Debater sobre os assuntos relevantes (e os não tão relevantes) de maneira aberta e objetiva
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
As semelhanças entre 1964 e o atual momento do Brasil
Em 1964, o presidente João Goulart foi deposto acusado de querer implementar o comunismo. O motivo eram as chamadas Reformas de Base. Todos já escutaram falar delas. Mas vc sabe o que elas significavam na prática? Abaixo uma explicação rápida sobre cada uma delas. Deixei a Reforma Agrária de fora, por ser a mais polêmica, para discutir melhor num post futuro.
Reforma Eleitoral tinha a difícil tarefa de aprofundar a democracia e o sistema representativo. O Brasil contava, nessa época, 80 milhões de habitantes, sendo que apenas 15 milhões eram eleitores. Essa desproporção fazia com que o Congresso Nacional não refletisse a composição social brasileira. Os parlamentares, em sua maioria fazendeiros e empresários, não votariam as reformas que contrariavam seus interesses. O objetivo da Reforma eleitoral era, portanto, aumentar a participação política do homem pobre e ampliar os direitos políticos, principalmente dos analfabetos.
Reforma Administrada pretendia modernizar a gestão pública. Segundo seus defensores, a emancipação econômica da nação seria realizada pelo fortalecimento do poder público. A iniciativa privada não teria recursos para resolver os problemas crônicos do país. A Reforma Administrativa, então, propunha a criação de superintendências especializadas, como, por exemplo, Superintendência de Urbanização e Saneamento (Sursan) e a Superintendência da Reforma Agrária (Supra), para cuidar dessas questões.
A Reforma Tributária. Se o Estado seria o principal investidor, naturalmente seria preciso mais recursos. O governo estava incorrendo em seguidos déficits fiscais e atingira o limite. O sistema tributário brasileiro era regressivo, ou seja, taxava muito o consumo e pouco a renda. Os encargos acabavam caindo nas costas dos trabalhadores pobres. Esse modelo, no fim das contas, acabava por aumentar as disparidades sociais. A Reforma Tributária pretendia, portanto, combater a sonegação, aumentar os impostos diretos (sobre os lucros e a renda) e desonerar os impostos indiretos (sobre o consumo). Esse deslocando permitira um sistema tributário progressivo, que agisse no sentido de atenuar as desigualdades sociais.
A Reforma Urbana era resultado de uma constatação: as cidades estavam crescendo de forma desordenada. Havia segundo dados da época, 40.000 imóveis desocupados para fins meramente especulativos. A especulação imobiliária, além de aumentar a miséria e o número de pessoas sem habitação, agia no sentido de estimular a inflação. A Reforma Urbana, portanto, seria a Reforma Agrária da cidade. Em ambos os casos, o objetivo era democratizar o acesso à propriedade.
A Reforma Bancária permitira o investimento privado, o capital nacional. Ora, se o objetivo da distribuição de renda era expandir o mercado para estimular a demanda e o investimento,
Reforma Bancária teria a função de unir essas duas pontas, ou seja, ela permitiria o investimento privado a uma taxa de juros compatíveis com a capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimos, como forma de suprir o aumento da demanda por bens de consumo. Gerando mais empregos, mais renda, mais consumo e mais investimentos.
Reforma Cambial. Um dos problemas apontados pelo pensamento estruturalista era a chamada deterioração dos termos de troca. Os países atrasados, subdesenvolvidos, exportariam matéria prima, que tenderiam a perder valor, em troca de produtos manufaturados, que tenderiam a valorização.
A queda acentuada do preço do café parecia corroborar essa tese. A Reforma Cambial visava controlar o valor da moeda nacional, de modo a dificultar a importação de bens supérfluos e canalizar esse capital para o investimento produtivo.
Reforma Universitária. Seria a responsável por modernizar o ensino superior. Segundo Corbisier, enquanto os advogados “floresciam como cogumelos”, faltavam profissionais capacitados em outras áreas essenciais para o crescimento econômico, como a engenharia. O motivo, segundo o mesmo autor, é que o ensino tradicional buscava formar homens que conhecem de “leis” e, desse modo, seriam manipulados por um pequeno grupo e passariam a defender a “propriedade e os interesses dos privilegiados” (CORBISIER, pg 168, 2006). Interessante que o autor cita a carência no ensino básico, porém, não propõe nenhuma solução, focando apenas no ensino superior.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Abordagem
Abordagem da Rota no Jardim Ângela:
- Ei, mão na cabeça!
- Sim senhor!
- Tira o boné, vagabundo!
- Sim senhor.
- É seu esse celular?
- Sim!
- Prove.
- Ligue para qualquer pessoa da minha agenda.
- Você acha que eu tenho tempo pra isso, vagabundo?
- Não senhor!
- Que conversa é essa no seu whatssap?
- Com a minha mina.
- Cheio de graça, hein. Ela é branca? É sua mina mesmo, neguinho?
- Sim senhor.
- Tem passagem?
- Não senhor!
- Vamos ver se o IP do aparelho tá batendo. Cadê a nota fiscal?
- Tá aqui.
- Você trabalha?
- Sim. Sou boy.
- Cadê a carteira de trabalho, vagabundo?
- Tá aqui.
- Esse tênis é teu?
- Sim.
- É seu mesmo esse nike ou você roubou?
- Eu comprei.
- Cadê a nota fiscal?
- Tá aqui.
- 220 reais? Tá metido hein neguinho! Pra onde você tá indo?
- Pra casa da minha mina.
- Não vai mais. Deixa a branquinha lá. Volta pra casa, vagabundo, pega o outro lado.
- Sim senhor.
- Segue aí neguinho. E se olhar pra trás leva bala.
Abordagem da Rota no Jardim Europa.
- Boa noite, jovem.
- Boa noite.
- O senhor estava acima da velocidade.
- Me desculpe aí seu guarda.
- O senhor pode me passar, por favor, a carteira de motorista?
- Deixei em casa. Desculpe ai o vacilo seu guarda.
- Documento do carro, por favor.
- Iiiiii, ficou com o meu pai. Posso ligar pra ele?
- Não é necessário. O senhor está vindo de onde?
- De um happy no Itaim.
- Vou fazer uma pergunta que talvez lhe cause constrangimento.
- Pode perguntar seu guarda.
- O senhor por acaso ingeriu alguma bebida alcoólica?
- Vou confessar, seu guarda: tomei três doses.
- Do que?
- De uísque com red bull. Mas tô legal. O senhor quer que eu desça para fazer o quatro?
- Com esse frio? Não precisa. Mas talvez seja preciso fazer o bafômetro, senhor. Mas o senhor pode ficar aí dentro.
- Ah, seu guarda. Quebra essa. Tem luta do McGregor daqui a pouco.
- Tudo bem, garoto. Mas se cuida, hein.
- Pode deixar seu guarda.
- Ah, e mais uma coisa.
- Sim?
- Cuidado na hora de parar no sinal. Tá cheio de vagabundo por aí.
domingo, 30 de julho de 2017
Dilma e Lula não têm culpa?
O cara foi colocado pela Dilma na presidência do Banco do Brasil.
Com a incumbência de moralizar o banco estatal.
Que deu uma grana mal explicada para a mal explicada Val Machiori.
Como presente ganhou de Dilma a incumbência de moralizar a Petrobras.
Que tinha sido presidida pela amiga de Dilma, Graça Foster.
Que tinha recebido de Dilma a incumbência de moralizar a Petrobras.
Que tinha sido presidida por Sergio Gabrielli, petista de primeira hora e amigo de Lula.
E que tinha como colega de Petrobras, como presidente do Conselho de Administração, outra amiga de Lula: Dilma Roussef.
Que tinha a incumbência de moralizar a Administração da Petrobras.
E que comprou Pasadena.
Porque foi enganada por um "relatório falho" de Cerveró.
Que estava lá na Petrobras repassando dinheiro para políticos do PT.
E que tem um filho que gravou uma conversa com Delcídio que prometeu ajuda para o pai aproveitar um dia de indulto e fugir da cadeia.
Que era uma operação, segundo Delcídio, que tinha o apoio de Lula.
Que estava com medo de ser delatado.
Que disse que Delcídio nunca havia sido um grande quadro do PT.
Que nunca teve intimidade com ele.
Assim como nunca teve intimidade com Renato Duque, amigo de Cerveró.
Que, como ele, confessou participar do esquema da Petrobras.
E que Lula encontrou, sem nenhuma intimidade, no hangar de uma empresa de jatinhos particulares.
Que apenas queria perguntar se ele não tinha dinheiro fora do país.
Que disse que não e Lula ficou muito satisfeito com a resposta da pessoa.
Que não tinha nenhuma intimidade com ele.
Que nem o Delcídio.
Que sabe-se lá porque era o líder do Partido no Senado Federal, mesmo sem ter intimidade com Lula ou com Dilma.
Que não sabiam de nada.
Não podiam saber.
Que o cara levava grana no Banco do Brasil.
Que continuou levando na Petrobras.
Dilma e Lula não têm culpa.
Ô gente azarada e com dedo podre para fazer amigos.
Parecem a Val Machiori.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
O Abuso dos Juízes Brasileiros
Quem acha
que juízes tem “apenas” um salário digno de marajá, talvez desconhece o grosso
do polpudo contracheque de que os maganos da justiça ganhem.
Abaixo
alguns desses valores que, combinados extrapolam e muito o teto previsto em
Constituição. Portanto são ILEGAIS, V.Exas.
Verbas de
representação,
Parcelas de
equivalência,
Parcelas de
isonomia,
Abonos,
Prêmios adicionais,
Anuênio,
Biênio,
Triênio,
Quinquênio,
Sexta parte,
Cascatinha,
25%,
Trintenário,
Quintos,
Décimos.
Nossos “amigos”
de toga, que em um país cuja população padece das maiores agruras (em muitos
lugares falta até água potável), se arvorem no direito de manterem ganhos
pornográficos iguais a estes, deveriam ser analisados, não só por um, mas por
vários psicanalistas, para que pudéssemos entender o porquê de pessoas egoístas
e alienadas tenham tudo, enquanto milhões detém praticamente o nada...
domingo, 20 de novembro de 2016
NÃO ADIANTA UMA DATA, SE NÃO HOUVER CONSCIÊNCIA...
Em pleno século XXI ainda presenciamos a marginalização dos negros nesse país. E, via noticiários e redes sociais, acompanhamos o que de mais nefasto acontece ao redor do mundo. Se "comemoramos" o dia da Consciência Negra nesse dia 22, tudo não passará de mera 'perfumaria' se houver atitude, mudança de comportamento, cobrança por condições justas e respeito aos direitos de todas as pessoas.
É com pesar que essa postagem mostra um pouco das coisas mais monstruosas que acometeram os afrodescendentes nas últimas décadas, na esperança de que não venha a se repetir atos tão vis. Afinal, só há uma raça: A RAÇA HUMANA.
Banho escaldante na banheira de ferro. Punição a escravos "intrometidos" e "contestadores".
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
VOCÊS, ELEITORES...
Entra ano,
sai ano e as eleições se resumem ao mais do mesmo: ataques, contra-ataques e jogo rasteiro. Nada de novo no front.
E o eleitor?
Pode-se dizer que é a “baixa de guerra” nessa carnificina verbal.
Parte da
culpa se deve aos veículos de imprensa que, graças aos seus desvarios na
campanha presidencial de 1989 (e o apoio descarado a Fernando Collor de Mello)
fez com que a lei eleitoral tornasse a cobertura dos pleitos mais engessada.
Mas isso não significa que a mídia deve ficar assistindo a tudo, impávida.
Escândalos devem ser expostos, propostas malucas devem ser duramente
criticadas, projetos dos candidatos podem ter suas eventuais aplicabilidades questionadas
e, acima de tudo, mudar a cobertura.
Desde que os
candidatos escolhem seus nomes para a corrida eleitoral, as emissoras já lançam
seus projetos manjados de debates. Pergunta, réplica, tréplica, plateia e
mediador com cara de boneco Playmobil. Claro que nada de útil vai sair de um
show desses. E por show tome-se o mais pejorativo possível o sentido.
Os políticos
também são culpados pelo menor interesse do brasileiro pela política, ano após
ano. Quase sempre os mesmos nomes, as mesmas coligações, os mesmos “projetos”,
a mesma ladainha, as mesmas propostas surreais. Não há credulidade que resista.
Gente que
passa a campanha se xingando, levantando falso do oponente e criando factoides,
sem sequer ter a dignidade de falar do que realmente importa: os reais
problemas da cidade.
Mas a maior
parte da culpa recai, é claro, sobre você eleitor.
Sim, você
que se orgulha de “odiar” política, que não acompanha o dia a dia dos 3
poderes, que prefere se alienar em frente da TV, invés de se interessar pelos
problemas de sua comunidade; você que sabe de cor a escalação da porcaria de
seu time, mas desconhece os projetos de lei que venham a te afetar; que briga
pela sua seleção, mas aceita como capacho os desmandos dos calhordas de
colarinho branco. Você que diz "eles são todos iguais" (cabe a nós buscarmos alternativas); que dá a mínima pra democracia, que considerava votar "um saco", que preferia passar o dia no churrasco com os amigos tomando cerveja e ouvindo música de gosto duvidoso. Você que acha que política é uma merda.
Política É
uma merda, caro eleitor, porque você assim o quer. Quando todos os eleitores, cidadãos
ou contribuintes entenderem sua real importância na sociedade e seu papel de destaque
nesse drama, as coisas mudarão.
Até lá, continue
confortavelmente entorpecido com seu futebol, novela, reality show ou qualquer
outra coisa que ajude esquecer essa dura realidade que á a vida no Brasil.
Democracia é uma coisa trabalhosa. Requer atenção, envolvimento do cidadão e vigilância constante. Sem isso, os espertalhões continuam se impondo pela sua força política e fraqueza do eleitor mais alienado. Muitos não querem todo esse trabalho. Ok, é do jogo. Mas não
reclame depois, pois nesse caso você é a parte principal do problema.
domingo, 3 de julho de 2016
O colapso da sociedade americana, por Noam Chomsky
“O colapso da sociedade americana passa pelas políticas estatais-corporativas dos últimos 35 anos, aproximadamente, que tiveram efeitos devastadores sobre a maioria da população. Resultaram diretamente em estagnação e nítido aumento da desigualdade. Isso gerou medo e fez as pessoas sentirem-se isoladas, desamparadas, vítimas de forças poderosas que não entendem e não podem influenciar. O colapso não é causado por leis econômicas. São políticas, uma espécie de luta de classes travada pelos ricos e poderosos contra a população pobre e trabalhadora. Isso é o que define o período do neoliberalismo, não somente nos EUA mas também na Europa e em outros lugares.
Trump é atraente para aqueles que sentem e experimentam a desagregação da sociedade norte-americana – profundos sentimentos de raiva, medo, frustração, desamparo. Provavelmente, há setores da população que vivem um aumento na mortalidade, algo antes desconhecido — a não ser na guerra.
A guerra de classes mantém-se tão perversa e unilateral como sempre. A governança neoliberal nos últimos trinta anos, fosse o governo republicano ou democrático, intensificou enormemente o processo de exploração e levou a fissuras ainda maiores entre os que têm e os que não têm na sociedade norte-americana. Além disso, não vejo a classe política neoliberal recuando, a despeito das oportunidades abertas em razão da última crise financeira e pelo fato de um democrata ocupar o centro na Casa Branca.”
Noam Chomsky
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