terça-feira, 16 de abril de 2013

A Época de Ouro do Rock Nacional




  Ao acompanhar uma entrevista, em tom de desabafo, de Dado Villa-Lobos, ex guitarrista da Legião Urbana (confira AQUI ), constatei que a era de ouro do nosso rock passou; e não há sinais de que isso mudará em curto ou médio prazo.




  Oriundo de uma época fantástica do rock brazuca, ele tem sabedoria e bagagem de sobra pra criticar o sistema.

  Mas após sua entrevista, me bateu um saudosismo...E não é pra menos.

                             (a banda que praticamente iniciou o movimento do rock dos anos 80)


  ANOS 80 -

  O movimento começou no Circo Voador no Rio e se espalhou. Acabou se alastrando pelo país inteiro e nos brindou com bandas fantásticas e composições que marcaram o cenário musical.




  Com a irreverência da Blitz pode-se dizer que esse ciclo foi, oficialmente, iniciado. Era o momento certo com as condições apropriadas. E não há hora melhor quando um roqueiro está determinado e "com fome", ou seja com gana e vontade de mostrar seu trabalho.





  Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e cia. não despontaram sozinhos. Capitaneados por Cazuza, o Barão Vermelho tinha um estilo único e a voz inconfundível de um cantor fadado a se tornar maior que a própria banda. A irreverência da Blitz tinha companhia, porém mais apimentada.




  A tríade que começou no Circo tinha ainda o grupo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, cujo o casal Paula Toller e Leoni eram os principais compositores. Dividiram os vocais muitas vezes e a mesma casa. Mas tudo foi por água abaixo, quando não conseguiram mais separar a vida profissional da sentimental. Leoni foi convidado a se retirar, Paula tocou a vida, então de namorado novo (Herbert Vianna) e a banda passou a se chamar apenas Kid Abelha. Continuaram a colecionar hits nas paradas de sucesso, mas suas composições já não eram as mesmas sem o antigo baixista. Ainda assim, a banda marcou seu nome no movimento.






  Antes de ser baterista da Blitz e de ter sua banda própria, Lobão teve, com Ritchie e Lulu Santos, além do ex tecladista do Yes, Patrick Moraz, a banda Vimana, que teve dois discos apenas. Após a tumultuada separação os três saíram em carreira solo.

 Com os Ronaldos, João Luis (o Lobão) conseguiu se firmar como um compositor tremendamente politizado e crítico. Arranjou desafetos, principalmente entre políticos (a música "O Eleito", feita para Sarney e "Presidente Mauricinho" para Collor, dão uma noção do tamanho de sua indignação). Brigou muito com a indústria fonográfica, mostrando que era irascível até na hora de lutar pelo direito de compor e divulgar, sem as amarras do jabá. Mas só não o chame de roqueiro hoje em dia. Ele recusa o rótulo e o passado musical.




  Com uma parceria de sucesso com Nelson Motta, Lulu Santos conseguiu conquistar o público. Mas com "Tempos Modernos" e "Como uma Onda", seu nome ficou marcado definitivamente na história do pop/rock dos anos 80. Seu estilo era diferenciado e sabia escolher músicos e arranjos que caíam no gosto do público. Sucesso após sucesso, Lulu ganhava uma legião de fãs e suas composições ganhavam as paradas musicais.






  Os integrantes dos Paralamas do Sucesso, apesar de crescerem no Rio de Janeiro fizeram carreira em Brasília, onde conheceram Legião e Plebe Rude, bandas politizadas e que ajudaram a fomentar o rock brazuca.

  Primeira banda a mesclar rock com Ska jamaicano,  o grupo capitaneado por Herbert Vianna conseguiu ser sucesso de público e crítica, com composições que iam de crítica social a sons que bebiam na fonte da MPB. Assim como Barão e Blitz, o trio foi um sucesso na 1ª edição do Rock in Rio, em 1985.





  Léo Jaime iniciou a carreira no grupo de rockabilly João Penca e seus Miquinhos Amestrados e em seu primeiro disco solo (Phodas 'C') de 1983 mostrava logo de cara músicas com letras sacanas (Sônia) e com  inspirações na Jovem Guarda.

  Seu segundo disco (Sessão da Tarde) teve uma dedicatória dele para seu ídolo Erasmo Carlos, o Tremendão.

  Refém de seus próprios sucessos da década (e não foram poucos), Léo teve dificuldade em permanecer na mídia e, conseguinte nas rádios. Tal qual Lobão, os maganos da gravadoras só queriam lançar coletâneas dos sucessos passados, limitando a criatividade do cantor.

  Além de compor trilhas sonoras para o cinema tupiniquim, como Rock Estrela e As 7 Vampiras, se aventurou pela crônica esportiva e pelas novelas.







  Para comprovar que o rock não tinha limites territoriais (indo além de Brasília, Rio e São Paulo), a banda baiana do Camisa de Vênus era a essência do puro rock. Sem muitos acordes diferentes, com um teor corrosivo em suas composições um e um sucesso abre-alas como "Bete Morreu" tínhamos uma prova de que o grupo tinha vindo pra ficar --além do nome da banda, incomum e proibido para a época, que recebeu censura interna da Som Livre que lhes ofereceu um contrato, desde que mudassem o nome e incluíssem mais 'MPB' nas composições. Como bom roqueiro, Marcelo Nova, vocalista, mandou os caras às favas, conseguindo manter a independência e seguir em frente com a carreira, sem ter que abdicar de seus princípios.

  Ainda nos anos 80, depois da dissolução da banda, após gravar o disco que seria o mais censurado da história ("Viva", inteiramente gravado no Caiçara Hall, em Santos e o derradeiro "Duplo Sentido"), Nova se uniu ao seu ídolo de adolescência Raul Seixas, e fizeram "A Panela do Diabo", ótimo disco, que acabou sendo a despedida de Seixas, que viria a falecer em agosto de 1989.





  Conhecidos no início de carreira como "Titãs do Iê-Iê-Iê", a banda passou a chamar apenas Titãs e deu uma guinada para o punk, após seu primeiro disco homônimo.

  Mas foi com seu 3º disco "Cabeça Dinossauro" que o grupo ascendeu ao panteão das bandas clássicas brasileiras. Emplacando sucesso após sucesso, serviu também para mostrar ao mundo quem eram os integrantes. Críticas pesadas contra a violência ""Polícia" e "Estado Violência"), a música libertadora de Arnaldo Antunes e Nando Reis, "Igreja", onde eles se reservavam no direito de expressar religião alguma, até as críticas policiais como "Homem primata" e Família".

  Na sequência emplacaram mais dois discos antológicos (além de um ao vivo, gravado no Festival de Montreaux), "Jesus não tem Dentes no País dos Banguelas" e "Oblésq Blom". Era a consolidação de uma banda tão questionada no começo de carreira.

  Com a saída de Arnaldo Antunes, a morte de Marcelo Fromer e a  'expulsão de Nando Reis, os Titãs pareciam uma outra banda e perderam a identidade, mas seus primeiros discos ainda são preciosidades na história do rock tupiniquim.




  O Ultraje a Rigor conseguiu uma façanha nos anos 80: do disco de estréia, com 11 músicas, conseguiu emplacar 10 nas paradas de sucesso. Um recorde absoluto. E não era para menos. Esse disco que foi uma compilação de compactos do início da carreira, mais algumas músicas inéditas, deu um lugar de honra para o Ultraje no cenário roqueiro nacional.

  A banda teve sua formação mudada várias vezes, mas o vocalista Roger Rocha Moreira é o único a permanecer desde a origem. Roger também sofre com comparações inglórias, por causa do disco de estréia, já que nunca mais conseguiu realizar nada tão criativo ou emplacar a banda no topo como fizera antes.





   A Plebe Rude talvez seja a banda mais politizada do cenário musical brasileiro. Bebendo na fonte do punk inglês, a Plebe iniciou com a Turma da colina, onde conheceram os Paralamas (que teve no vocalista Herbert Vianna, produtor de seus dois discos) e Aborto Elétrico, que originaria depois Capital Inicial e Legião.

  Mesmo abordando temas espinhosos, ainda mais pra época (como "Minha Renda", onde massacrava a indústria fonográfica e "Até Quando Esperar"), o grupo conseguiu frequentar as paradas de sucesso, os programas de rádio e até de TV.





  O grupo Ira! se destacou no cenário underground paulistano. Com um guitarrista experiente que passou por várias bandas (Ultraje, Smack, Voluntários da Pátria, as Mercenárias), Escandurra era o motor da banda e o principal compositor e arranjador. E tinha com o vocalista Nasi uma sintonia perfeita. O maior hit, ainda sem tocar em rádios era a polêmica "Pobre Paulista", considerada por muitos como preconceituosa.

  Com a canção "Núcleo Base" a banda conquistava espaço nas emissoras (rádio e TV) e se credenciava para vôos mais altos. E mostrava as fortes influências do punk britânico, em especial The Clash.

  Isso possibilitou aos integrantes produzirem o melhor disco deles até hoje: "Vivendo e não Aprendendo", chegando, inclusive, a emplacar um tema de abertura de novela.





  Criada a partir da separação do grupo Aborto Elétrico ( de um lado criou-se a Legião e de outro o Capital), a banda conseguiu manter a atmosfera do rock brasiliense em seus primeiros discos.

  Dinho Ouro-Preto era o vocalista ideal pra banda e suas composições arregimentavam uma enorme quantidade de fãs.

  Os integrantes conseguiram de desvencilhar da imagem do Aborto e seguiram cadência própria na história do rock.




  Vinha do Rio Grande do Sul mais uma agradável surpresa do cenário roqueiro dos anos 80. Os Engenheiros do Hawaii mostravam composições bem criativas, uma mescla de rock com Ska sonoridade inovadora. Humberto Gessinger despontava como um compositor/poeta do nosso rock, imagem consolidada em seus discos seguintes.






  Talvez a banda que melhor soube unir o pop e o rock, o R.P.M. despontou como um furacão na música brasileira. Paulo Ricardo, baixista, vocalista e co-autor de inúmeras músicas era o catalisador do grupo. Atraía atenções da mídia que o via como um sex symbol, imagem que ele soube explorar como ninguém. Luiz Schiavon, talvez o melhor tecladista dos anos 80 e também co-autor das composições a banda tinha tudo para ter vida longa, mas a velha máxima "sexo, drogas e rock and roll" os atingiu em cheio e o fim precoce foi inevitável. Mas o nome da banda já estava entre as grandes da década.




 

   E por último, e não menos importante, a banda que sintetizou o que simbolizava o rock brasileiro dos anos 80 e a que teve a trajetória mais bem sucedida de todas: a Legião Urbana. Tudo isso por suas composições primorosas, sonoridade que cativava quem as ouvia, e o talento inigualável de Renato Russo. Um poeta legítimo e contestador por natureza, que arregimentava uma infinidade de fãs, Brasil afora. Após sua morte em agosto de 1996, a nossa música ficou mais pobre e a perda foi irreparável. Após sua partida, nosso rock nunca mais foi o mesmo.

  O rock brasileiro dos anos 80 até hoje não tem comparações, nem antes, nem depois com outros momentos e outras safras de bandas. A quantidade de grupos  talentosos era enorme, que ainda gerou uma leva de bandas menores, mas com potencial suficiente para fazer parte do movimento.


  E, apesar de concordar com Villa-Lobos e seu desencanto com o cenário roqueiro tupiniquim, se nosso cenário fosse restrito apenas ao que aconteceu na década de 80, ainda sim teria valido a pena. E muito!




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O Bom e Velho Rock Brazuca

OUTUBRO DE 1996




segunda-feira, 15 de abril de 2013

FHC & LULA




  Eles não são estrelas de cinema, mas tem seus fãs histéricos e passionais e, como tal, alienados. Defendem seus prediletos até debaixo d'água, contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso. Para enaltecer seu 'ídolo' desqualificam o queridinho do outro, numa desesperada tentativa de auto-afirmação. Como num concurso de 5ª categoria, onde o candidato tem sua própria caravana, com faixas de incentivo e apoio.




  Para o fã, seu político do coração só realizou coisas propositivas e sem ele o país não seria o mesmo. O outro é satanizado de todas as formas. Numa jogada torpe e rasteira de enaltecer o que convém. A verdade? Ora, a verdade...

  Estas mesmas pessoas tendem a analisar a mídia como parcial. Um lado acha que a imprensa é comunista (!!!) e protege Lula (não sei bem o que Lula e comunismo tem a ver um com o outro, mas enfim...); o outro lado acusa a mídia de querer dar um sonoro golpe (o popular PIG, partido da imprensa golpista) e insinua haver perseguição contra o ex metalúrgico.




  O triste é constatar que estas mesmas pessoas que afirmam, presunçosamente, entender de política passam um tempo precioso defendendo seu ídolo, ao invés de adotar uma postura crítica. Talvez se escolhessem defender a verdade...

  Tentam filtrar as ações dos ex-presidentes da república; mas os 'prós e contras' tem pesos diferentes.




  Nas redes sociais tem muita gente assim. Abdicando da inteligência para fazer panfletarismo barato.

  Se alguns admiram FHC por seu intelecto e menosprezam o o outro por ser menos letrado, é elitista (e realmente é); se enaltecem Lula por ser "povão", afirmando que seu desafeto não é afeito ao populacho, é esquerdista fascistóide (de repente...).




  A imparcialidade se torna imperativa em casos de julgamento de políticos. Para uma análise racional demanda senso crítico; e nem tomaria muito tempo.

  E o que acontece é exatamente o contrário. A lá Rubens Ricúpero ("o que é ruim a gente esconde; o que for bom a gente fatura"), os groupies de FHC e Lula só mostram o que interessa, esquecendo-se, convenientemente, das manchas escuras em ambas administrações. Chega a ser hilário, beirando o ridículo, as tentativas patéticas de manipulação de fatos e números, só para dizer que seu admirado foi a melhor coisa que já aconteceu ao país. Triste...




  O QUE LULA FEZ - Traiu seus princípios, terminou defendendo e aliado de quem criticava ferozmente, instituiu a ignorância como algo usual, teve o nome envolvido em escândalos sórdidos (Mensalão, Valerioduto, suposto envolvimento com sua ex chefe de gabinete, o que denota tráfico de influência consentido), se notabilizou por seu populismo rasteiro.

  O QUE FHC FEZ - Apropriou-se de um plano econômico que não teve sua marca, com objetivo eleitoreiro, teve o nome envolvido em graves denúncias (compra de votos para a reeleição, as privatizações manipuladas), sobrevalorizou o Real em 1998, para se beneficiar eleitoralmente, privatizou patrimônio público para fazer caixa, e não para investir em obras sociais (promessa de campanha).





  EM COMUM - Falta de transparência, conluio com figuras decrépitas e retrógradas da política brasileira, prevaricação e bravatas.

  O pouco que fizeram de bom pela nação, pode-se dizer que não foi nada além da obrigação.






  Em sumo, são dois lados da mesma moeda. Em um país sério, ambos teriam chegado à presidência. E os dois teriam sido destituídos de seus cargos, através de um IMPEACHMENT. Simples assim.



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PARECE HOJE,MAS É 1989

As Privatizações no Brasil




domingo, 14 de abril de 2013

Enquanto Isso, na Palestina...




Meanwhile, back on Palestine...

A man, trying protect his son, has been shot by israeli  forces.

The image speaks for itself...


































Palestino tenta proteger filho em tiroteio entre soldados israelenses e civis palestinos, quando de repente morre com um tiro na cabeça.

Provavelmente a imagem falará por si só...



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dragão chinês e Urso russo cortam garras da Águia dos EUA




 VOZ da RÚSSIA


Os EUA colocaram no Japão 35.000 militares do Comando do Pacífico dos Estados Unidos (USPACOM, sigla inglesa) dois porta-aviões, cinco destroyres e quatro fragatas, tendo instalado uma base no porto de Yokosuka. Um contingente de 17.000 mil fuzileiros navais se encontra na ilha de Okinawa. A esquadra nipônica dispõe de três porta-helicópteros, oito contra-torpedeiros oceânicos, 20 fragatas e 16 submarinos.

Ao mesmo tempo, na Coreia do Sul foi estacionada a 2ª Divisão de Infantaria e uma brigada das Tropas Especiais, composta de 19.700 efetivos. Os paióis do USPACOM, repletos de equipamentos militares, munições e víveres para o 8º Exército, se localizam no Japão. A Frota do Pacífico dos EUA (USPACFLT), integrando três porta-aviões, quatro porta-helicópteros, nove cruzadores, vinte e seis destroyres e vinte e seis submarinos, estacionados na base naval de Pearl Harbor e São Diego, foi preparada especialmente para eventuais ações no sudeste asiático. A Administração dos EUA continua emitindo dólares para financiar guerras civis e agressões militares. As campanhas no Iraque e no Afeganistão proporcionaram à Casa Branca uma enorme experiência.




Por outro lado, a Marinha de Guerra da China sofreu significativas transformações nos últimos 10 anos. Hoje em dia, conta com uma vasta gama de meios de combate modernos, projetados em 2004-2012 e destinados não apenas para a proteção do litoral chinês. A Marinha de Guerra da China pode desencadear ofensivas militares, eliminar qualquer alvo no Japão e na Coreia do Sul. O Vietnã também possui uma Marinha eficiente, composta de sete destroyres, dezoito fragatas e dois submarinos.

Citando fontes próximas do Pentágono, a agência Reuters afirma que o ministro da Defesa dos EUA, Chuk Hagel, tenciona aumentar a eficácia da base militar em Fort Greely, no Alasca, a fim de enfrentar os ânimos belicistas da Coreia do Norte. É uma medida propagandística, visto que a trajetória de mísseis balísticos intercontinentais que eventualmente possam ser lançados pela Coreia do Norte, se encontra à margem da zona de ação de antimísseis norte-americanos.

No que se refere à decisão de adiar a agressão contra Pyongyang apesar de ações provocatórias desta última, os EUA não cairão na cilada chinesa. Antes de mais, Washington terá de re-deslocar as suas forças do Japão e do Havaí para a península da Coreia. Neste caso, a China terá um acesso livre às águas nipônicas, enquanto a Rússia utilizará 36 bombardeiros TU-22M3, capazes de abater os B-52 estratégicos da base aeronaval Andersen, na ilha de Guam.

Lembre-se que em 2001, Jiang Zemin e Vladimir Putin rubricaram o Tratado de Cooperação e Boa Vizinhança. Ao decidirem agir em conjunto, a Rússia e a China vieram aumentar a sua capacidade de resistência aos três centros da força potentes – EUA, Japão e UE. A Rússia e a China, através do esforço conjunto, acabaram por concretizar o método econômico de "gotas chinesas", capaz de aniquilar a tamanha força militar norte-americana.

Importa referir que a dívida externa dos EUA ultrapassa 16 trilhões de dólares, o que constitui mais de 100% do PIB. A China detém a maior parte da dívida dos EUA – cerca de 2 trilhões, equivalentes ao orçamento militar trienal. Se a China retirasse, algum dia, os meios emprestados, a economia dos EUA sofreria autêntico colapso.

Em 2005, Vladimir Putin decretou a nova linha estratégica visando aumentar as Reservas Oficiais. A Rússia tornou-se o principal comprador do ouro no mercado mundial, tendo conseguido duplicar estas reservas em cinco anos. Atualmente, ela ocupa a 5ª posição, comprando mensalmente o ouro no valor de 500 milhões de dólares.

A China está com o olhar fixo em 8.133 toneladas de ouro que se encontram em bancos norte-americanos, constituindo 74,5% das Reservas Oficiais. A China tem exigido o ouro em troca da dívida dos EUA e pretende emitir a nova moeda alternativa que seja forte em relação ao dólar. Foi com este propósito que a China procedeu à repatriação das suas reservas de ouro da Suíça, Londres e Nova York.

Enquanto isso, Pequim assinou acordos com mais de 20 países (entre os quais figuram a Argentina, a Austrália, os EAU, o Japão e outros Estados) que se comprometem a reconhecer o Yuan como uma divisa internacional forte em detrimento do dólar. Para o dólar isto significa a saída de uma parte do mercado financeiro.

Deste modo, aos EUA não resta qualquer espaço da manobra: a única coisa que podem fazer é adiar a realização deste triste cenário. A partir daí, Washington terá que fortalecer a sua presença na região do sudeste asiático, não obstante os cortes orçamentais. Por isso, o Pentágono deve distribuir nesta zona os recursos de outras aéreas e não do USPACOM.

Link Original AQUI



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quarta-feira, 10 de abril de 2013

APENAS FILOSOFANDO...







Se Jesus estivesse aqui, nos dias de hoje, tenho certeza que ele teria mais problemas do que há cerca de 2000 anos, quando SUPOSTAMENTE, nos brindou com sua presença (não confirmada oficialmente).

Provavelmente, ele iria combater com todas as forças a tal da ‘Teoria da Prosperidade’. Ao fazer isso, arregimentaria inúmeros inimigos, como os milionários de plantão: Edir Macedo, Estevam e Sônia Hernandes, R.R. Soares, Valdomiro Santiago, Marco Feliciano e Silas Malafaia.

É evidente que eles tentariam dissuadi-lo com argumentos do tipo: “Ei, Jesus, vamos pregar a prosperidade!”; e ele teria que contra argumentar, dizendo “Bem aventurados os pobres, pois deles serão o reino dos céus”. Os bispos e pastores iriam rir e dizer que isso não funcionaria nos dias de hoje. O tal Messias seria vítima de escárnio e campanha difamatória.




Se ele estivesse por aqui, também teria problemas com a Igreja Católica que rejeita qualquer ensinamento ou dogma que não fosse proferido pelo Papa em pessoa.

Ao negar vínculo com o Vaticano e afirmar, peremptoriamente, que a Inquisição foi uma mancha negra na história da humanidade, Cristo seria acusado de heresia por ousar questionar  a legitimidade da Igreja como representante de Deus na Terra.  Ao aparecer de maneira apoteótica na Praça de São Pedro (que nunca esteve em Roma e teve o nome apropriado de maneira ilícita) o “Santo Papa” seria ovacionado pelos fiéis (!!). E teria sucesso ao desacreditar o tal messias em praça pública, o chamando de herege.  Este, por sua vez, diria “vocês transformaram a casa de meu Pai em um covil de cobras e ladrões”. O Tribunal da ‘Santa’ Sé seria seu destino e a punição, inevitável.  Para muitos católicos, o “Vigário Geral de Deus na Terra”, seja João Paulo II, Bento XVI ou Francisco é uma divindade. Cabe a ele a palavra final sobre os desígnios religiosos de suas ovelhas e, conseguinte, da humanidade. Prova de que isso é verdade que os escândalos envolvendo pedofilia e lavagem de dinheiro no seio da igreja católica não abalaram os prosélitos.

O Vaticano faria a opinião pública se virar contra o Messias, endossando um novo processo de punição. Se não pela crucificação, Cristo seria excomungado e amaldiçoado por pregar coisas que a Igreja Católica abomina, como o voto de pobreza e a evolução espiritual. Nada mais hedonista do que uma religião matar mais pessoas ao longo da história, do que o nazismo.

Ainda que conseguisse escapar dos pastores gananciosos, sedentos por fama  e fortuna e da inquisição católica, como ele se livraria dos EUA?

Seria acusado de terrorista por pregações comunistas (“bem aventurados os pobres, pois deles serão o reino dos céus”) e Jesus teria que suportar uma investigação pesada da CIA sobre sua vida e suas associações. Uma nova edição de “pescadores barbudos e oriundos da Palestina e Jordânia como discípulos”, levaria a uma constatação de supostas conexões com células terroristas. A Fox News faria a cobertura da notícia, em primeira mão e abriria o noticiário das 18 horas com a manchete: “nova guerra ao terror”, agora contra um tal morador do Oriente Médio que se intitula o ‘filho de Deus’.

Barack Obama faria um pronunciamento à nação americana, tranquilizando seus compatriotas que essa afronta não será tolerada e imporá sérias sanções contra o país de Cristo. Sua cidade natal, Belém, seria ocupada por fuzileiros dispostos a tudo para levá-lo sob custódia, principalmente se houver um prêmio por sua cabeça. A ONU se pronunciaria, como sempre, a favor da decisão americana.
Após sua prisão, veríamos o “julgamento do século”. E a não ser que Jesus se comprometesse a seguir a cartilha dos EUA à risca, teria que cumprir pena em Guantánamo.

Mas o maior incomodado com toda essa história seria o governo de Israel.

Preocupado que as pessoas acreditassem que Cristo é de fato o Messias anunciado pelos profetas bíblicos (aqueles que os próprios hebreus enforcavam, de tempos em tempos, quando não concordavam com suas previsões), o primeiro ministro israelense se apressaria em desmentir tal afirmação, dizendo que o povo judeu ainda espera por seu ‘libertador’, se esquecendo, convenientemente, que o Sinédrio, no ano de 78 D.C, já havia reconhecido Bar Cosiba como o “Escolhido” de Deus e que os levou a uma guerra inútil contra Roma, marcando a derrocada dos judeus, naquela época.




O premiê de Israel pressionaria seu único aliado no mundo, o governo dos EUA, a exigir retaliação, justificando sua decisão alegando que Jesus, com suas afirmações, apoiava o fim do sionismo e, conseguinte, do estado israelense.

Vendo sua condenação iminente por falsos apóstolos, judeus e pelos Estados Unidos (o império romano da atualidade),  teria Jesus a lucidez de relevar os acintes, as provocações e as humilhações causadas por pessoas mesquinhas e perversas?

Talvez. Ou talvez ele tenha aprendido, às duras penas que “dar a outra face” pode parecer um jogo perigoso ou  terrivelmente deslocado para os dias de hoje.



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segunda-feira, 8 de abril de 2013

O PADRÃO GLOBAL DE ATROCIDADES





Aqui nesse blog, sempre que possível, evitei citar o nome de uma certa emissora de televisão, para não correr o risco de ser acusado de ter “a boca suja” por falar um palavrão desses em público.

Poucas vezes me atrevi a pronunciar (a não ser em casos desesperadores) o nome do grupelho que comanda a emissora e outros braços midiáticos para não atrair fluídos negativos.





Mas o ver a recente investida contra o jornalista Luis Carlos Azenha, da Record e do site VIOMUNDO, além de atacar outros jornalistas, não pude me conter. Tenho que confessar, do fundo do coração, que eu ODEIO A REDE GLOBO DE TELEVISÃO.

Leia mais detalhes da briga entre a emissora e o jornalista  AQUI.

Como não desprezar uma emissora forjada nos porões da ditadura militar? Que teve o aval dos cafajestes verde-oliva para tomar de assalto a nação? Que apoiou, incondicionalmente, a violação dos direitos humanos, direitos civis e da ruptura com a democracia? E tudo por PODER E DINHEIRO. A ganância de um homem pequeno (moralmente falando) que ambicionava dominar o Brasil, de maneira equivocada (e não são todas as maneiras assim?). Isso, em si, já é enojante.




Em quase cinco décadas pouco fez para ajudar o país a evoluir, a não ser em seus termos, e apenas quando lhe interessava.  Com muito mais denúncias e críticas do que elogios, sua vergonhosa trajetória só denota a sociedade arcaica que ousou representar, em um período turbulento.

Pouco afeita ao jogo democrático, sempre preferiu os subterfúgios, os conluios e as técnicas de intimidação quando seus interesses mesquinhos eram contrariados.





Isso pouco mudou até os dias atuais. E a tentativa de censurar a blogosfera é uma dessas artimanhas rasteiras, usuais a uma família acostumada a cobrar de governos militares retaliações contra desafetos e inimigos declarados. Que o diga Assis Chateaubriand, antigo dono da Tupi, que era o único obstáculo no caminho da dominação televisiva de nosso Cidadão Kane. Missão dada é missão cumprida e a trajetória foi atenuada por W.O., graças aos militares, amigos de todas as horas convenientes e inconvenientes.

A mais recente e feroz batalha contra opositores é sinal claro de desespero, cujo Ibope (instituto amigo de TODAS AS HORAS) começa a mostrar sinais de desgaste.




Hoje, os inimigos se multiplicam e em todos os setores. Da Rede Record, ao Facebook; da blogosfera, ao Google. E sempre que sai para confronto volta, parcialmente, vitoriosa. Ainda com o título de ‘maioral’, mas com sérios hematomas. Ao contrário de outrora, quando voltava das brigas, incólumes e com a pretensa superioridade incontestável.

Luis Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Rodrigo Viana e tantos outros que ousam confrontar um conglomerado que foi aparelhado pelas forças armadas na década de 60 para se tornar, oficialmente, a VOZ DO BRASIL, sabem do risco; mas sabem, também, que vale a pena lutar contra o errado, contra tudo que é arcaico, cheirando a mofo da ditadura; contra o establishment que rejeita mudanças; contra o acúmulo de escândalos e de atitudes antiéticas; contra a imoralidade da imprensa vendida ao sistema; enfim, contra tudo que representa a Rede Globo de Televisão. Os cidadãos de bem agradecem.





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sábado, 6 de abril de 2013

A Questão Palestina e o Estado de Israel




do site  de  Ricardo Costa


Os acontecimentos de 11 de setembro nos Estados Unidos trouxeram à tona a questão religiosa para o centro das discussões intelectuais em todo o mundo. Entramos no século XXI com um antigo dilema existencial: fé versus razão. Com efeito, pensávamos que esse debate tivesse sido sepultado desde pelo menos o século XIII, quando os universitários medievais discutiam acaloradamente a possibilidade de unir as verdades da religião e da filosofia.
Por outro lado, durante algum tempo, a intelectualidade brasileira acreditou que toda análise da vida humana passava necessariamente pelo crivo da economia: o homo economicus prevalecia nas mentes dos acadêmicos como um tipo ideal pujante e necessário ao entendimento da História.


No entanto, a persistência do homem-bomba palestino, do mártir em prol da fé, do suicida-crente na destruição final tanto do capitalismo quanto do imperialismo norte-americano e de Israel mostrou à opinião pública mundial que o tema da religião permanece no centro da existência humana e que a chamada Questão Palestina e o Estado de Israel são itens obrigatórios da pauta de discussão nas relações internacionais. Como se chegou a este ponto? Qual a história da questão árabe-israelense? Esta palestra de hoje tenta responder a estas duas perguntas. Assim, farei um breve histórico do contexto da fundação do Estado de Israel para que possamos compreender melhor o tema e suas possibilidades (ou não) de resolução.
O estado de Israel nasceu sob o signo da morte em escala industrial. A Solução final nazista - especialmente a partir de 1942 - mostrou aos judeus europeus que a única alternativa era buscar a proteção de um estado próprio. Esse movimento sionista e nacionalista fora iniciado no final do século XIX pelo judeu vienense, Theodor Herzl (1860-1904), que percebeu a Palestina como uma concreta possibilidade territorial para a fundação de um estado judeu. Em seu livro O Estado Judeu, ele disse: “A Palestina é nossa inolvidável pátria histórica. Esse nome por si só seria um toque de reunir poderosamente empolgante para o nosso povo.” (HERZL, 1954: 67) Herzl passou a estimular a imigração para a Palestina, então sob o domínio do Império Otomano.

Ali já viviam cerca de 25 mil judeus. Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), imigraram 60 mil nacionalistas judeus, que passaram a viver com cerca de 650 mil não judeus, a maioria árabes.
A comunidade judaica européia conseguiu o apoio da Inglaterra para o estabelecimento de uma pátria nacional na Palestina. Em 1917, Arthur Balfour (1848-1930), ministro do exterior, emitiu um importante documento, que ficou conhecido como Declaração Balfour, onde aprovava a idéia, sem, no entanto, citar a palavra estado - isso para não ferir o apoio dado também aos árabes contra os turcos (SOLIMAN, 1990: 28). A Declaração Balfour foi sancionada em 1922 pela então Liga das Nações: a Inglaterra administraria provisoriamente a Palestina e incentivaria o movimento sionista.
Os árabes reagiram com violência. No mesmo ano de 1922 morreram 50 pessoas de cada lado. Com o fim do Império Otomano os árabes também aspiravam sua independência e o apoio inglês lhes parecia uma intromissão indesejável. No entanto, quando os nazistas chegaram ao poder na Alemanha em 1933, a imigração judaica para a Palestina não parou de aumentar: de cinco mil imigrantes por ano em 1929 para 60 mil só em 1935! Em 1936 os árabes pressionaram os ingleses para que limitassem a imigração, sem sucesso. Aconteceram então greves e ataques de árabes contra oficiais britânicos e judeus.
Nesse momento, com o apoio britânico, surgiu a Haganah, uma força de defesa judaica paramilitar com o objetivo de proteger os civis judeus contra os ataques árabes. Uma facção mais radical da Haganah chamada Irgun se organizou como grupo terrorista. Assim, já antes da Segunda Guerra estava bastante claro que os ideais da Declaração Balfour eram impraticáveis.

Durante o conflito mundial, as autoridades britânicas admitiram limitar a imigração judaica para a Palestina, pois dependiam do petróleo árabe para seu esforço de guerra. Ao completar as quotas, os imigrantes adicionais eram repatriados. Os extremistas judeus também agiram com violência. Em 4 de novembro de 1944, o Ministro de Estado no Oriente Médio foi assassinado por dois membros do grupo Stern, outra facção do Irgun.
No mês seguinte, o Partido Trabalhista britânico tomou a dianteira e firmou um compromisso permitindo a imigração judaica ilimitada para a Palestina. Por outro lado, Anthony Eden (1897-1977), Ministro do Exterior, assegurou que o governo britânico daria total apoio à união árabe, fato que mostrava as diferenças entre os políticos britânicos a respeito da questão palestina.
Em março de 45 os árabes organizaram a Liga Árabe da Sete Nações, mas tinham poucos pontos em comum, com exceção do anti-sionismo. Quando, poucos meses depois, o líder do Partido Trabalhista se tornou Primeiro-ministro, encontrou a Liga Árabe determinada a impedir a imigração judaica a qualquer custo. Estava claro que os ingleses perdiam cada vez mais o controle da situação. Cada tentativa de reprimir a desordem gerava ainda mais violência. Em junho de 1946 a Haganah dinamitou todas as pontes sobre o rio Jordão. Líderes sionistas foram presos. Em 22 de julho, a Irgunretaliou, dinamitando uma ala do hotel Rei Davi, quartel-general do exército britânico em Jerusalém, matando 91 pessoas, entre ingleses, judeus e árabes.

Finalmente, o Primeiro-ministro decidiu retirar-se, a exemplo do que fizera na Índia. Ernest Bevin (1881-1951), Ministro do Exterior, declarou (fevereiro de 1947) que os ingleses entregariam às Nações Unidas, sucessora da Liga das Nações, seu mandato sobre a Palestina. Em junho, um comitê especial da ONU chegou à Palestina para estudar a futura divisão política, mas o cenário político palestino estava em pé de guerra: três terroristas da Irgun estavam condenados à morte por enforcamento e dois soldados ingleses eram mantidos como reféns pelos terroristas judeus para forçar sua libertação.
Ao mesmo tempo, muitos refugiados judeus dirigiram-se à Palestina clandestinamente. Em 1947, um navio vindo de Marselha, o President Warfield, rebatizado de Êxodo, transportava 4.500 sobreviventes do campo de concentração de Bergen-Belsen na Alemanha foi interceptado em Haifa por navios de guerra britânicos. A história correu o mundo porque os imigrantes a bordo divulgaram o fato através do rádio. No entanto, o Êxodo rendeu-se e retornou a Marselha, onde foi negado asilo aos refugiados que, por fim, desembarcaram em Hamburgo.

Nesse mesmo dia, os três terroristas da Irgun foram enforcados e em represália os dois soldados ingleses reféns dos terroristas judeus também foram enforcados e seus cadáveres foram dinamitados com minas explosivas. Menahen Begin (1913-1992), futuro primeiro-ministro de Israel e então um dos líderes da Irgun disse: “Nós retribuímos na mesma moeda” (WILLMOTT, 1993: 104).
O assassinato dos soldados ingleses foi recebido com indignação na Europa, dando origem a vários distúrbios anti-semitas em várias cidades inglesas - Londres, Liverpool, Glasgow e Manchester -, fatos que não aconteciam na Inglaterra desde o século XIII. Uma sinagoga em Derby foi incendiada e destruída (JOHNSON, 1989: 521). Isso tudo a apenas dois anos após o fim da Segunda Guerra e a abertura dos campos de concentração na Alemanha! Apesar disso - ou exatamente por isso - a política de Menahen Begin teve êxito: os britânicos decidiram sair o mais rápido possível da Palestina.
No final de 1947, as Nações Unidas propuseram a única solução plausível: o fim do mandato britânico e a divisão da Palestina em dois estados, um judeu e outro árabe; a cidade de Jerusalém permaneceria sob administração internacional, idéia defendida por Theodor Herzl no século XIX. Os sionistas aceitaram, mas dessa vez a voz discordante veio do mundo árabe, que começou a se preparar para a guerra. Os Estados Unidos e a União Soviética votaram a favor da resolução da ONU; a Grã-Bretanha votou contra, mas não tinha mais como controlar os acontecimentos.
Mesmo assim a violência não diminuiu e, em dezembro de 1947, os ingleses anunciaram sua retirada da Palestina para o dia 15 de maio de 1948. Até lá morreriam mais de mil pessoas, entre árabes e judeus.
Um dia antes do término do mandato, 200 líderes judaicos reuniram-se no Museu de Arte Moderna de Telaviv para ouvir o novo Primeiro-ministro da nação, o socialista Ben Gurion (1886-1973), ler uma curta declaração proclamando o estabelecimento do Estado de Israel. O novo país foi logo reconhecido oficialmente pelos Estados unidos e pela União Soviética.
Na manhã seguinte, Israel foi invadido pela Liga Árabe - Líbano, Síria, Iraque, Jordânia e Egito. A desvantagem, tanto em equipamento militar quanto em efetivo de soldados era de Israel: 40 mil muçulmanos contra 35 mil israelenses. Em junho, os sírios avançaram sobre a Galiléia, os iraquianos para oeste, chegando a 15 quilômetros do Mediterrâneo; os jordanianos assediaram Jerusalém, capturando a Cidade Velha e seu bairro judeu. Os egípcios ameaçavam Jerusalém pelo sul.

Um mediador da ONU, o conde Folke Bernadotte (1895-1948), famoso por haver tentado uma trégua entre a Alemanha nazista e os Aliados (sem sucesso), conseguiu uma trégua de um mês. Os israelenses foram rápidos e aproveitaram a oportunidade para comprar armas (na França e na Checoslováquia) e em julho lançaram uma ofensiva bem sucedida.
Uma nova trégua foi acertada em julho, mas Bernadotte foi assassinado por membros da Stern. Com receio da condenação da opinião pública, Ben Gurion dissolveu a Stern e a Irgun.
De qualquer modo, os israelenses lançaram sua ofensiva, agora melhor equipados e preparados. Em contrapartida, sírios e iraquianos haviam retornado à suas fronteiras; jordanianos estavam dispostos a um cessar-fogo, após terem tomado a Velha Jerusalém; egípcios perderam o sul de Jerusalém para os israelenses. A união árabe durou apenas até o final do primeiro mês de guerra. O Conselho de Segurança das Nações Unidas declarou o cessar-fogo em dezembro de 1948 e no início de 1949 terminou a guerra de independência de Israel, que tinha agora cerca de 20% a mais de terras do que a resolução da ONU de 1947. Mais de 500.000 árabes buscaram refúgio na Faixa de Gaza, no Egito, no Líbano e na Jordânia. Israel tinha um milhão de judeus agora dispostos a defender seu país.
*
Tracei até aqui em breves linhas o surgimento do Estado de Israel e a oposição sistemática do mundo árabe. Grosso modo, esse foi o tom da história do Oriente Médio de 1947 até os dias de hoje. Guerra e morte, invasões e retaliações, ressentimentos e desprezo profundo de ambos os lados. Uma possível explicação para isso é, por um lado, o fato de o Estado de Israel ser uma nação teocrática. Forte economicamente, com o apoio norte-americano, os israelenses possuem uma linha dura de assentamentos já há alguns anos e que tem provocado ainda mais o ódio muçulmano, pois famílias inteiras de islâmicos são desalojadas e entregues à própria sorte.
Por outro lado, os movimentos palestinos recusam-se a reconhecer a existência do Estado de Israel, fato hoje incontestável, e insistem em um discurso que mescla um discurso de expulsão dos judeus da Palestina com outro ainda mais radical, isto é, seu extermínio. Além disso, o apoio irrestrito dos Estados Unidos à política israelense e a ojeriza popular a tudo o que se refere à cultura islâmica (especialmente após os atentados ao World Trade Center e ao Pentágono) provocam ainda mais os nacionalismos muçulmanos, da Líbia até o Iraque - em que pese o apoio de boa parte das monarquias árabes aos EUA, como vimos durante a Guerra do Golfo. No entanto, é fato que as populações árabes são francamente anti-semitas, por vezes opondo-se publicamente a seus governos.




Assim, concluo esta palestra com bastante pessimismo. A curto/médio prazo não percebo a menor possibilidade de entendimento de ambas as partes. Enquanto existir o binômio Estado/Religião em um país moderno não haverá possibilidade de convivência pacífica multi-étnica ou religiosa dentro de suas fronteiras. A história do ocidente provou que é necessário separar as esferas do poder das verdades da fé. Foi assim que a cultura ocidental conseguiu progresso tecnológico e desenvolvimento econômico, em que pese os problemas existenciais da Modernidade - ou Pós-modernidade. O problema não é religioso ou a religião, pois o homem é um ser que busca e necessita algo transcendental, e sim a utilização que alguns radicais político-religiosos fazem do Estado teocrático para seus próprios fins. Nem o Corão nem a Torah defendem os massacres perpetrados por ambas as partes.
Para que vocês tenham uma idéia das propostas pluralistas e harmoniosas que os religiosos já propuseram ao longo da história humana, termino esta palestra com uma bela citação do Livro do Gentio e dos Três Sábios, um texto escrito por volta de 1274 pelo filósofo Ramon Llull (1232-1316). Um judeu, um cristão e um muçulmano dialogam em uma bela floresta com um ateu sobre as verdades de suas fés. No fim, se despedem
...um do outro muito amável e agradavelmente. Cada um pediu perdão ao outro caso tivesse dito contra a sua Lei alguma palavra vil. Um perdoou o outro e, no momento da partida, um sábio disse: Da ventura que nos ocorreu na floresta, não se seguiria para nós algum proveito? Parecer-vos-ia bem que, por meio das cinco árvores e seguindo as dez condições significadas por suas flores, todos os dias e uma vez por dia disputássemos seguindo as instruções que a Dama Inteligência nos mostrou, e que nosso debate durasse até todos nós três termos uma só fé e uma Lei, e até que tivéssemos entre nós uma maneira de honrar e de servir uns aos outros que nos fizesse concordar? Porque a guerra, o trabalho e a malevolência, e o fazer dano e ultraje impede que os homens concordem em uma crença.
Oxalá chegue o dia que judeus e muçulmanos sentem à mesa, andem pelas ruas e comemorem suas festas e dias sagrados em paz.



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