domingo, 6 de janeiro de 2013

Tucanaram a Prostituição





   Prostituição não é crime. Muitas vezes a sociedade  faz vista grossa com as mulheres (e rapazes, também) que vendem o corpo nas esquinas da vida. Procura-se ignorar, até para não sobrecarregar a polícia que, claramente tem outras prioridades. Traduzindo, discrição é tudo. 

  Mas nos últimos anos uma nova vertente de "venda do corpo" apareceu. Pelo jeito, pra ficar.




  A catarinense Ingrid Migliorini, de 20 anos, conhecida como Catarina, leiloou a virgindade por US$ 780 mil, o equivalente a mais de R$ 1,5 milhão. Virou manchete mundo afora, fechou contrato com uma revista masculina e ainda se tornou "sex simbol". 

  A mídia adorou. A cobertura foi feita de forma a mostrar que se tratava de um 'leilão' e não um como realmente é : PROSTITUIÇÃO.






  O concurso foi promovido pelo site australiano 'Virgins Wanted', que também leiloou a virgindade de um rapaz russo. Foi um dos assuntos mais comentados dos últimos meses. Mas não parou por aí.

  A estudante Rebeca Bernardo Ribeiro, 18 anos, moradora da cidade de Sapeaçu, no Recôncavo baiano, decidiu retomar o leilão da própria virgindade. Um vídeo com o anúncio da venda foi publicado em 22 de novembro e suspensa quatro dias depois, quando a TV Band Bahia prometeu ajuda à garota e a sua mãe. Rebeca teria demonstrado frustração com a proposta da Band e afirmou que o leilão será reativado. (Fonte - Bahia Notícias.)



  (anúncio da emissora de TV que organizou o "leilão", anunciando o fim dos lances. Tal qual um produto, a expressão 'sold (vendido) mostra que agora os consumidores terão que esperar por outro "carregamento" da mercadoria).



 A moda pegou.

  Agora, a pergunta é : se fosse uma mulher que estivesse na esquina da Ipiranga com a São João, oferecendo o corpo em troca de 50 reais, o que diriam as pessoas? "É uma puta!" Mas na internet, ou em programas de televisão a conotação é diferente.

  Pra não deixar dúvidas : se é a troca consciente de favores sexuais por dinheiro, então é PROSTITUIÇÃO!

  A forma como a sociedade encara, ou a mídia manipula, não altera a essência do quase crime.



  Abaixo, o vídeo "de divulgação" da jovem de Sapeaçu, com direito à música  Naughty Girl", da cantora Beyoncé ("Garota safada", em tradução livre).




   Prostituição não é crime. O que cada um faz com seu corpo é algo pessoal. Mas há um princípio em direito (na faculdade se aprende esse tópico) que diz : "muitas coisas não são necessariamente ilegais; mas são profundamente imorais".

  Eu não conseguiria dizer melhor...


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sábado, 5 de janeiro de 2013

"Direitos Humanos são Para Humanos Direitos"






(Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após noticiário na TV) :

*DE MÃE PARA MÃE:* .
***Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão, contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM, em São Paulo , para outra dependência da FEBEM, no interior do Estado.

***Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes,
decorrentes daquela transferência.

***Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc...

***Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender seu protesto. Quero com ele fazer coro.

***Enorme é a distância que me separa do meu filho.

***Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos, porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família...

***Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha para mim importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

***Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo-locadora, onde meu filho trabalhava, durante o dia, para pagar os estudos à noite.

***No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde tumulo, num cemitério da periferia de São Paulo...

***Ah! Ia me esquecendo, e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, viu, que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem.

***Nem no cemitério, nem na minha c asa, NUNCA apareceu nenhum representante destas "Entidades" que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar:"Os meus direitos"!

***Se concordar, circule este manifesto!

**Talvez a gente consiga acabar com esta inversão de valores que assola o Brasil.**

**DIREITOS HUMANOS SÃO PARA HUMANOS DIREITOS**



























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CAMPANHA DE UTILIDADE PÚBLICA





 Só quem conhece a situação das pessoas que precisam de doação, seja de órgãos, seja de medula ou de sangue, sabe o quanto vale a vida. Principalmente a do próximo. Procure um posto mais próximo para doar sangue. 

Para doação de sangue : FUNDAÇÃO PRÓ SANGUE

Para doação de medula : REDOME





E para doação de órgãos fale com sua família; deixe-os avisados de sua decisão. Inúmeras pessoas agradecem, antecipadamente, sua caridade e fraternidade.




 
  Leia também :

* AS EMPRESAS COM MAIS RECLAMAÇÕES NO PROCON




sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A Degradação das Artes Marciais





  Há séculos os orientais vêm buscando formas de entender seu corpo, adequar sua evolução espiritual ao dia-a-dia e aprender com a natureza. Muitas filosofias oriundas da China, Japão e Índia se encaixam nesse perfil. Tai Chi Chuan, Aikidô, Ninjutsu e o Kendô são alguns dos exemplos. Artes forjadas na experiência adquirida ao longo de anos de observação, na necessidade de preservação dos clãs e na busca por um “eu” harmonioso. 




  Com o passar do tempo, algumas pessoas viram nos movimentos diferenciados,nos gestos que primavam pela plástica perfeita e agilidade fora do comum  uma maneira de sobrepujar o inimigo. Entrar em contenda contra ele e ir à guerra, se preciso. Daí, “arte marcial”. O próprio Samurai, tão distinto em sua honra, nada mais era do que um serviçal do imperador japonês, sub-julgando outrem a favor do  sistema. Fazendo uso da força e, sobretudo, de sua habilidade com a espada, para fazer valer os desígnios do poder constituído.

  Outras modalidades (aí já não se pode chamá-las de ‘arte’) surgiram e foram aos poucos mescladas e modificadas, fazendo com que o senso de honra e respeito fossem, gradativamente, perdidos.






  Criaram-se torneios, competições e todo o tipo de ‘confronto oficial’ para que houvesse mais competitividade (através da combatividade). Como que se houvesse algum mérito em conquistar uma graduação ao agredir um colega que também busca evolução. A degradação chegou ao ponto de se criar torneios  para ver qual arte marcial (aí, sem a ‘arte’) era melhor do que a outra.

  Nesse quesito, ninguém foi tão bem sucedido em desmoralizar as filosofias orientais, quanto Hélio Gracie.




  Praticante do Jiu-Jítsu japonês e idealizador do Jiu-Jitsu brasileiro, ele mesmo um lutador desde a década de 30, Gracie optou por mudar, a bel prazer, o original, colocando movimentos e golpes idealizados por ele, tornando a luta ainda mais agressiva e violenta. Não satisfeito, resolveu criar um torneio onde houvesse como provar que o que ele praticava era superior a qualquer outra modalidade: o Vale-Tudo. Sua insegurança aflorava ao ponto de ter que provar alguma coisa. A antítese da verdadeira filosofia oriental, que visava evolução e respeito ao próximo.

  Com seu filho Royce se tornando sucesso absoluto nas primeiras edições da competição, seu ego não tinha mais limites.  A partir daí, todos os outros filhos (e mais uma infinidade de parentes) acabaram participando da empreitada.


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Confissões de um Policial Brasileiro



  A decadência moral veio com a oficialização do torneio, se tornando algo mais amplo e rentável.  Surgia o Ultimate Fighting Championship, vulgo UFC.






  A peleja atrai um número alto de fãs mundo afora, ensandecidos com tamanha selvageria. A mídia se rendeu a perversão das tradições do Oriente e resolveu dar cobertura ampla às edições do torneio e parcela significativa da sociedade brasileira começou a tratar alguns competidores como “heróis”, acredite se quiser.

  Algumas pessoas não captaram a essência das filosofias orientais. Preferem assistir a um banho de sangue em uma rinha humana, do que enaltecer as coisas certas que harmonizam e equilibram a mente.




  Excrescências como UFC,  Vale Tudo e adjacentes fazem com que as pessoas de mente tacanha, facilmente impressionáveis e com distúrbios emocionais a levarem para o dia-a-dia os exemplos aprendidos no tatame ou no octógono. Começam a se sentir valentes, imbatíveis, imortais. Donos de uma liberdade ilimitada. Sentem que são capazes de qualquer coisa. Quando na verdade as lutas praticadas apenas mascaram suas verdadeiras faces : inseguros, com autoestima  em baixa e com disfunções das mais variadas.
 Se esse é o caminho que o ser humano escolheu, em detrimento à evolução, então pode parar na próxima estação.




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Como Criar um País de Idiotas...







   Qualquer semelhança com algum país da América do Sul, é mera coincidência.

   Esse manual parece ter sido criado passo-a-passo para escravizar, idiotizar e alienar um povo, uma nação.

   Qualquer outro lugar do planeta em que as condições de vida fossem similares, os cidadãos e cidadãs estariam nas ruas, estariam em frente à praça dos combalidos e desacreditados 3 Poderes. Mas não o brasileiro. Ele prefere (talvez até goste) ser tratado como animal.

  Enquanto isso acontece, uma multidão de alienados espera o mundo "acontecer e aparecer" na televisão, esperando que aquele aparelho mágico lhes diga o que fazer.

  Outra parcela da população está nas redes sociais defendendo seu partido político do coração, enquanto desqualifica o outro. Apontando defeito no X, convenientemente esquecendo que o  Y cometeu as mesmas falcatruas. Pessoas brigando e discutindo para defender Fulano ou Beltrano; e eles, nesse ínterim fazendo conchavos, acordos espúrios, criando novo dispositivos e mecanismos para facilitar a corrupção e manter a impunidade viva. Seres humanos que defendem políticos, ao invés de defender o país...Só no Brasil...

  Partidos e políticos deveriam ser um meio para um fim. Pessoas e entidades a serviço do bem público, em prol da nação. Mas ao invés disso, eles agem como se o Congresso fosse seu feudo particular e a população seus empregados. Quando na verdade, deveria ser o inverso.

  Esse vídeo esclarecedor mostra de uma maneira irônica a vida um povo que até tem potencial, que vive num país que poderia fazer a diferença no cenário internacional, mas que, tal qual aquela canção de Zé Ramalho, prefere levar uma "vida de gado; povo marcado êh! povo feliz!".

  E assim caminha a humanidade...

  Leia também :

 *  A Fábula da Corrupção

 *  ENQUANTO ISSO,NO PAÍS DA COPA E DAS OLIMPÍADAS...



 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Saudades de 1964...




da Carta Capital


Em 1º de março de 2010, uma reunião de milionários em luxuoso hotel de São Paulo foi festejada pela mídia nacional como o início de uma nova etapa na luta da civilização ocidental contra o ateísmo comunista e a subversão dos valores cristãos. Autodenominado 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, o evento teve como anfitriões três dos maiores grupos de mídia nacional: Roberto Civita, dono da Editora Abril, Otávio Frias Filho, da Folha de S.Paulo, e Roberto Irineu Marinho, da Globo.
O evento, que cobrou dos participantes uma taxa de 500 reais, foi uma das primeiras manifestações do Instituto Millenium, organização muito semelhante ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), um dos fomentadores do golpe de 1964. Como o Ipes de quase 50 anos atrás, o Millenium funda seus princípios na liberdade dos mercados e no medo do “avanço do comunismo”, hoje personificado nos movimentos bolivarianos de Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Muitos de seus integrantes atuais engrossaram as marchas da família nos anos 60 e sustentaram a ditadura. Outros tantos, mais jovens, construíram carreiras, principalmente na mídia, e ganharam dinheiro com um discurso tosco de criminalização da esquerda, dos movimentos sociais, de minorias e contra qualquer política social, do Bolsa Família às cotas nas universidades.

                                                            (Madureira, o principal jornalista da turma)
Há muitos comediantes no grupo. No seminário de 2010, o “democrata” Arnaldo Jabor arrancou aplausos da plateia ao bradar: “A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo?” Isso, como? A resposta é tão clara como a pergunta: com um golpe. No mesmo evento brilhou Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. Como se verá ao longo deste texto, há um traço comum entre vários “especialistas” do Millenium: muitos se declaram ex-comunistas, ex-esquerdistas, em uma tentativa de provar que suas afirmações são fruto de uma experiência real e não da mais tacanha origem conservadora. Madureira não foge à regra: “Sou forjado no pior partido político que o Brasil já teve”, anunciou o “arrependido”, em referência ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o velho Partidão. Após a autoimolação, o piadista atacou, ao se referir ao governo do PT de então: “Eu conheço todos esses caras que estão no poder, eram os caras que não estudavam”. Eis o nível.
O símbolo do Millenium é um círculo de sigmas, a letra grega da bandeira integralista, aquela turma no Brasil que apoiou os nazistas. Jabor e Madureira estão perfilados em uma extensa lista de colaboradores no site da entidade, quase todos assíduos frequentadores das páginas de opinião dos principais jornais e de programas na tevê e no rádio. Montado sob a tutela do suprassumo do pensamento conservador nacional e financiado por grandes empresas, o instituto vende a imagem de um refinado clube do pensamento liberal, uma cidadela contra a barbárie. Mas a crítica primária e o discurso em uníssono de seus integrantes têm pouco a oferecer além de uma narrativa obscura da política, da economia e da cultura nacional. Replica, às vezes com contornos acadêmicos, as mesmas ideias que emanam do carcomido auditório do Clube Militar, espaço de recreação dos oficiais de pijama.
Meio empresa, meio quartel, o Millenium funciona sob uma impressionante estrutura hierárquica comandada e financiada por medalhões da indústria. Baseia-se na disseminação massiva de uma ideia central, o liberalismo econômico ortodoxo, e os conceitos de livre-mercado e propriedade privada. Tudo bem se fosse só isso. No fundo, o discurso liberal esconde um frequente flerte com o moralismo udenista, o discurso golpista e a desqualificação do debate público. Criado em 2005 com o curioso nome de “Instituto da Realidade”, transformou-se em Millenium em dezembro de 2009 após ser qualificado como Organização Social de Interesse Público (Oscip) pelo Ministério da Justiça. Bem a tempo de se integrar de corpo e alma à campanha de José Serra, do PSDB, nas eleições presidenciais de 2010. Em pouco tempo, aparelhado por um batalhão de “especialistas”, virou um bunker antiesquerda e principal irradiador do ódio de classe e do ressentimento eleitoral dedicado até hoje ao ex-presidente Lula.

                                                        (Lamounier – O figurino dos anos 1960 no século XXI)
O batalhão de “especialistas” conta com 180 profissionais de diversas áreas, entre eles, o jornalista José Nêumanne Pinto, o historiador Roberto DaMatta e o economista Rodrigo Constantino, autor do recém-lançado Privatize Já. A obra é um libelo privatizante feito sob encomenda para se contrapor ao livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., sobre as privatizações nos governos de Fernando Henrique Cardoso que beneficiaram Serra e seus familiares. E não há um único dos senhores envolvidos com as privatizações dos anos 1990 que hoje não nade em dinheiro.
Os “especialistas” são todos, curiosamente, brancos. Talvez por conta da adesão furiosa da agremiação aos manifestantes anticotas raciais. A tropa é comandada pelo jornalista Eurípedes Alcântara, diretor de redação da revista Veja, publicação onde, semanalmente, o Millenium vê seus evangelhos e autos de fé renovados. Alcântara é um dos dois titulares do Conselho Editorial da entidade. O outro é Antonio Carlos Pereira, editorialista de O Estado de S. Paulo.
Alcântara e Pereira não são presenças aleatórias, tampouco foram nomeados por filtros da meritocracia, conceito caríssimo ao instituto. A dupla de jornalistas representa dois dos quatro conglomerados de mídia que formam a bússola ideológica da entidade, a Editora Abril e o Grupo Estado. Os demais são as Organizações Globo e a Rede Brasil Sul (RBS).
O Millenium possui uma direção administrativa formada por dez integrantes, entre os quais destaca-se a diretora-executiva Priscila Barbosa Pereira Pinto. Embora seja a principal executiva de um instituto que tem entre suas maiores bandeiras a defesa da liberdade de imprensa e de expressão – e à livre circulação de ideias –, Priscila Pinto não se mostrou muito disposta a fornecer informações a CartaCapital. A executiva recusou-se a explicar o formidável organograma que inclui uma enorme gama de empresas e empresários.
Entre os “mantenedores e parceiros”, responsáveis pelo suporte financeiro do instituto, estão empresas como a Gerdau, a Localiza (maior locadora de veículos do País) e a Statoil, companhia norueguesa de petróleo. No “grupo máster” aparece a Suzano, gigante nacional de produção de papel e celulose. No chamado “grupo de apoio” estão a RBS, o Estadão e o Grupo Meio & Mensagem.
Há ainda uma lista de 25 doadores permanentes, entre os quais, se incluem o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do falecido empresário José Alencar da Silva, vice-presidente da República nos dois mandatos de Lula. O organograma do clube da reação possui também uma “câmara de fundadores e curadores” (22 integrantes, entre eles o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco e o jornalista Pedro Bial), uma “câmara de mantenedores” (14 pessoas) e uma “câmara de instituições” com nove membros. Gente demais para uma simples instituição sem fins lucrativos.
Uma das atividades fundamentais é a cooptação, via concessão de bolsas de estudo no exterior, de jovens jornalistas brasileiros. Esse trabalho não é feito diretamente pelo instituto, mas por um de seus agregados, o Instituto Ling, mantido pelo empresário William Ling, dono da Petropar, gigante do setor de petroquímicos. Endereçado a profissionais com idades entre 24 e 30 anos, o programa “Jornalista de Visão” concede bolsas de mestrado ou especialização em universidades dos Estados Unidos e da Europa a funcionários dos grupos de mídia ligados ao Millenium.
Em 2010, quando o programa se iniciou, cinco jornalistas foram escolhidos, um de cada representante da mídia vincula-da ao Millenium: Época (Globo), Veja (Abril), O Estado de S. PauloFolha de S.Paulo e Zero Hora (RBS). Em 2011, à exceção de um repórter do jornal A Tarde, da Bahia, o critério de escolha se manteve. Os agraciados foram da Época (2), Estadão(1), Folha (2), Zero Hora (1) e revista Galileu (1), da Editora Globo. Neste ano foram contemplados três jornalistas do Estadão, dois da Folha, um da rádio CBN (Globo), um daVeja, um do jornal O Globo e um da revista Capital Aberto, especializada em mercado de capitais.
Para ser escolhido, segundo as diretrizes apresentadas pelo Instituto Ling, o interessado não deve ser filiado a partidos políticos e demonstrar “capacidade de liderança, independência e espírito crítico”. Os aprovados são apresentados durante um café da manhã na entidade, na primeira semana de agosto, e são obrigados a fazer uma espécie de juramento: prometer trabalhar “pelo fortalecimento da imprensa no Brasil, defendendo os valores de independência, democracia, economia de mercado, Estado de Direito e liberdade”.

                                                   (Mainardi: sua covardia o levou a se esconder em Veneza)
O Millenium investe ainda em palestras, lançamentos de livros e debates abertos ao público, quase sempre voltados para assuntos econômicos e para a discussão tão obsessiva quanto inútil sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão. Todo ano, por exemplo, o Millenium promove o “Dia da Liberdade de Impostos” e organiza os debates “Democracia e Liberdade de Expressão”. Entre os astros especialmente convidados para esses eventos estão Marcelo Tas, da Band, e Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, ambos de Veja. Humoristas jornalistas. Ou vice-versa.
O que toda essa gente faz e quanto cada um doa individualmente é mantido em segredo. Apesar da insistência de CartaCapital, a diretora-executiva Priscila Pinto mandou informar, via assessoria de imprensa, que não iria fornecer as informações requisitadas pela reportagem. Limitou-se a enviar nota oficial com um resumo da longa apresentação reproduzida na página eletrônica do Millenium sobre a missão do instituto. Entre eles, listado na rubrica “código de valores”, consta a premissa da transparência, voltada para “possibilidade de fiscalização pela sociedade civil e imprensa”. Valores, como se vê, bem flexíveis.
Josué Gomes e Gerdau também não atenderam aos pedidos de entrevista. O silêncio impede, no caso do primeiro, que se entenda o motivo de ele contribuir com um instituto cuja maioria dos integrantes sistematicamente atacou o governo do qual seu pai não só participou como foi um dos mais firmes defensores. E se ele é contra, por exemplo, a redução dos juros brasileiros a níveis civilizados. O industrial José Alencar passou os oito anos no governo a reclamar das taxas cobradas no Brasil. A turma do Millenium, ao contrário, brada contra o “intervencionismo estatal” na queda de braço entre o Palácio do Planalto e os bancos pela queda nos spreads cobrados dos consumidores finais.
No caso de Gerdau, seria interessante saber se o empresário, integrante da câmara de gestão federal, concorda com a tese de que a tentativa de redução no preço de energia é uma “intervenção descabida” do Estado, tese defendida pelo instituto que ele financia. Gerdau e Josué se perfilam, de forma consciente ou não, ao Movimento Endireita Brasil, defensor de teses esdrúxulas como a de que os militares golpistas de 1964 eram todos de esquerda.
O que há de transparência no Millenium não vem do espírito democrático de seus diretores, mas de uma obrigação legal comum a todas as ONGs certificadas pelo Ministério da Justiça. Essas entidades são obrigadas a disponibilizar ao público os dados administrativos e informações contábeis atualizadas. A direção do instituto se negou a informar à revista os valores pagos individualmente pelos doadores, assim como não quis discriminar o tamanho dos aportes financeiros feitos pelas empresas associadas.
A contabilidade disponível no Ministério da Justiça, contudo, revela a pujança da receita da entidade, uma média de 1 milhão de reais nos últimos dois anos. Em três anos de funcionamento auditados pelo governo (2009, 2010 e 2011), o Millenium deu prejuízos em dois deles.
Em 2009, quando foi certificado pelo Ministério da Justiça, o instituto conseguiu arrecadar 595,2 mil reais, 51% dos quais oriundos de doadores pessoas físicas e os demais 49% de recursos vindos de empresas privadas. Havia então quatro funcionários remunerados, embora a direção do Millenium não revele quem sejam, nem muito menos quanto recebem do instituto. Naquele ano, a entidade fechou as contas com prejuízo de 8,9 mil reais.
Em 2010, graças à adesão maciça de empresários e doadores antipetistas em geral, a arrecadação do Millenium praticamente dobrou. A receita no ano eleitoral foi de 1 milhão de reais, dos quais 65% vieram de doações de empresas privadas. O número de funcionários remunerados quase dobrou, de quatro para sete, e as contas fecharam no azul, com superávit de 153,9 mil reais.
Segundo as informações referentes ao exercício de 2011, a arrecadação do Millenium caiu pouco (951,9 mil reais) e se manteve na mesma relação porcentual de doadores (65% de empresas privadas, 35% de doações de pessoas físicas). O problema foi fechar as contas. No ano passado, a entidade amargou um prejuízo de 76,6 mil reais, mixaria para o volume de recursos reunidos em torno dos patrocinadores e mantenedores. Apenas com verbas publicitárias repassadas pelo governo federal, a turma midiática do Millenium faturou no ano passado 112,7 milhões de reais.







terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Cassino Brasil e a Fraude na Mega Sena




  Que o Brasil é um enorme Casino não-oficial, todos sabem. De loteria esportiva à mega sena, passando por outros similares, tudo remete a jogatina da grossa.

  Repare que ao entrar em uma lotérica para pagar contas ou usufruir dos serviços da Caixa Econômica Federal, as atendentes sempre tentam convencer os clientes a "fazer uma aposta". Vendedoras antes de ser operadoras de caixa, para trabalhar em estabelecimentos desse tipo é requisito obrigatório ter experiência com vendas, de qualquer espécie.

  Principal alvo das investidas das meninas simpáticas em demasia são os aposentados, que sonham com melhorias em suas vidas e um reforço na aposentadoria através do jogo. Paradoxal, porque o excessivo hábito de jogar atinge em cheio seus bolsos, e bem forte, já que o vício é algo que vem fácil e pra perdê-lo nem tanto.

  Mas o sonho de consumo dos brasileiros é a famosa "Mega Sena da Virada", que costumeiramente paga algo em torno dos 200 milhões, em média. Valor que chama a atenção e atrai a maior quantidade de ingênuos,quer dizer, apostadores no ano.

  Também chama a atenção as suspeitas que rondam a mega sena (seja a do final do ano ou não) há tempos. Mas sempre que se trazia à baila o assunto os maganos da Caixa Econômica se apressavam em refutar a tese, alegando não haver provas ou sequer indícios de tamanha infâmia.

  Bom, a última aposta da Mega  acabou chamando a atenção porque vazou dias antes nas redes sociais um diálogo que fazia referência a uma suposta armação do resultado.





  Repare que a postagem é do dia 15/12. Se antes não havia "indícios", agora há. O que talvez não haja é uma vontade de se investigar, afinal é um dos grandes negócios desse país ( e a Mega Sena é o carro-chefe).

  Durante muito tempo se cogitava a hipótese de haver armação. Hoje parece que a certeza existe. A grande pergunta é : seria o brasileiro capaz de se abster de uma mania tão forte como esta? Mesmo com eventuais denúncias? Lembrando que mesmo após revelações de que havia produtos cancerígenos nos cigarros, os fumantes prosseguiram em seu vício. Saber que drogas, em geral, levam a morte, não parece intimidar usuários em geral.

  E  tal qual a indústria do tabaco e a "indústria" das drogas, também com a jogatina oficial pelo país afora há interessados em que nada atrapalhe e que ninguém enxergue a verdade por trás do engodo.

  Se nem assim, o Brasil acordar, então é melhor liberar geral. Se a manipulação que vem de cima parece não incomodar, então nada mais poderá tirar o brasileiro da sua letargia costumeira.


LINK ORIGINAL DO DIÁLOGO SUSPEITO AQUI




  Abaixo vídeo do Youtube, com o senador Álvaro Dias, que já havia denunciado o esquema bem antes.






reportagem do Domingo Espetacular




Denúncia de fraude na Mega da Virada causa polêmica nas redes sociais         (EM impresso)


fonte : Rede Esgoto de Televisão (Facebook)