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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A CEGUEIRA POLÍTICA DO BRASILEIRO








Nos recentes protestos contra a presidente reeleita Dilma Roussef e o seu partido, o PT, pode-se notar a alienação plena dos eleitores brasileiros, que vivem um clima de “Fla-Flu', nos últimos anos.



Pessoas que teriam tudo para serem conscientes e racionais optaram pela burrice crônica. Cidadãos anencéfalos bradando aos quatro cantos que, vejam só, querem a volta do regime militar, como se isso fosse a salvação de um país em crise existencial.


Conclamar aos militares para nos “salvar” seria como amputar a mão, para não cortar mais as unhas.



Na maior cidade do país, uma pretensa classe média repetia seus mantras tradicionais contra o PT. Vociferando contra tudo o que achavam ser de “esquerda” --como se o Partido dos Trabalhadores fosse esquerdista – os 'manifestantes' pareciam integrantes de uma matilha raivosa e barulhenta. Sobrou até para veículos de imprensa que deram o azar de cobrir o evento.




Boa parte dessa culpa recai sobre o próprio PT.



Autointitulado como do povo, da plebe, da classe trabalhadora, o partido sempre apregoou a ética e a defesa ferrenha dos direitos trabalhistas.



Mas ao chegar ao poder, fazendo pacto com deus e o mundo, as expectativas se frustraram e parte de sua base, de seus integrantes mais antigos e até de sua militância se decepcionaram e se bandearam para novas siglas. PSTU, PSOL, PCO, são alguns dos filhotes bastardos do antigo partidão de Lula, grão-mestre alçado à presidência em 2002.




Com a decepção com o PT, tendo apenas o PSDB como reles alternativa (que já governou e foi rejeitado após oito anos de um governo desgastante) o eleitor, via de regra, se decepcionou e partiu pro caminho mais curto e perigoso: clamar pelo militarismo.



Democracia dá trabalho. Requer atenção permanente, voto consciente, participação no processo democrático e cobrança constante dos três poderes.



Ao endossar uma ditadura militar, as pessoas abrem mão de sua liberdade, da democracia para terem a ilusão da segurança (??), de um sistema à prova de corrupção (hahahahahahahah) e de uma sociedade mais justa. Exatamente tudo aquilo que NÃO TÍNHAMOS durante os “anos de chumbo”.




Se não está bem com o Partido dos Trabalhadores, muda-se de legenda. Se a próxima não agradar, retira-a também.



Nossa democracia é relativamente jovem e, por isso, requer cuidados para não florescer tardiamente, ou ter os galhos atrofiados.




Se há algo que os protestos de 2013 nos ensinaram é que protestar dá resultado. O segredo é não resumir as reivindicações a dois meses. O espetáculo popular que se viu nas ruas das grandes cidades deve ser constante.




Ou será que teremos de padecer mais duas décadas de um regime tenebroso e truculento para que as pessoas deem valor à liberdade de expressão, aos direitos humanos, à democracia e, acima de tudo, ao voto livre?






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