróis" são conclamados para o combate, protegendo e servindo à nação. Kadhafi, assim como Saddam, ex aliados dos EUA, serviram seus propósitos e foram sacrificados quando não eram mais necessários à causa. E mais uma vez, ninguém questionou as ações beligerantes dos americanos.

As coisas começaram a se alterar no ano passado, quando a China resolveu mudar sua postura na Ásia, talvez devido às constantes provocações das forças armadas americanas, com preocupante presença na vizinhança chinesa. Washington tem dois protegidos na região: Coréia do Sul e o Japão, o mesmo país que fora alvejado com bombas atômicas pelos EUA em 1945. O governo chinês aumentou a tensão entre as potências após a criação de uma controvertida zona de defesa aérea no mar da China Oriental. Pequim decidiu mudar a "direção" de uma zona de defesa de identificação aérea (ADIZ) que inclui as ilhas Senkaku (Diaoyu em chinês), administradas por Tóquio e reivindicadas pela China. A tensão permanece.

O governo chinês chegou a divulgar um relatório sobre o constante desrespeito dos EUA na área de direitos humanos, numa retaliação à Obama por constantemente criticar a China nesse assunto. Veja AQUI. 


O EFEITO SÍRIA

Em 2008, a crise que acometeu a Geórgia com sua crescente aproximação com a União Europeia e com os Estados Unidos foi o estopim para uma crise com a Rússia. O fornecimento de petróleo para a Europa ficou comprometido e a Ossétia do Sul com os principais dutos das petrolíferas, sob constante vigilância do governo russo. O presidente americano se viu em uma sinuca de bico. Como era o Velho Urso, acabou mais na retórica, do que nas sanções. Veja AQUI.

Mas daí veio a Síria. Com uma vasta fonte de gás natural e uma nação que não aceita ingerência americana, era o alvo a ser batido. Mas tinha, uma vez mais, uma Rússia no caminho. Desta vez ainda mais forte e com seu papel de potência mundial estabelecido no cenário geopolítico.



Aliado de longa data de Moscou, o regime de Bashar Al-Assad se mostrou um adversário maior do que Washington esperava. Além da proteção de Vladimir Putin, presidente russo, havia o Hezbollah, o Irã e a própria China que, se não apoiou militarmente, se manifestou a favor de Assad, que não é um santo, mas se está ruim com ele, imagina nas mãos dos amiguinhos da Otan?

Parte de um sonho antigo dos EUA, a divisão da ex União Soviética partiria pela Ucrânia. Seguindo a filosofia de Napoleão (dividir e conquistar), os fantoches da Nova Ordem Mundial (Obama, John Kerry e Hillary “Hitler” Clinton) apressaram-se a dizer que “os ucranianos clamavam por mudanças e, por isso, contam com nosso apoio”; e por apoio entenda-se ajudar grupos neonazistas e de extrema direita a derrubar o presidente eleito democraticamente. Alardeou-se que era uma revolução. Não é. Revolução é uma formação social. Mas em Kiev, o que se viu até agora transmite a mensagem em contrário: não houve alteração social alguma. Houve um golpe de estado e contou com o apoio do Ocidente. E as coisas estavam, aparentemente, indo bem (se é que dar suporte a nazistas seja '‘ir bem’'), mas havia, novamente, uma Rússia pelo caminho.



Crimeia e Kosovo – quais são as diferenças?


Putin, que vinha tentando resolver tudo de maneira mais objetiva (leia-se, dar dinheiro), viu suas fronteiras serem perigosamente ameaçadas pelos Estados Unidos. Sabe do apetite de Barack Obama e sua corja de carniceiros. Resolveu recorrer a uma velha rotina americana: invadir primeiro, perguntar depois.

Bombardeado pela mídia corrupta do Ocidente, Vladimir Putin foi estampado como causador da crise da Ucrânia e como um déspota sanguinário, por invadir a Criméia. A mesma imprensa safada que ignora o que Obama faz: suas barbáries, seus desmandos, as torturas em Guantánamo, as atrocidades travestidas de “combate ao terror”, a perseguição ao muçulmanos... Dois pesos e duas medidas. Típico de má-fé, não de mera incompetência.


Parlamento da Crimeia aprovou unanimemente decisão de aderir à Rússia


Mas tanto os EUA, quanto seus capachos europeus sabem dos altos custos de uma crise com Moscou. Primeiro porque é a Rússia; segundo pela dependência do gás dos russos.

As bolsas tendem a cair, o preço do petróleo dispara, os grãos produzidos na Ucrânia ficam com os preços na estratosfera e prejudica o cenário global, em especial a ainda combalida da UE. Putin sabe que seu país pode sentir fortemente os efeitos da crise, mas que seus antagonistas sairiam mais prejudicados se apostarem alto. A Alemanha em especial. 


A hipocrisia de Obama ao condenar a Rússia por violar o “direito internacional” na Crimeia


Cancelaram o encontro do G8 que seria em Socchi? Putin não liga. Ameaçam com sanções? A Rússia poderia bloquear os ativos dos seus ex parceiros. A Otan quer ampliar sua base para a ex República Soviética? Moscou sabe que encontraria anuência de Cuba e Venezuela para fazer o mesmo na América Latina.

A política externa de Obama tem cometido sérios erros. Sua pitbul enraivecida (e ressentida), Hillary Clinton, esbraveja contra Putin, o comparando com Hitler, sendo que as ações americanas, desde o fim da Segunda Guerra foram mais próximas do nazismo, do que qualquer outro país.

As bravatas dos Estados Unidos sempre encontraram solo fértil entre líderes fracos e submissos, como os da França, Inglaterra e Alemanha. Mesmo depois de ser desmascarado com seu plano de espionagem internacional contra seus próprios aliados, a submissão ao establishment americano permanece.



Putin vem fazer um contraponto ao totalitarismo secular dos EUA. E é odiado por isso. A imprensa, em especial a brasileira, está acostumada a repercutir como uma câmara de eco o que é dito na mídia americana, sem ao menos contestar, questionar, papel fundamental do bom jornalismo. As redações tupiniquins se transformaram em sucursais da FoxNews. Os telejornais, as revistas semanais e os jornalões mantém um discurso perigoso e vergonhoso de apoio incontestável a Obama e sua política internacional predatória.

Mas mesmo contra tudo isso, a Rússia permanece firme. Nada a estranhar, para uma nação que praticamente sozinha derrotou o exército de Hitler, quando seus soldados, estupidamente, partiram contra a União Soviética. Se derrotou o Fuher, derrotar um Obama e seus paspalhos da União Europeia não deve ser assim tão difícil.




domingo, 9 de março de 2014

A IMAGEM DA MULHER BRASILEIRA




País tropical, terra do futebol e do carnaval, das praias e das mulheres bonitas….Isso interessa muito ao estrangeiro que vem ao nosso país. Especialmente as mulheres.

Elas são encaradas como produtos (inclusive dentro do próprio Brasil); muitas até gostam e incentivam Geralmente são as modelo/atrizes. As mesmas que nunca desfilaram e/ou atuaram, mas sua constante exposição na mídia, exibindo trajes sumários (assim como seus neurônios) reforça a ideia de mulher-objeto. E sem nem por estas bandas certas mulheres se dão ao respeito, não será no Velho Mundo, acostumado a colonizar tudo o que lhe for de seu interesse, que as coisas seriam diferentes.

Talvez por isso, que ainda ocorra tráfico de mulheres brasileiras para a Europa.

No Estadão: O número foi coletado a partir da cooperação entre as polícias dos 28 estados do bloco e revelam que as brasileiras representam cerca de 15% de todas as vítimas estrangeiras de tráfico de seres humanos no bloco. VEJA AQUI.

Ainda que timidamente, a polícia federal junto com a Interpol tem conseguido desbaratar algumas destas quadrilhas. Mas o desrespeito é evidente. Assim como a ingenuidade de algumas garotas que acreditam numa conversa mole de '‘vida melhor fora do país’'. Sem seus passaportes, vivendo um regime de escravidão, o arrependimento bate, mas vem tarde.

Do Portal R7: “A presidente Dilma Rousseff garante que o Brasil está pronto para combater o turismo sexual durante a Copa do Mundo deste ano. Em mensagens publicadas em seu perfil no Twitter, a presidente disse que “o Brasil está feliz em receber turistas que chegarão p/ Copa, mas também está pronto p/ combater o turismo sexual.” VEJA AQUI.

Turismo sexual é uma chaga que acomete o Brasil há décadas. Fomentado pela imagem distorcida da brasileira no exterior, mas corroborada por alguns poucos que insistem em patrocinar esse tipo de exploração.

Criou-se a ideia em vários países, em especial da Europa, que por aqui tudo é fácil. Há pouco tempo, o jornalista Roberto Cabrini mostrou um pouco desse submundo, onde em muitas cidades do Norte/Nordeste meninas entre 13 e 16 já estão sendo assediadas por gringos que apenas e tão somente visitam essas praças pelo “sexo fácil” que esperam encontrar. Em muitos casos, infelizmente, acabam se dando bem. Muitas vezes com a anuência da própria família, que acaba cafetinando a adolescente.


Justiça condena quadrilha por aliciar atrizes, apresentadoras, bailarinas de TV e ex-participantes de reality shows para prostituição.



Quando governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho sancionou o projeto de lei que proibia a venda de cartões-postais com mulheres brasileiras seminuas nas fotos, para não reforçar o estereótipo, acreditem, houve pessoas, mulheres inclusive, que desaprovaram a iniciativa. Típico de gente com a mente tacanha. VEJA AQUI.

A mais nova polêmica envolve as camisas fabricadas pela Adidas, com teor sexista. Gerou muito barulho nas redes sociais, inclusive o governo reclamou publicamente. Resultado: a empresa alemã se retratou e prometeu tirá-las do mercado. Mas ainda assim, a produção de roupas com imagens de duplo sentido é o ranço do machismo crônico que acomete o Velho Mundo.







A conotação sexual, implícita ou não, é sinal de que muitos ainda enxergam o Brasil com os mesmos atavismos do século 20.



Fruto da insegurança e da visão estereotipada masculina a respeito do sexo oposto e com sua dificuldade em compreender a complexidade feminina; mas também despreparo de algumas mulheres que esqueceram os preceitos do feminismo, que as colocavam em pé de igualdade com o homem na sociedade. No afã de vencer na vida do modo mais fácil, muitas atrizes/modelos, que não atuam nem desfilam, apenas enganam e mostram o pouco que tem pra sobreviver em uma sociedade tão competitiva. E desse pouco elas tentam extrair o máximo que podem para permanecer em evidência. Seja em programas de baixo calão, seja durante eventos dos mais variados, em especial o carnaval, onde seus parcos talentos podem, enfim ser admirados.


Mas pode também ser uma faca de dois gumes. Pode passar a impressão para os mais desavisados que outras mulheres também seguem a cartilha da sensualização barata e do bom e velho '‘teste do sofá' pra se conseguir um lugar ao sol. O tema não é novo; remete aos agitados anos 80, mas que ainda hoje é mencionado aqui e acolá. Algumas destas “profissionais” que tentaram desesperadamente se estabelecer na mídia, quando percebem o retumbante fracasso se jogam em um mundo duvidoso e de aparente baixa reputação.


Nada disso justifica a visão limitada que muitos homens – brasileiros ou não – nutrem pelas mulheres de um modo geral. O país elegeu uma mulher para o cargo mais importante e, isso em si deveria servir para que algumas pessoas perdessem a visão medieval que tem do sexo oposto --e não sexo "frágil". Ajudaria também para com cantadas cafajestes, assobios e qualquer tipo de ação que tenha objetivo de tratar a mulher como ALGO. 


Em um mundo machista, seria de bom tom que as enxergassem de maneira respeitosa. Lógico que é um processo lento. O homem, via de regra é lerdo pra certos assuntos. Mas até lá, a nossa mídia também poderia fazer sua parte e parar de enaltecer o estilo modelo/piriguete, vendendo uma imagem distorcida para o mundo. Apenas para que não se tenha a impressão em outros países que estamos em uma sociedade onde tudo é muito fácil, inclusive as mulheres.




quarta-feira, 5 de março de 2014

COMO COLOCAR A REVISTA VEJA EM SEU DEVIDO LUGAR




“Veja” isso, um verdadeiro tapa na cara do pessoal da Veja:
A socióloga Sílvia Viana é doutora pela USP e autora do livro “Rituais de sofrimento”. Procurada pela Veja para conceder uma entrevista sobre o BBB 14, ela negou o pedido. Mas não foi um simples não, foi uma aula, curta e rápida, do que é a “coisa feita em papel couché”.

Leia abaixo sua resposta à solicitação de Veja enviada por e-mail ao jornalista encarregado da tarefa de convidá-la.




Respondo seu e-mail pelo respeito que tenho por sua profissão, bem como pela compreensão das condições precárias às quais o trabalho do jornalista está submetido. Contudo, considero a ‘Veja’ uma revista muito mais que tendenciosa, considero-a torpe. Trata-se de uma publicação que estimula o reacionarismo ressentido, paranoico e feroz que temos visto se alastrar pela sociedade; uma revista que aplaude o estado de exceção permanente, cada vez mais escancarado em nossa “democracia”; uma revista que mente, distorce, inverte, omite, acusa, julga, condena e pune quem não compartilha de suas infâmias – e faz tudo isso descaradamente; por fim, uma revista que desestimula o próprio pensamento ao ignorar a argumentação, baseando suas suposições delirantes em meras ofensas.

Sendo assim, qualquer forma de participação nessa publicação significa a eliminação do debate (nesse caso, nem se poderia falar em empobrecimento do debate, pois na ‘Veja’ a linguagem nasce morta) – e isso ainda que a revista respeitasse a integridade das palavras de seus entrevistados e opositores, coisa que não faz, exceto quando tais palavras já tem a forma do vírus.

Dito isso, minha resposta é: Preferiria não.

Atenciosamente, Sílvia Viana





quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O FASCISMO PERMEIA AS REDES SOCIAIS





Pouco afeito à democracia plena, o usuário das redes sociais brasileiras padece de um mal chamado IGNORÂNCIA.

O bipartidarismo malfadado que assola o país é, em parte, responsável por esse jogo rasteiro. Afinal, tanto PSDB quanto o PT exageraram em suas ações nefastas, visando o projeto de poder de cada um.



É muito comum encontrar no Facebook, por exemplo, páginas ou comunidades que propagam coisas negativas. Títulos fascistas como “EU ODEIO ESSA LEGENDA”, “EU ODEIO AQUELE PARTIDO”, “MORTE AOS CUBANOS” “APOIAMOS O REGIME MILITAR” são comuns e empobrecem a discussão política. Mais do que isso, denotam a limitação de alguns 'doadores de cérebro' que se acham esclarecidos e senhores absolutos da razão.

Os internautas viraram massa alienada de manobra. Deixaram-se levar por um discurso raso, e com elas seguem até a morte. Sem reflexão, sem o caminho natural da racionalidade para esclarecer os assuntos.

Como não há uma reflexão lógica, nos deparamos com aberrações do tipo: “detesto os comunistas do PT”. Sério? Comunistas?? No PT??? Se isso não é prova cabal de analfabetismo político, então não sei o que seria. O partido que mais se moldou ao sistema, se fazendo passar por legenda popular, acabou enganando até seus detratores.

Outro tópico que é lugar-comum na rede, vem exatamente dos defensores ferrenhos do PSDB. “Há muita corrupção no PT; queremos limpar o Brasil.”. Então querem nos convencer que não há, nem nunca houve corrupção no ninho tucano? Do mensalão que começou com o próprio partido em Minas Gerais, passando pela compra de votos e o escândalo das privatizações, chegando ao esquema fraudulento na compra dos trens em São Paulo, a legenda está atolada em situações comprometedoras. E, ainda assim, há quem jure de pé junto, que são todos '‘santinhos’' aos olhos da nação; que tudo não passa de uma conspiração contra FHC e seus aliados. Tá certo….


O que incomoda mais é o radicalismo, o discurso rasteiro sem nenhum embasamento. Não gostam, porque não gostam. E, tal qual uma criança mimada, não aceitam ser contrariados. E os que enxergam as coisas de uma maneira imparcial (os apartidários, porém POLITIZADOS) são criticados, exatamente por não tomarem partido. Literalmente.

O empobrecimento da análise política brasileira também tomou conta dos noticiários. Seja a imprensa escrita, seja a televisiva, acompanhamos um campo de batalha que desmoraliza a própria categoria dos jornalistas. De um lado o P.I.G., partido da imprensa golpista, com seus maiores (ou piores) nomes: Veja, Globo, Estadão e Folha. De outro, a mídia pelega, ávida por defender o governo a todo custo: Carta Capital, Caros Amigos e parte da blogosfera (entre eles, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif), aliado a uma parte da chamada mídia independente – jornais de menor circulação. Perde-se um tempo precioso blindando ou acusando levianamente, que a imparcialidade e o fato em si se perdem no caminho da redação.


Por isso que tentar discutir com pessoas que seguem o partidarismo alienante é dar murro em ponta de faca. Até o imbróglio envolvendo a Copa do Mundo se tornou um cabo de guerra entre as facções partidárias. Os petistas, confusos e alienados, querem o sucesso do evento porque, julgam eles, isso seria associado pelo eleitor com a reeleição de Dilma Rousseff. Para os defensores do “quanto pior melhor”, papel hoje ocupado pelo PSDB, mas que teve o monopólio do Partido dos Trabalhadores durante todo o governo FHC, o fracasso da Copa seria sua melhor chance (talvez a única) de retornar ao Palácio do Planalto.

Repare que não há um programa de governo consistente ou uma alternativa ao modelo existente. Apenas a esperança que a seleção brasileira triunfe ou fracasse.


Veja em que nível baixo está a política tupiniquim em pleno século XXI: tudo depende de Neymar e cia. Para além do bem e do mal, como diria Nietzsche.



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

ENTÃO VOCÊ ACHA QUE A CULPA É SÓ DOS MANIFESTANTES...




da página - Porque eu quis



Já que discutir com idiotas funcionais está fora de questão (seria o mesmo que argumentar com mulas), talvez os fatos (os links das reportagens) e as imagens possam trazer um pouco de luz à questão. Não obstante haver criminosos infiltrados nos protestos e pessoas que buscam apenas destruir e não reinvidicar, ainda assim é necessário analisar a situação à luz dos fatos.

                                                    ------

(LINKS, FOTOS E VÍDEOS ABAIXO NÃO ESTÃO INTERLIGADOS; CADA FOTO REPRESENTA UMA AGRESSÃO, SEM LIGAÇÃO, SEJA COM O LINK OU COM OS VÍDEOS)

                                                    -----






Morre estudante que caiu de viaduto durante protesto em Belo Horizonte






Manifestante do Rio morre por complicações pulmonares após inalar gás lacrimogêneo






Morre em Belém gari que inalou gás lacrimogênio






RJ: idoso é morto após confusão em protesto na UPP de Manguinhos






Duas manifestantes morrem durante protesto em Goiás; total de mortos nos atos chega a 4 em todo o país





Manifestantes são atropelados e um morre durante protesto




Onda de protestos no País já tem seis mortes




RJ: confronto entre polícia e manifestantes deixa 9 mortos





Bope mata moradores no Complexo da Maré





Idoso é morto com tiro no rosto durante manifestação na comunidade Mandela II 




Protestos em SP têm mais de 200 presos e 100 feridos




Fotógrafo ferido em manifestação corre risco de ficar cego, diz mulher




Repórter da 'Folha' atingida por bala diz que óculos salvaram seu olho





Estudante relata como foi atingido no olho na manifestação de segunda no centro do Rio





Governo do Rio terá que pagar tratamento de mulher que ficou cega em protesto





Estudante perde visão de olho direito após confrontos em São Paulo






Vídeo divulgado na internet flagra o momento em que o jornalista é duramente espancado por um grupo de policiais







Fotógrafos ficam feridos após PM soltar cachorros durante protesto







Policial quebra dedo de manifestante durante protesto







Mulher é espancada por PMs durante manifestação no Rio







Fotógrafo de agência francesa é agredido em protesto pela PM do Rio





Quem é o PM que disparou várias vezes na manifestação de 7 de setembro






MAIS UM PRESO POLÍTICO NEGRO. AGORA EM BELO HORIZONTE.






Integrante do MPL acusa policiais militares de agressão






Motorista flagra policiais espancando manifestantes rendidos em Brasília. Assista





SP: sindicato contabiliza 2 jornalistas presos e 12 feridos em protestos





Protesto contra leilão do pré-sal tem ao menos 7 feridos e carro tombado





Mortos e feridos em protestos


























Sempre lembrando que as manifestações contra a Copa são legítimas. O que não é legítimo é a tentativa de criminalizar as vozes das ruas, em prol de um evento que visa beneficiar alguns, em detrimento de uma população carente e abandonada. Para uma presidente que alega ter lutado por dias melhores (praticando roubo a banco, sequestro de embaixador e supostos assassinatos) causa estranheza que hoje ela faça tão bem o jogo do sistema. E que por causa de alguns poucos aloprados (expressão que os petistas conhecem tão bem) o establishment possa cercear nossa liberdade de expressão com a sanção governamental. Ao fazer isso ajuda-se os cartolas cafajestes da Fifa, os políticos corruptos que estão se locupletando com o Mundial, com as mesmas empreiteiras que apoiaram o partido dos "Trabalhadores" em suas últimas eleições e a Globo, emissora que causa temor em Dilma, já que a presidente nunca sequer ousou contrariar. O passado de Dilma Roussef remete aos Black Blocs de hoje. Talvez ela tenha se esquecido disso.

"Vem, vamos embora, que esperar não é saber/ quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Retratos de um País Pragmático




Em um país cujo a carga tributária é abusiva, é de se estranhar que o governo (seja quem for) esteja sempre reclamando que arrecada pouco, ou que é insuficiente, ou ainda que lamenta perder um imposto, como Lula fez ao perder a CPMF.

Pagamos tributos como se vivêssemos na Suiça e recebemos de volta “benefícios” como se estivéssemos na Somália.

Essa é uma das tantas coisas que emputecem o brasileiro comum no seu dia a dia atribulado. Mas não é só.

                                                    1

Cercado por políticos incompetentes e/ou corruptos, muitos dos quais alçados ao cargo por seu próprio voto ( mas as vezes são eleitos por outrem), a vida de todos os habitantes dessa gloriosa nação é estar sob o jugo dos desqualificados, dos que odeiam a raça humana, dos que tem a mente tacanha.

Todo ano temos o “aumento” do salário mínimo, que beira o escárnio. A porcentagem, que outrora era combatida pelo PT, hoje no Palácio do Planalto, parece que está de acordo. A esmola paga anualmente aos brasileiros seria de envergonhar qualquer um que se definisse de 'esquerda'.

Somado ao fato da sociedade viver mal empregada, mal remunerada, temos os bancos, em contrapartida com seus lucros exorbitantes, com taxas abusivas e sistematicamente defendidos e protegidos pelo governo –seja ele qual for. Seriam TODOS OS SEUS RENDIMENTOS lícitos?

                                                    2

Há vários anos os paulistas sentem na pele a incompetência da administração tucana. Desde a segurança, até a saúde e o transporte público, a vida em São Paulo é um inferno. Geraldo Alckmin, pessoa que foi lançada na política por piedade de Mário Covas, pois não tinha cacife eleitoral para sair de Pindamonhangaba, fez do maior estado da federação motivo de chacota.





Pra sua própria sorte, ele mantém um eleitorado cativo, pessoas que acham que ele e seu partido são de primeiro mundo e, conseguinte votar neles daria a mesma sensação. Somado ao fato de termos um nicho da imprensa tupiniquim corrompido e que o ajuda a se manter, temos uma combinação imperfeita.




Se durante os protestos de junho de 2013, quando as pessoas derrubaram o portão do Palácio dos Bandeirantes, também o tivessem tirado do poder, talvez as coisas tivessem um rumo diferente.




                                                                  3

Aí o brasileiro, de saco cheio de tudo e de todos, incluindo Copa do Mundo, corrupção, incompetência, descaso, violência –de bandidos e de polícia – começa a protestar. Mas os políticos, maiores alvos das reclamações, optam por rotulá-los de vândalos, e de criminalizá-los caso saiam às ruas para se manifestar. Traduzindo em bom português: deve-se aceitar tudo de cabeça baixa, consternado, mas em silêncio.

No meio disso tudo temos o 4º poder, a imprensa, brigando por suas migalhas (as verbas publicitárias) ou fazendo seus joguinhos fascistas em nome de um projeto pessoal de poder. Ser crítico, imparcial e investigativo? Tá...Sente e espere; senão cansa.



                                                     4

Com o fascismo da sociedade brasileira se recrudescendo, temos momentos hitlerianos que envergonham a todos nós. No mais recente momento "Cala a boca Magda!", proferido pela dublê de jornalista Rachel Sheherazade tivemos mais uma demonstração de como a elite vê o país e suas agruras. 




Pessoas iguais a pseudo jornalista deveriam pensar antes de vociferar distorção em rede nacional. Quem diria que a Ku Klux Khan encontraria eco em "respeitáveis" veículos de imprensa tupiniquim....

E os exemplos começam a se espalhar pelo país.

Cinegrafista filma execução em rua do Rio de Janeiro




                                                      5

Com índices de miséria, desnutrição, analfabetismo e de desigualdade social dignas de países africanos causa espanto a mania eterna de se ignorar as mazelas da nação. "De um lado esse carnaval, de outro a fome total..." já cantava a bola a música dos Paralamas. 




Essa vida de gado para a qual fomos empurrados, nos lançou a letargia contagiosa. Os protestos arrefeceram e o sistema se fortaleceu; protegendo-se de outras tentativas democráticas de manifestações.

Enquanto isso, parte da sociedade, alienada pela sua paixão maior, optou por defender a Copa de todas as formas. Muitos achando que ser contra o evento seria ser contra a reeleição de Dilma. Esses beócios preferem estar ao lado de Globo, Fifa, CBF, cartolas, empreiteiros, políticos corruptos do que dos interesses da nação. E muitos desses pobres diabos se autoproclamando de "esquerda"... O PT está para a esquerda, assim como o programa Big Brother está para o entretenimento cultural e filosófico. 

Resta ao Zé Povinho aceitar tudo, em silêncio? Ou ainda há margem para contestar o sistema? Só 2014 dirá...