terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Jean Wyllys responde mídia homofóbica: Veja, que lixo!





Por Jean Wyllys

do site Pragmatismo Político

Eu havia prometido não responder à coluna do ex-diretor de redação de Veja, José Roberto Guzzo, para não ampliar a voz dos imbecis. Mas foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos, que eu dominei meu asco e decidi responder.

A coluna publicada na edição desta semana do libelo da editora Abril — e que trata sobre o relacionamento dele com uma cabra e sua rejeição ao espinafre, e usa esses exemplos de sua vida pessoal como desculpa para injuriar os homossexuais — é um monumento à ignorância, ao mau gosto e ao preconceito.

Logo no início, Guzzo usa o termo “homossexualismo” e se refere à nossa orientação sexual como “estilo de vida gay”. Com relação ao primeiro, é necessário esclarecer que as orientações sexuais (seja você hétero, lésbica, gay ou bi) não são tendências ideológicas ou políticas nem doenças, de modo que não tem “ismo” nenhum. São orientações da sexualidade, por isso se fala em “homossexualidade”, “heterossexualidade” e “bissexualidade”. Não é uma opção, como alguns acreditam por falta de informação: ninguém escolhe ser homo, hétero ou bi.



                                     (José Roberto Guzzo, colunista da revista Veja. (Foto: reprodução))


O uso do sufixo “ismo”, por Guzzo, é, portanto, proposital: os homofóbicos o empregam para associar a homossexualidade à ideia de algo que pode passar de uns a outros – “contagioso” como uma doença – ou para reforçar o equívoco de que se trata de uma “opção” de vida ou de pensamento da qual se pode fazer proselitismo.
Não se trata de burrice da parte do colunista portanto, mas de má fé. Se fosse só burrice, bastaria informar a Guzzo que a orientação sexual é constitutiva da subjetividade de cada um/a e que esta não muda (Gosta-se de homem ou de mulher desde sempre e se continua gostando); e que não há um “estilo de vida gay” da mesma maneira que não há um “estilo de vida hétero”.
A má fé conjugada de desonestidade intelectual não permitiu ao colunista sequer ponderar que heterossexuais e homossexuais partilham alguns estilos de vida que nada têm a ver com suas orientações sexuais! Aliás, esse deslize lógico só não é mais constrangedor do que sua afirmação de que não se pode falar em comunidade gay e que o movimento gay não existe porque os homossexuais são distintos. E o movimento negro? E o movimento de mulheres? Todos os negros e todas as mulheres são iguais, fabricados em série?
A comunidade LGBT existe em sua dispersão, composta de indivíduos que são diferentes entre si, que têm diferentes caracteres físicos, estilos de vida, ideias, convicções religiosas ou políticas, ocupações, profissões, aspirações na vida, times de futebol e preferências artísticas, mas que partilham um sentimento de pertencer a um grupo cuja base de identificação é ser vítima da injúria, da difamação e da negação de direitos! Negar que haja uma comunidade LGBT é ignorar os fatos ou a inscrição das relações afetivas, culturais, econômicas e políticas dos LGBTs nas topografias das cidades. Mesmo com nossas diferenças, partilhamos um sentimento de identificação que se materializa em espaços e representações comuns a todos.
Desse sentimento que nasce, em muitos (mas não em todas e todos, infelizmente) a vontade de agir politicamente em nome do coletivo; é dele que nasce o movimento LGBT. O movimento negro — também oriundo de uma comunidade dispersa que, ao mesmo tempo, partilha um sentimento de pertença — existe pela mesma razão que o movimento LGBT: porque há preconceitos a serem derrubados, injustiças e violências específicas contra as quais lutar e direitos a conquistar.
A luta do movimento LGBT pelo casamento civil igualitário é semelhante à que os negros tiveram que travar nos EUA para derrubar a interdição do casamento interracial, proibido até meados do século 20. E essa proibição era justificada com argumentos muito semelhantes aos que Guzzo usa contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Afirma o colunista de Veja que nós os e as homossexuais queremos “ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos”, e pouco depois ele coloca como exemplo a luta pelo casamento civil igualitário. Ora, quando nós, gays e lésbicas, lutamos pelo direito ao casamento civil, o que estamos reclamando é, justamente, não sermos mais tratados como uma categoria diferente de cidadãos, mas igual aos outros cidadãos e cidadãs, com os mesmos direitos, nem mais nem menos. É tão simples! Guzzo diz que “o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa”. Ora, mas é a lei que queremos mudar! Por lei, a escravidão de negros foi legal e o voto feminino foi proibido. Mas, felizmente, a sociedade avança e as leis mudam. O casamento entre pessoas do mesmo sexo já &e acute; legal em muitos países onde antes não era. E vamos conquistar também no Brasil!

Os argumentos de Guzzo contra o casamento igualitário seriam uma confissão pública de estupidez se não fosse uma peça de má fé e desonestidade intelectual a serviço do reacionarismo da revista. Ele afirma: “Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar”. Eu não sei que tipo de relação estável o senhor Guzzo tem com a sua cabra, mas duvido que alguém possa ter, com uma cabra, o tipo de relação que é possível ter com um cabra — como Riobaldo, o cabra macho que se apaixonou por Diadorim, que ele julgava ser um homem, no romance monumental de Guimarães Rosa. O que ele, Guzzo, chama de “relacionamento” com sua cabra é uma fantasia, pois falta o intersubjetivo, a reciprocidade que, no amor e no sexo, só é possível com outro ser humano adulto: duvido que a cabra dele entenda o que ele porventura faz com ela como um “relacionamento”.

Guzzo também argumenta que “se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for”. Bom, nós, os gays e lésbicas, somos como o espinafre ou como as cabras. Esse é o nível do debate que a Veja propõe aos seus leitores.

Não, senhor Guzzo, a lei não pode obrigar ninguém a “gostar” de gays, lésbicas, negros, judeus, nordestinos, travestis, imigrantes ou cristãos. E ninguém propõe que essa obrigação exista. Pode-se gostar ou não gostar de quem quiser na sua intimidade (De cabra, inclusive, caro Guzzo, por mais estranho que seu gosto me pareça!). Mas não se pode injuriar, ofender, agredir, exercer violência, privar de direitos. É disso que se trata.

O colunista, em sua desonestidade intelectual, também apela para uma comparação descabida: “Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos”. O que Guzzo não diz, de propósito (porque se trata de enganar os incautos), é que esses 300 homossexuais foram assassinados por sua orientação sexual! Essas estatísticas não incluem os gays mortos em assaltos, tiroteios, sequestros, acidentes de carro ou pela violência do tráfico, das milícias ou da polícia.

As estatísticas se referem aos LGBTs assassinados exclusivamente por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero! Negar isso é o mesmo que negar a violência racista que só se abate sobre pessoas de pele preta, como as humilhações em operações policiais, os “convites” a se dirigirem a elevadores de serviço e as mortes em “autos de resistência”.

Qual seria a reação de todas e todos nós se Veja tivesse publicado uma coluna em que comparasse negros e negras com cabras e judeus com espinafre? Eu não espero pelo dia em que os homens e mulheres concordem, mas tenho esperança de que esteja cada vez mais perto o dia em que as pessoas lerão colunas como a de Guzzo e dirão “veja que lixo!”.





Imagens Que Abalaram os Últimos 100 Anos







                         (O dirigível 'Zepelin' em chamas,o que precipitou seu fim precoce,em 1936)




                        (o símbolo da fome da África,a imagem correu o mundo e chocou as pessoas)





                                       ( O pouso dos astronautas americanos na Lua em 1969)





                    (O presidente americano George W. Bush sendo aviado dos ataques ,no dia 11/09/01)





                                                ( A queda do Muro de Berlin, em 1989)





                          (A união oficial da igreja Católica, representada pelo Papa Pio XII, e Hitler, em 1939)



 
(Imagem impactante da guerra do Vietnã,a da garota Kim Phuc, então com 9 anos,em completo desespero. Junho de 72)





                                                     (Marilyn Monroe, no necrotério,agosto de 1962)






                                                  (Os sobreviventes dos Andes,1972)






                   (Soldados soviéticos tomam oficialmente Berlin, em 1945,chegando antes dos americanos)






                        (Mais de 1 milhão de pessoas compareceram no funeral de Mahatma Gandhi,)





                        (A grande depressão nos EUA,em 1929 após a quebra da Bolsa de Valores)





                                 (Os ataques ao World Trade Center,as Torres Gêmeas)





                                    (A revolução bolchevique,de 1917,liderada por Lênin)





                 (O grupo que dividiu a música no século XX e a capa do álbum mais famoso, 'Abbey Road')





                                                  (Elvis Presley no caixão,em 1977)





         (Durante os protestos na Praça da Paz Celestial, estudante pára um comboio de tanques, que estava prestes a atacar mais estudantes)





                                        (O holocausto judeu,durante a segunda guerra mundial)





(A guerra do Golfo,em 1990, foi o primeiro conflito bélico  acompanhado em tempo real,ao vivo a em cores, pelas emissoras de TV americanas)





      (A bomba atômica que dizimou Hiroshima,colocando um triste fim ao já tenebroso conflito chamado de 'Segunda Grande Guerra')




         (Mais de meio milhão de negros americanos acompanharam o discurso histórico de Mrtin Luther King, em Washigton, 1963)




                                      (O brutal assassinato de John F. Kennedy,em 1963)




    (Woodstock - O maior concerto de rock ao ar livre da história. Em 1969 os três dias de música e protesto,ou de paz e amor, foram presenciados por mais de um milhão de pessoas)




                                         (A condenação à morte de Saddam Hussein)




                     (A tsunami que ,em 2004, atingiu vários países e dizimou mais de 350.000 vidas)

                                                (Acidente  nuclear em Chernobyl, abril de 1986)


(Na foto, forças vietnamitas do Sul, após escoltarem Nguyen Van Lem (policial Vietcong), o executaram em Saigon, 1º de fevereiro de 1968, no início da Ofensiva do Tet.)


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Conjunto Hospitalar de Sorocaba está em situação precária





    Espero que os governantes entendam que saúde é um DIREITO  do brasileiro,garantido pela constituição brasileira e,conseguinte, um DEVER do poder constituído. Repassei a denúncia ao Ministério Público...Só espero que os abnegados promotores não se furtem em auxiliar a população que agoniza em praça pública por descaso dos políticos e da falta de voz ativa do próprio povo,sempre a vítima de si mesmo,já que dificilmente faz valer seus direitos.

      Na reportagem, os maus tratos e o desprezo pelo ser humano são mostrados de maneira objetiva,que não deixam dúvida que o sistema de saúde brasileiro está na UTI. Se o MP não intervier, o jeito é torcer para que a OMS perceba a fuzarca na saúde por estas bandas e tome uma atitude propositiva. Caso contrário, continuaremos pagando impostos como se vivêssemos na Suíça e receberemos em troca serviços como se estivéssemos na Somália.


LINK AQUI





O que está em jogo no julgamento de Bradley Manning?





WikiLeaks: O que está em jogo no julgamento de Bradley Manning?


  
Pra quem não conhece a história : 

(Manning era um analista de inteligência lotado no batalhão de suporte da 2ª Brigada da 10ª Divisão da Estação de Operação de Contingência no Iraque. Agentes do Comando de Investigação Criminal do Exército prenderam Manning baseados em informações recebidas de autoridades federais providas pelo informante Adrian Lamo. Manning e Lamo haviam conversado a respeito, e Manning contou a Lamo que ele havia sido o responsável pelo vazamento de um video sobre um ataque de um helicóptero a civis em 12 de julho de 2007 em Bagdá. Lamo posteriormente entregou Manning às autoridades).








Quando o julgamento do soldado Bradley Manning, de 23 anos, tiver começado, em 4 de fevereiro de 2013, ele terá passado 983 dias na prisão, sendo nove meses em uma cela solitária, sem ter sido condenado por nenhum crime.

Por Michael Ratner, em Counter Punch





Essa semana, durante audiências anteriores ao julgamento, uma corte militar está analisando evidências de que as condições às quais ele foi submetido constituem tortura. Essas condições incluem o período de nove meses em que ele ficou por 23 horas por dia em um cubículo, onde lhe foi negado o direito de se deitar ou de até se apoiar em uma parede para dormir – isso quando era autorizado a dormir à noite, pois carcereiros o acordavam a cada cinco minutos – e onde foi submetido a revistas íntimas e nudez forçada. Um relatório da ONU sobre tortura já classificou essa situação como tratamento cruel e desumano, e possivelmente tortura.


                           (Obama numa saia justa,respondendo sobre Bradley)

Por quase três anos, Manning tem enfrentado pressão física e emocional, criadas para forçá-lo a envolver o Wikileaks e seu criador Julian Assange em uma suposta conspiração para espionagem. É também uma mensagem para todos os informantes em potencial: o governo dos EUA não será bondoso.

“[Se] você visse coisas incríveis, coisas horríveis…coisas que pertencessem ao domínio público, e não em um servidor qualquer em uma sala escura de Washington, D.C....o que você faria? É importante que isso seja conhecido…pode mudar as coisas de fato...com sorte discussões, debates e reformas ao redor do mundo…”

Supostamente, essas são frases de Manning*, e falam sobre a mudança que muitos de nós gostaríamos de acreditar: se você entrega ao povo a verdade sobre as atividades ilegais de seus governos, e a liberdade para discuti-las, elas irão questionar esses líderes.

Mas uma coisa é falar sobre transparência, a força vital da democracia, e até fazer campanha por ela – em 2008, o então candidato Obama disse, “delatores de governos fazem parte de uma democracia saudável e devem ser protegidos de represálias” –, porém, outra coisa é colocá-la em prática. Em um nível básico, Manning está sendo punido, sem ter sido condenado, pelo crime de ter tido a coragem de agir na crença de que, sem um público informado, nossa república está seriamente comprometida. Ou, como ele é citado, por querer “que as pessoas vissem a verdade...independente de quem fosse...porque sem informação, o público não consegue tomar decisões embasadas.”
O governo norte-americano quer criar a imagem de que Manning é um traidor que patrocinou e instigou a Al Qaeda ao vazar informações secretas ao domínio público. Mas a verdade é que os documentos foram enviados de forma anônima para o Wikileaks, que os publicou em parceria com o The New York Times, The Guardian e outros veículos em benefício do público em geral, assim como os Papéis do Pentágono (Pentagon Papers) foram publicado há uma geração atrás.

Os e-mails que a Promotoria está usando para tentar provar que Manning era a fonte dos vazamentos também demonstram o lado da história que eles querem esconder, a de um jovem soldado, lutando com o dilema de ser um informante, que sabe que está correndo grande risco ao expor os crimes e abusos patrocinados pelo Estado, testemunhados por ele, os “quase criminosos acordos políticos a portas fechadas...a versão não RP dos eventos e crises do mundo”, conforme ele é citado ao descrevê-los a um confidente, que no fim o traiu.

“Desistirei oficialmente da sociedade que temos caso nada aconteça”. Impossível não refletir sobre o que Manning está pensando agora, depois de tanto tempo submetido a condições de confinamento tão brutais. Ele imaginava que o governo iria puni-lo de forma tão desproporcional e ilegal?

O tratamento abusivo recebido por Manning antes do julgamento é uma clara violação da Quinta, Sexta e Oitava Emendas da Constituição dos Estados Unidos, da Convenção da ONU Contra Torturas e até da lei marcial norte-americana. De fato, o advogado de Manning, David Coombs, argumenta nessas audiências anteriores ao julgamento, essa semana, que frente ao flagrante desrespeito aos direitos mais fundamentais de seu cliente, todas as denúncias deveriam ser revogadas.

O governo alega que essa manobra pretende prevenir Manning de cometer suicídio, apesar de que qualquer observador racional poderia assinalar que essas condições têm mais chances de levar alguém a se matar do que a evitar o suicídio. A explicação mais provável é também a mais óbvia: o governo quer machucar Manning o suficiente para forçá-lo a envolver o Wikileaks e Assange e, posteriormente, transformar isso em um show, com a intenção de desestimular futuros informantes. O que está em jogo é a base da nossa democracia, uma robusta imprensa livre e o destino de um real herói norte-americano.
Observação: Bradley Manning não foi condenado em nenhuma das denúncias, ou admitiu nenhuma das acusações apontadas contra ele. Da mesma maneira, ele não confirmou a autenticidade dos registros de chat apontados como sendo dele.

* Michael Ratner é presidente-emérito do Center for Constitutional Rights, que representa o Wikileaks e Julian Assange, assim como outros jornalistas e organizações de mídia que lidam com os documentos do julgamento de Manning. Artigo originalmente publicado no CounterPunch.org



                    (Vídeo que mostra os soldados americanos matando civis inocentes,incluindo duas crianças







domingo, 2 de dezembro de 2012

O Militar que Sabia Demais









































Do Revolucionários Eternamente (Facebook)


Ubiratan Pereira de Oliveira tem 88 anos e quando jovem foi primeiro sargento da Aeronáutica. Seu nome não é conhecido nem aparece nos livros de História, mas ele foi um dos tantos brasileiros que, há 50 anos, participaram dos acontecimentos de uma época marcada por tentativas de golpes e contragolpes. Na última quarta-feira, ele ganhou o reconhecimento oficial, por meio de pedido de desculpas da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e uma reparação econômica pela perseguição que sofreria nos anos seguintes.

Em 1961, dois anos e meio antes do golpe de 1964, militares que se opunham a Jango já haviam tentado impedir sua posse. Em 25 de agosto daquele ano, sete meses depois de se tornar presidente do Brasil, Jânio Quadros renunciou. O cargo caberia ao então vice-presidente João Goulart, que estava em viagem oficial à China. A solução negociada com os militares foi a opção pelo parlamentarismo: Jango se tornou presidente, mas teve suas atribuições esvaziadas.

Mesmo com menos poderes que os presidentes anteriores, a posse de Jango só foi possível graças à atuação do seu cunhado e aliado, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. É nesse ponto da história que entra Ubiratan.
Em 1961, com o objetivo de evitar o golpe, Brizola lançou a Cadeia da Legalidade e ganhou apoio do IIIº Exército, sediado no Rio Grande do Sul. Por outro lado, na Aeronáutica, a situação era diferente. Foi planejado um bombardeio ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, para calar Brizola.
- No ano de 1961, um ministro da Aeronáutica determinou ao comando da base que fizesse Brizola calar e que, se precisasse, usasse até bombas. Foi então planejado um ataque ao Palácio Piratini - disse o próprio Ubiratan, em depoimento que prestou à Comissão de Anistia.

O primeiro sargento trabalhava na época no quartel general de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, e era responsável por cuidar das aeronaves do local. Caberia a ele deixar o avião pronto, com duas bombas e metralhadoras armadas. O ataque, porém, foi sabotado por um grupo de suboficiais e sargentos, que esvaziaram os pneus do avião e descarregaram as armas.

Ubiratan não delatou os colegas e, em 1964, quando finalmente o golpe foi vitorioso e derrubou Jango, ficou preso e incomunicável por 15 dias. Em 1972 foi reformado por doença e nunca foi promovido, por ter sido acusado de atividades subversivas. O fato de ter curso de suboficial não teve nenhum peso nessa hora.

Na última quarta, veio a reparação. A Comissão de Anistia promoveu o suboficial e concedeu uma pensão de R$ 7.757,10 mensais, além de R$ 397.808,00 mil retroativos.

- A promoção de Ubiratan é o mais importante para nós, porque mesmo tendo o direito, e recorrendo, tendo feito o curso de suboficial, esse direito foi negado a ele todo esse tempo e agora ele vai poder ter - afirmou na quarta a vice-presidente da Comissão de Anistia, Sueli Belato.


Fonte: Jornal O Globo




sábado, 1 de dezembro de 2012

AS TORCIDAS ORGANIZADAS EM ISRAEL E O ÓDIO MORTAL AOS JOGADORES ÁRABES









   Documentário da ESPN americana sobre o futebol em Israel e o ódio dos torcedores uniformizados judeus contra jogadores que atuam pelos times e que são árabes. Todo os problemas que nós brasileiros acompanhamos pelos gramados tupiniquins envolvendo as agremiações organizadas que barbarizam com outros, só pelo fato de gostarem de um time diferente, parecem pouco,comparando com as por aquelas bandas. Lá as coisas são ainda piores.

  Documentário corajoso,curto (apenas 14 minutos) e que nos dá a situação real que acontece em Israel contra a população árabe que vive (e agoniza) por lá.






Uma Mulher Chamada Zoya





Zoya foi torturada por mais duas horas. Mas, ao contrário do que pensava o coronel, ela não disse nada. Após as torturas, o camponês Vasily conseguiu convencer um dos guardas a deixá-lo levar um copo d'água para Zoya. Ela perguntou:

– Quan
tas casas eu queimei?

– Três. – respondeu Vasily.

– Queimei algum alemão?

– Um.

– Que mais?

– Vinte cavalos e o cabo telefônico.

Zoya suspirou. Gostaria de ter causado mais prejuízos. Mas a informação do resultado de seu ataque a reconfortou. Durante o dia seguinte, novas sessões de tortura. Mais uma vez ela não disse nada. Vendo que os interrogatórios eram inúteis, os nazistas decidiram enforcar Zoya em praça pública. Em seu pescoço penduraram uma placa com os dizeres: "Incendiária de lares". Queriam que sua morte servisse de exemplo para os soviéticos. De fato, Zoya haveria de ser tornar um exemplo, porém bem diferente do que os nazistas planejaram.

A forca foi montada na praça central. Embaixo, uma cadeira. Os habitantes de Petrishtshevo foram obrigados a comparecer. Alguns choravam, outros viravam o rosto. Mas os alemães haviam ordenado, até, que fossem tiradas fotografias desse momento. Em cima da cadeira, com a corda no pescoço, Zoya aproveitou-se da espera e iniciou uma vibrante agitação política: "Avante, camaradas! Por que estão tristes? Sejam bravos! Continuem nossa luta. Matem alemães! Queime-os! Envenenem-nos!".

Os nazistas enlouqueceram. Não sabiam o que fazer. A máquina fotográfica foi rapidamente guardada. O carrasco correu para empurrar a cadeira. Zoya ainda gritou: "Lutem sempre! Stálin está conosco!".

Foram suas últimas palavras. Isso aconteceu no dia 5 de dezembro de 1941. Zoya tinha, então, 18 anos. Seu corpo ficou pendurado durante vinte dias. Suas palavras e seu exemplo, porém, correram a União Soviética como um raio. Seguindo o exemplo de Zoya, milhares de jovens alistaram-se como guerrilheiros. Os guerrilheiros faziam da vida dos invasores um inferno. Os soldados de Hitler não podiam descansar. Não podiam dormir. Em qualquer lugar, a qualquer momento, havia um guerrilheiro pronto para atacar. Muitos soldados nazistas enlouqueceram. Milhares foram mortos pelos guerrilheiros.

Em 1º de dezembro de 1942, um ano depois da morte de Zoya e já durante a contra-ofensiva soviética, o jornal Izvestia publicou a seguinte notícia: "No decorrer dos primeiros dias da ofensiva de Rhzev, os soldados do general Povetkin esmagaram várias unidades de tropas alemãs".

Entre essas tropas, completamente destroçado e atemorizado, estava o regimento que havia assassinado Zoya. O glorioso Exército Vermelho havia conseguido vingar a morte de sua heroína.







Homenagens

O silêncio de Zoya ante os nazistas foi tal que mesmo o Exército Vermelho teve dificuldade de identificar quem era a guerrilheira Tanya. Em 16 de fevereiro de 1942, Zoya tornou-se a primeira mulher a receber, postumamente, o título de Heroína da União Soviética. Em 1944, Lev Arnshtam fez um filme sobre sua vida. Foram compostas também peças de teatro e músicas em sua homenagem. Dois asteróides descobertos por astrônomos soviéticos foram batizados com seu nome. Ainda hoje há estátuas de Zoya nas cidades de São Petersburgo (antiga Leningrado), Tambov, Dorokhov e Petrishevo.

Durante a década de 1980, uma das principais militantes da Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão, organização que lutava contra a opressão fundamentalista sobre as mulheres daquele país, adotou o nome Zoya como seu nome clandestino. Assim, Zoya Kosmodemyanskaya continua inspirando os revolucionários em todo o mundo.