sexta-feira, 5 de outubro de 2012

UM IDIOTA CHAMADO TORCEDOR





De todas as coisas que possam acarretar atraso a uma sociedade,a alienação causada por fanatismo por futebol é uma das piores.
Nas últimas semanas algumas situações constrangedoras aconteceram pelos campos Brasil afora,no chamado ‘esporte mais popular do país’.Difícil ler esses ocorridos e não se revoltar.


PRIMEIRO TEMPO
 Da ESPN :
Cusparada, agressão, choro e a polícia imóvel. O absurdo no Couto por quem estava lá
   





Relato de um torcedor (Rodrigo Salvador)que presenciou quando o jogador do São Paulo,Lucas,entrega sua camisa à uma criança de 13 anos:

“Lucas apontou pra Milena, que estava acompanhada pelo pai e por um irmão mais novo. Tomou cusparadas. Sequer olhou na cara do nojento, e seguiu conversando com ela. Eu, que estava no segundo anel, logo acima do alvoroço, conseguia ver o cuspe no ombro dele. Mesmo assim, julgando que a menina receberia um respeito que ele não teve, jogou a camisa. Logo chegou um elemento apontando pro fosso e gritando "joga lá". Mais dois, os cuspidores, também gritaram. O pai tentou em vão proteger a menina enquanto dúzias corriam na direção deles.

Veio o primeiro tapa na cabeça do pai. A menina gritava e chorava, desesperada, não tinham por onde sair. Alguém meteu a mão na cara do pai e tirou os óculos da cara dele. Mais gente correu pra lá. Quase um minuto de confusão se passou quando três homens da segurança contratada do estádio (não policiais) tentaram interromper a confusão - esta segurança trabalha no Couto desde o famoso episódio de 2009, sao cerca de 200 seguranças - mas não conseguiram chegar até a menina. Neste momento, procurei por policiais e vi 6 deles, a aproximadamente 10 metros da confusão, totalmente imóveis. No olho do furacão, um homem tentava arrancar a camisa à força da mão da Milena. Olhei pro campo e vi o Lucas voltando até a arquibancada. Sem ter por onde sair, a garota devolveu a camisa pra ele. Já sem a camisa em mãos, ela, o pai e o irmão saíram, ela chorando e o pai gritando pra ninguém. Passaram ao lado dos policiais que citei, que permaneceram imóveis.”

  O jogo foi contra o Coritiba,no Paraná

Eis o que respondeu um dos “dirigentes” da torcida organizada do Coritiba :
 “A menina não deveria ter feito isso estando na torcida do Coritiba;

- Lucas errou ao jogar a camisa com torcedores do Coritiba ainda no estádio;

- A menina é são-paulina e estava infiltrada na torcida do Coritiba (os "justiceiros" chegaram a essa conclusão vasculhando os perfis dela no Twitter e no Facebook);

- Queria ver se o Lucas protegeria um torcedor do Coritiba que estivesse no meio da torcida do São Paulo.”

Lembrando que praticamente todas as torcidas organizadas são financiadas por dirigentes dos respectivos clubes (algumas contam até com apoio de vereadores).


SEGUNDO TEMPO

Do GazetaEsportiva.net :
No intervalo do jogo entre Corinthians e Sport, a torcida corintiana se movimentou nas arquibancadas xingando em direção à área VIP, mas não era em direção a dirigente. O alvo era um torcedor estrangeiro, que vestia a camisa do Celtic, da Escócia, que é verde e branco. O visitante foi acompanhado pela polícia para deixar o local.
Ele deixou o estádio sem entender muito o que estava acontecendo.Isso porque era a camisa de um time escocês(convenhamos que os corintianos nem sabiam de que time se tratava),imagina se fosse da seleção da Argentina...





PRORROGAÇÃO
Do UOL:
Antes do início do confronto(entre Náutico e Atlético –GO), a torcida local exibiu uma faixa com a seguinte mensagem: 'Não irão nos derrubar no apito'. O árbitro Leandro Vuaden não gostou e determinou que só iniciaria o jogo depois que o protesto fosse retirado. A confusão atrasou a partida em 17 minutos. Assim que o gaúcho apitou o começo do duelo, a torcida voltou a exibir o aviso.


MORTE SÚBITA

Algum dos doadores de cérebro,autoproclamados como “torcedores” por um acaso está ciente,ou leu em algum lugar,ou ainda falou sobre as notícias a seguir, na hora do almoço com um amigo?




Ministério Público apura suspeita de direcionamento em obra da Copa em MT
Folha 08/12

“Licitação fajutada”: Ciro levanta suspeitas sobre contrato da Prefeitura com a Delta para obras da Copa em Fortaleza

 Kézya Diniz  





Governo anuncia primeiro cancelamento de obra para a Copa de 2014: VLT de Brasília não sai 28/09/2012 - 09h54 | do UOL 



Ao menos oito estádios da Copa já tiveram problemas com o TCU

Órgão identificou sobrepreço, falha em projetos e suspeita de irregularidade nos contratos
                                          -observatoriodorecife-


Copa 2014: GDF paga obras do Mané Garrincha em dobro e por serviços superfaturados 

Copa 2014: o sumidouro do dinheiro público. A vez de Natal 

8Blog do José Cruz – uol -

Ministério Público recomenda que BNDES suspenda repasse de verbas para Mineirão
Suspensão dos repasses pode atrasar a reabertura do estádio, prevista para dezembro
Agência Estado

Cancelamento de obra em Brasília reforça vocação do Brasil para Copa do Puxadinho 

Cuiabá pode ter menos jogos na Copa por causa de problemas em obra suspeita 

Blog do Perrone –Uol- 88



Com a preparação do Brasil para sediar a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, a Relatoria Especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o Direito à Moradia Adequada vem recebendo muitas denúncias sobre remoções e despejos que têm acarretado violações de direitos humanos. As denúncias referem-se a diferentes cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza.





E isso,meu caro alienado torcedor é com dinheiro público,ou seja NOSSO dinheiro.Mas quem eu quero enganar? Torcedores fanáticos são surdos ,cegos e verdadeiramente BURROS. E é com esse tipo de gente que conta :

- a emissora que transmite os jogos
- as agências de publicidade,interessadas em vender mais cerveja
- os cartolas e dirigentes de clubes e seleção,atolados em denúncias de corrupção
- os programas esportivos de 5ª categoria,que vivem de fomentar polêmicas e discussões acaloradas para se manter em destaque.

É evidente que ser torcedor ,no Brasil significa ser :

* intolerante
* ignorante
 *alienado
* fanatizado
* despreparado
* xiita

Se esse é o reflexo da sociedade brasileira como um todo (ainda bem que há exceções),então imagine só o que acontecerá durante a realização da Copa do Mundo ,em 2014...Durante jogos das seleções da Argentina (que a mídia tupiniquim insiste em satanizar) ,provavelmente teremos sérios problemas.
Isso já deveria ser extirpado da sociedade brasileira há tempos desde o ocorrido no estádio do Pacaembu.





Do Terra :
“No dia 20 de agosto de 1995, o Pacaembu, um dos estádios de futebol mais tradicionais de São Paulo, foi o campo de batalha entre torcedores de Palmeiras e São Paulo, durante jogo final da extinta Supercopa de Futebol júnior. O saldo da batalha foram 101 feridos e um morto: Márcio Gasparin da Silva, um adolescente de 16 anos(...);mortes ocasionadas por confrontos entre torcidas rivais ainda são casos comuns entre as histórias de violência das grandes cidades brasileiras.”





Acho que a melhor definição para os fanáticos é esta :

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."

Bertold Brecht




quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Satélites e raios infravermelhos encontraram 17 novas pirâmides






Fonte: O Estado de São Paulo (Matéria Original encontrada no Site da BBC)



 


Uma avaliação de imagens do Egito feitas por satélite usando raios infravermelhos identificou 17 pirâmides perdidas, além de mais de mil tumbas e 3 mil assentamentos antigos enterrados.

Escavações iniciais confirmaram algumas das descobertas, incluindo duas possíveis pirâmides.

A técnica pioneira foi desenvolvida pela arqueóloga Sarah Parcak em um laboratório patrocinado pela Nasa no Alabama, nos Estados Unidos.

Parcak se diz impressionada com o quanto sua equipe encontrou. "Fizemos pesquisas intensas por mais de um ano. Eu podia ver os dados conforme eles iam aparecendo, mas para mim o momento-chave foi quando dei um passo para trás e olhei tudo o que havíamos encontrado. Não podia acreditar que pudéssemos localizar tantos locais no Egito", disse.

A equipe analisou imagens de satélites que viajam a uma órbita a 700 quilômetros da Terra, equipados com câmeras tão potentes que poderiam identificar objetos com menos de um metro de diâmetro sobre a superfície da Terra.

As descobertas são tema do documentário da BBC Egypt's Lost Cities (As cidades perdidas do Egito) que vai ao ar na Grã-Bretanha na próxima segunda-feira.

Escavações de teste

As imagens com raios infravermelhos foram usadas para destacar materiais diferentes debaixo da superfície.

Os egípcios antigos construíram suas casas e estruturas com tijolos de barro, que são mais densos que o solo em seu entorno, tornando possível a identificação de casas, templos e tumbas.

"Isso nos mostra como é fácil subestimar tanto o tamanho como a escala dos assentamentos humanos antigos", diz Parcak.

Para ela, ainda há muito mais a ser descoberto. "Esses são somente os locais próximos à superfície. Há muitos milhares de locais adicionais que foram cobertos com lama trazida pelo rio Nilo. Esse é só o começo desse tipo de trabalho", diz.

As câmeras da BBC acompanharam Parcak em sua "nervosa" viagem ao Egito para acompanhar as escavações de teste para verificar se sua técnica podia realmente identificar construções debaixo da superfície.

Ela visitou uma área no sítio arqueológico de Saqqara, a cerca de 30 quilômetros do Cairo, onde as autoridades locais não pareciam inicialmente interessadas em suas pesquisas.

Mas após serem informados pela arqueóloga que ela havia visto duas pirâmides em potencial, eles realizaram escavações de teste e agora acreditam que é um dos sítios arqueológicos mais importantes do Egito.

Parcak disse que "o momento mais excitante foi visitar as escavações em Tanis".

"Eles haviam escavado uma casa de 3 mil anos que as imagens dos satélites haviam mostrado, e o desenho da estrutura casa quase perfeitamente com as imagens do satélite. Isso foi uma comprovação de nossa técnica", afirma.

Entre outras coisas, as autoridades egípcias planejam usar a tecnologia para ajudar a proteger as antiguidades do país no futuro.

Durante os recentes protestos populares que derrubaram o regime do presidente Hosni Mubarak, houve casos de saques em sítios arqueológicos conhecidos.

"Podemos dizer pelas imagens que uma tumba de um período particular foi saqueada e podemos alertar a Interpol para prestar atenção nas antiguidades daquele período e que podem ser oferecidas para venda", diz.

Ela também espera que a nova tecnologia ajude a interessar pessoas jovens na ciência e que possa ser uma ferramenta importante para os arqueólogos no futuro.

"Isso vai permitir que sejamos mais focados e seletivos no nosso trabalho. Diante de um sítio enorme, você normalmente não sabe por onde começar", observa.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MILTON NASCIMENTO, UMA HISTÓRIA DE VIDA





A ditadura militar acabou, mas ainda é uma ferida aberta para Milton Nascimento.


  



"Fui proibido de ver o meu filho. Se eu me encontrasse com ele, falavam que iam matá-lo. Fiquei quase 20 anos [sem vê-lo]", conta. "Ninguém entendia. Mas eu não podia falar com ninguém. Eles queriam me maltratar. Se eu falasse com alguém --não sei como ficavam sabendo--, ameaçavam aquela pessoa. Fiquei calado muito tempo. Comecei a beber".

Milton faz o desabafo à Serafina em sua casa incrustada num morro na Barra da Tijuca, no Rio. Seu filho, Pablo, nascido há 40 anos, é fruto do relacionamento com a socialite paulistana Káritas. O músico conta que foi ameaçado por Erasmo Dias (1924-2010), então secretário de Segurança de São Paulo.





Mas não quer aprofundar o assunto. Acha perigoso, teme represálias. "A situação melhorou. Mas o pessoal [que o ameaçou] ainda está aí, vivo. Prefiro deixar a coisa passar mais um pouco para poder falar sobre tudo", afirma.
Milton fala que parou de beber num dia que viu pessoas bonitas e alegres na praia. "Falei: essa coisa não merece que eu me mate. Parei de beber e fiquei três dias na cama. Até que sentei, vi que não estava tremendo nem tonto. No dia seguinte, fui dirigindo para Três Pontas", recorda.

A história de Milton durante a ditadura também teve censura e racismo. O seu "Milagre dos Peixes" (de 1973, que contém a música "Pablo") virou um disco quase instrumental depois da tesoura imposta. "Era muito perseguido. Fui chamado várias vezes", diz.Murillo Meirelles

Às vésperas de completar 70 anos, Milton Nascimento comemora cinco décadas de carreira

Numa delas, agentes do Dops queriam que ele desmentisse uma declaração sobre racismo. Milton tinha visto a filha do músico Paulo Moura ser barrada, por ser negra, em um clube em Copacabana. Protestou e denunciou à imprensa.




"Diziam que no Brasil não tinha racismo. Não desmenti porque estava do lado da menina, vi tudo". Ele próprio foi barrado. "Em muitos lugares não me deixavam entrar por ser negro", afirma.

Filho de uma empregada doméstica, Milton nasceu no Rio em 26 de outubro de 1942. Sua mãe biológica morreu de tuberculose quando ele tinha menos de dois anos. O pai ele nunca conheceu.
Órfão, foi adotado pela filha recém-casada da família da casa onde sua mãe trabalhara. Mudou-se com os novos pais para Três Pontas, Minas.
"Minha mãe [adotiva] sofreu muito. Ela casou com um cara e dois meses depois apareceu com um filho negro".
Aos quatro anos, recebeu de sua madrinha seu primeiro instrumento: uma sanfona, relíquia que guarda até hoje.
Milton estudou contabilidade no segundo grau e desistiu do vestibular para economia. Queria ser músico e astrônomo. "Não tinha faculdade de astronomia em Belo Horizonte. Então continuei só com a música". Mas mantém, até hoje, um telescópio no Rio e outro em Três Pontas.
O caminho da música não foi fácil. O final dos anos 1960, em São Paulo, ele lembra como uma época triste. "Não era chamado para nada".





É TUDO VERDADE

Foi quando teve uma experiência num centro espírita. Relata ter visto uma "entidade" em 1967. "Ela falou que eu não podia ser triste porque muita gente ia precisar de mim. Disse que em tantos dias iria acontecer uma coisa que eu nem iria acreditar. E em tantos dias eu estava no Maracanazinho defendendo 'Travessia'", afirma.
Hoje, acredita "em tudo". Além do espiritismo, já teve contato com o candomblé. "Fui criado na religião católica. Era coroinha, um dia briguei com o padre e resolvi não seguir mais o catolicismo", explica.
O rompimento precoce não impediu que, mais tarde, ele realizasse a "Missa dos Quilombos" (1982), com dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, tratando de escravidão e preconceito. As temáticas la tino-americanas, dos povos indígenas e da ecologia passaram a ser objeto de sua criação.
Milton está comemorando 50 anos de carreira e 40 do Clube da Esquina, o movimento mineiro que embalou gerações. Voz da campanha das Diretas ("Menestrel das Alagoas", 1983), fez campanha por Tancredo Neves. Hoje quer distância da política.
Mas confia muito em Dilma. Há pouco tempo, localizou numa foto antiga a moça que viria a se tornar presidente. "Ela era muito ligada. A gente se reunia, ia aos bares".

E gosta de namorar. Mas está sozinho no momento. "Agora, estou viajando. Mas não posso viver sem namorar. Não posso, nem quero", fala.
E encara com naturalidade rumores sobre sua homossexualidade. "Não ligo para isso. Acho que ninguém tem nada a ver com nada".
Em 1989, Milton compôs a música "River Phoenix (Carta a um Jovem Ator)" em homenagem ao jovem loiro e bonito que descobriu quando via filmes na TV em um hotel em Nova York em 1988. Tornaram-se amigos e trabalharam juntos no álbum "Txai" (1990). River veio ao Brasil em 1992, um ano antes de sua morte.




Neste ano, Milton já escreveu sete letras (uma delas em homenagem a Portinari). Em 2013, sai um novo CD. E ainda esse ano, um DVD. Continua com o pé na estrada. É fazendo shows que ganha dinheiro. "Gosto de viajar." Os namoros ficam para depois.
Às vésperas de completar 70 anos, Milton Nascimento comemora cinco décadas de carreira

Fonte: Revista Serafina (Folha de SP)

da página Revolucionários Eternamente (Facebook)


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O Bom e Velho Rock Brazuca


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mais de 20 anos do Massacre do Carandiru...





Familiares de mortos cobram justiça e afirmam que nunca foram procuradores pelo Estado


Por Caio Zinet
Caros Amigos
“A política de encarceramento em massa resulta em uma política oposta à que é anunciada. Ao invés de diminuir a violência, elas acabam por incentivá-la”, afirmou Padre Valdir, da Pastoral Carcerária, durante entrevista coletiva organizada pela Rede 2 de Outubro para relembrar os 20 anos do massacre do Carandiru. Estavam presentes no evento, que ocorreu na sede do sindicato dos jornalistas, Débora Silva (Grupo Mães de Maio) e Sidney Sales (sobrevivente do massacre).
O aniversário do massacre foi usado pelo movimento como forma de refletir se a política de encarceramento em massa promovida em todo o país é a melhor para combater a violência. O representante da Pastoral mostrou números que comprovam que as mortes dentro de presídios continuam acontecendo. “Entre 1999 e 2006 cerca de 3 mil presos morreram dentro das prisões brasileiras”, denunciou.



Segundo dados do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) a população carcerária brasileira atingiu cerca de 490 mil presos em 2009, além de outros 500 mil pedidos de prisão expedidos e que não foram cumpridos. São Paulo é o estado que concentra o maior número de presos no Brasil, somando cerca de 170 mil encarcerados. A prisão é feita, em sua maioria contra o jovem, negro, pobre e morador das periferias das cidades brasileiras.
Encarceramento em Massa
“A juventude está sendo encarcera em massa, em especial pela questão das drogas. Nos presídios femininos a maioria das presas cumpre pena por portar drogas. Temos que buscar outras soluções para esses casos. A prisão não pode ser a resposta à violência”, afirmou Valdir.
Para ele combater a violência é investir em políticas públicas como saúde e educação e também é diminuir a abissal desigualdade no país.





111 mortos?
A estatística oficial do Estado aponta que 111 pessoas foram mortas durante a invasão da PM ao pavilhão 9 do Carandiru. Esses dados, no entanto, são questionados por órgão de defesa de direitos humanos e sobreviventes. “Morreram mais pessoas do que os dados oficiais contabilizam. Acredito que pelo menos 250 pessoas morreram, os relatos do Estado são mentirosos”, afirmou Sidney, um dos sobreviventes.
Ele fez um depoimento emocionante dos momentos que passou logo após a invasão. “Fui obrigado a carregar 35 corpos de detentos assassinados pela PM após a invasão. Quando finalmente fui liberado para entrar na minha cela três policiais que estavam com várias chaves me disseram que iam tentar abrir a minha com uma chave qualquer. Se abrisse eu entrava e estava tudo bem. Caso contrário seria morto ali mesmo”.



Sem Auxílio do Estado

O tratamento dos familiares de vítimas do massacre também foi alvo de críticas, pois até o momento eles não receberam nenhum tipo de auxílio do governo estadual.
O governo não esqueceu somente as vítimas do Carandiru. Débora Silva, que perdeu seu filho morto pela polícia em maio de 2006, também relatou que até o momento nada foi feito. “O governo não foi nem na casa do meu neto para saber a situação dele. Fecharam todas as portas de negociação com os familiares”, disse. “O governo federal também foi omisso, pois deveria ter acompanhado passo a passo os massacres e a situação dos familiares”, afirmou ainda.
A recente nomeação de Nivaldo César Restivo, tenente da operação do Carandiru, para o comando da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) foi alvo de críticas. “Recebemos a nomeação com muita indignação. É como se o governador dissesse que todos os policiais que agiram no Carandiru estavam corretos e por isso merecem ser promovidos”, afirmou Padre Valdir que pediu o afastamento imediato dos policiais que fizeram parte do massacre com devida reparação as famílias.







segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO"



   É sempre bom lembrar que se o povo foi idiota em votar em uma criatura dessa estirpe (Collor),o fez também porque a mídia corrompida  criou essa figura inglória e nefasta. Por mais que muitos se esqueçam...




















Leia também:

Aos Ingênuos de Plantão



DITADURA vs DEMOCRACIA




Nunca pensei que viveríamos dias como estes. De acompanhar pela internet grupelhos que enaltecem um regime que primava pela repressão,em todos os sentidos,como a ditadura  militar.

Como chegamos a esse ponto?

Nas redes sociais há páginas e comunidades, onde pessoas defendem com vigor a volta do regime de exceção. O principal motivo?Desencanto com a classe política, em especial o PT.




Autoproclamado um partido de esquerda (como se realmente houvesse isso...) o Partido dos Trabalhadores (?) irritou a direita mais conservadora com sua ascensão (é vívido até hoje Mario Amato, presidente da Fiesp, dizendo que se Lula fosse eleito milhares de empresas iriam embora do Brasil; prova clara que Amato não sabia o que, nem de QUEM estava falando). Isso porque as pessoas achavam que o PT defendia os dogmas socialistas. Ledo engano. No poder eles se mostraram mais a direita do que o antigo PFL (atual DEM). Nunca antes, na história desse país , se viu um partido tão afundado em escândalos de corrupção. Com a revelação do esquema chamado de “Mensalão”,as coisas recrudesceram. E, junto veio a cara de pau de algumas figuras proeminentes do PT em desqualificar as investigações. Foi o bastante para que as redes sociais se transformassem em campo de batalha virtual.




E é isso que causa espanto, a forma usada para satanizar o PT e exorcizar demônios particulares. Ao invés de optar por mobilização,recorrem a velhos subterfúgios, que cheiram a mofo.Defendendo a volta do militarismo,como se isso fosse uma opção lógica e sensata.Não é.

Em países como Chile, Uruguai e Argentina, houve também regimes brutais, tal qual no Brasil, mas as pessoas não enaltecem os ditadores de outrora. Ao contrário.Os nossos vizinhos (chamados ironicamente pela mídia tupiniquim de ‘hermanos’) chegaram ao ponto de levá-los aos tribunais( no caso da Argentina).No Chile,apesar de ainda haver meia dúzia de paspalhos alienados que defendem Augusto Pinochet,a imensa maioria não sente saudades daquele período tenebroso.Sem contar que o grau de politização destes países é infinitamente maior do que no Brasil.Se por aqui as reclamações e os protestos se resumem a alguns ‘posts’ nas redes sociais,lá é nas ruas,aos milhares,por vários dias seguidos,pressionando o governo.


A principal justificativa é que os políticos da época do militarismo eram honestos, e os de hoje não. Bom,os de hoje não são e os de outrora menos. Primeiro, porque era impossível saber das eventuais falcatruas (eles controlavam as informações e as notícias),segundo que os ‘proeminentes’ ministros e aliados dos presidentes APENAS PARECIAM ser honestos. O ex-ministro da Justiça Ibraim Abi Ackel, por exemplo,envolvido no contrabando das joias; Delfim Neto que veio a público e admitiu que a  maior obra pública da história,a Transamazônica custou nada menos do que 12 bilhões de dólares, ou aproximadamente 35 bilhões de reais(obra superfaturada). O ex-ministro Delfim Neto admitiu que a obra "resultou num enorme fracasso e nunca ficou pronta”; Mario Andreazza e as verbas milionárias para sua pasta que nunca chegaram a ser utilizadas; Golbery do Couto e Silva, o José Dirceu daquele período, Paulo Maluf e os casos Luftalla e Paulipetro. Sim, ele é um ‘filhote da ditadura’,como disse uma vez Leonel Brizola.Os desmandos de Hélio Beltrão,com o aval da presidência. Enfim, nada de novo no front.





Pesquisando nas redes sociais achei bravatas das mais variadas, inclusive uma em especial, homônima de um momento constrangedor do nosso país, nos anos 60: o Movimento da Família com Deus pela Liberdade que foi uma série de manifestações públicas organizadas por setores conservadores da sociedade brasileira.




O pretenso ‘movimento’ era a união de segmentos variados da sociedade da época, como a imprensa, a igreja católica e a classe média, que pediam a intervenção das forças armadas no governo de João Goulart, principalmente após seu famoso discurso no Rio, onde propunha mudanças nos setores educacional, fiscal, político e agrário. Todos inflamados por editoriais torpes de uma figura que viria a ser conhecida como ‘braço direito’ dos militares : Roberto Marinho. Veja que patrono tinha o regime recém instalado...

Após o GOLPE (chamado de maneira cafajeste de “movimento”), todos os integrantes dos segmentos que se sentiam incomodados com Jango pareciam estar plenamente felizes. Mas bastou que a ditadura começasse a abater jornalistas, padres e freiras, e os filhos da classe média, que todos começaram a perceber o enorme erro que fizeram.Bom,aí já era tarde. O Congresso já não existia, o voto havia sido abolido, a constituição rasgada,os direitos civis solenemente  atropelados e as torturas e os assassinatos estavam se multiplicando. Sem falar na lei de Imprensa (a Censura).





APÓS O GOLPE -
O Brasil se transformou num quartel de proporções continentais. O exército decidia,impunha,mandava.Diante do poder absoluto,restava apenas obedecer.Pois o regime era :

* a negação das liberdades e das garantias individuais
* autoritarismo dominante
* tinha que combater as estruturas que lutavam por democracia
* incentivava a criação de “Esquadrões da Morte” nos Estados da federação, pois isso ajudaria no combate aos ‘subversivos’;

 - instituíram a pena de morte, pela primeira vez na história do país

“Decreto-lei 898, usando os poderes conferidos pelo artigo 1º do ato institucional nº 12, de 31/08/1969, combinado com o parágrafo 1º do artigo 2º do AI-5 de 13/12/1968
 Parágrafo único – se atos de hostilidade forem desencadeados: pena mínima, prisão perpétua; a máxima, pena de morte”;

  Será que os alienados de plantão sabiam disso?



Os mitos da época : 


* o milagre econômico
* não havia criminalidade nas ruas

  Estranho,mas não foi com JK que começou a revolução econômica e industrial no país? E não foi o Plano Real que elevou verdadeiramente a renda dos brasileiros? Que os militares tenham construído pontes, hidrelétricas e estradas, faz sentido. Afinal, passar mais de duas décadas e nem uma ponte construir seria o cúmulo da incompetência. Quanto a criminalidade, bom é sabido (menos pelos alienados de plantão) que quem controlava o tráfico de drogas era a própria polícia. Em SP, os integrantes do Esquadrão da Morte dividiam irmãmente as regiões da cidade.Criminosos havia.E eles usavam distintivo ou fardas.


Atrocidades de ambos os lados, mas três me chamam a atenção:

* o padre Antonio Henrique Pereira Neto, da Pastoral da Arquidiocese de Olinda foi amarrado de ponta cabeça, em uma árvore, espancado, queimado, mutilado e castrado;

* os guerrilheiros do Araguaia, após serem executados (mesmo após a rendição) foram jogados em um local com vários pneus e foi ateado fogo nos corpos (isso dificulta o reconhecimento dos corpos,pois o fogo consome com uma intensidade violenta);

* e a pá de cal no regime: o brutal assassinato de Vladimir Herzog, em 25/10/1975, nas dependências do tenebroso DOI-CODI;





  Isso sem contar como as mulheres eram torturadas (inclusive as grávidas), com eletrochoque em suas partes íntimas ou penduradas no famoso ‘pau-de-arara’, sendo espancadas e violentadas na frente dos companheiros; muitas vezes chegavam a óbito. Difícil sentir saudades de um regime desses...

Portanto se você defende o regime militar, faça um grande favor: desligue o computador e vá dormir. Pois num regime totalitário PROTESTAR é proibido;se expressar é proibido; o livre pensar é proibido; votar é proibido;discordar não é permitido;direitos constitucionais inexistem.Porque se vivêssemos um regime fascista, qualquer um que quisesse usar uma rede social e ofender um político (como vem acontecendo,principalmente com Lula e José Dirceu,merecidamente)seria levado aos porões do DOPS / DOI-CODI para dar explicações.Num regime democrático pode-se difamar um político( e,convenhamos,isso é muito bom),sabendo que o máximo que poderia acontecer seria um processo.Durante a vigência do AI-5 ,uma ofensa a um presidente seria recompensada com tortura e prisão,no mínimo.Então pros amantes dos militares sugiro que ou se alistem e usem aquela roupa démodé,ou se mudem para países onde isso ainda existe,Porque num país livre quando há políticos sem escrúpulos,os canais democráticos são plenamente cabíveis.Os protestos,a mobilização popular( como os  Cara Pintadas),os projetos (como a Lei da Ficha Limpa,que é de origem popular),os tribunais,a imprensa,todos são opção mais inteligente para contornar um erro em um dos três poderes.





Há caminhos que podem ser trilhados. Basta que não se escolha o mais fácil (e mais perigoso), só porque se tem preguiça de sair do conforto da sala para ira às ruas e protestar. Aliás ir às ruas e dizer em voz alta : ”abaixo o governo” só é possível em regimes onde  haja liberdade,por isso aproveitem.      
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
Eu, como idolatro democracia, liberdade e direitos civis, sempre vou defender esses valores, em qualquer época da nossa história. E para aqueles que não curtem os mesmos valores,tudo bem. Faz parte do jogo democrático discordar. Já em um regime totalitário...


Fonte - Wikipedia


            "A Autópsia do Medo",de Percival de Souza
             Museu da Corrupção

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/08/poroes-da-ditadura-sitio-da-tortura.html